Testemunho de um accionista da TAP

Este accionista gostava de voar para fora da TAP.
Este accionista gostava de voar para fora da TAP.

Escrevo-vos na qualidade de accionista da TAP, que herdei não sei bem quando. Ao contrário daquela casa em Santa Marta de Penaguião que herdamos de um primo distante cuja vida lhe foi agreste e que nem sequer sabíamos que existia, nesta herança tudo é ao contrário: chega na hora do nascimento, tem um efeito líquido negativo na minha conta bancária, mas faz-se acompanhar de tristeza idêntica. É o pior dos dois mundos.

Desconheço a razão para me terem feito accionista da TAP. Não trago qualquer experiência ou competência ao sector da aviação, ou desejo sequer fazê-lo. Dizem-me que é pelo superior interesse estratégico nacional, o que geralmente significa que sofre a já escanzelada carteira, que paga os arbítrios destes interesses estratégicos, confecção mole para caprichos de empedernidos socialistas que julgam que o país lhes pertence.

Pior ainda, sou um sócio minoritário sem presença nas Assembleias Gerais, que não pode aprovar, vetar decisões, ou sequer vender a sua participação, e que nunca recebeu qualquer dividendo. Mas que já foi convidado de forma compulsória a lá injectar dinheiro.

Mas serão tudo más notícias? Desde há uns tempos que viajo para Faro a preços irrisórios numa companhia de bandeira, e a partir de Março poderei visitar os Açores também numa companhia de bandeira a preços muito acessíveis. Vendo bem, até poderia não ser assim tão mau, não fossem as bandeiras de origem irlandesa e britânica, respectivamente, dado que a TAP está demasiado ocupada a assegurar o superior interesse estratégico nacional.

E assim, não tendo eu nada para oferecer à TAP e não tendo a TAP nada para me oferecer a mim, solicito que, seja porque o MoU assim o diz, seja porque é o desejo incandescente desses perigosos neoliberais, seja porque o PS faria exactamente o mesmo caso estivesse no Governo, a privatizem o quanto antes, voltando eu à condição única de cliente voluntário da empresa caso esta me agrade, condição que me apraz a mim, mas apraz fundamentalmente à carteira de todos nós.

Um accionista que deseja deixar de o ser,

47 pensamentos sobre “Testemunho de um accionista da TAP

  1. Caro Luis FA, sabe que os impostos servem para pagar a despesa, despesa gerada também por injecções de capital que o Estado foi fazendo na TAP ao longo do tempo, e pelo custo de oportunidade do capital que provavelmente estaria melhor empregue noutro lado qualquer. Ora, os impostos saem da minha e da sua conta bancária.

  2. Não é o que consta relativamente aos últimos anos, conforme muito bem sabe. Esse facto torna o comentário desatualizado, ou algo… Desonesto?… Também concordo que o Estado não tem que ter companhias de aviação. Aliás, deveria limitar-se a uma presença básica (e leve) na “regulação” da sociedade, na defesa, na saúde, no ensino, na justiça e em pouco mais… Não obstante, também acho que a “aflição privatizadora” a toda a força, “porque sim”, cegueta e apressada, mais não faz do que definitivamente alienar os “investimentos” (forçados) já feitos pelo “acionista” (ou seja, nós os dois e os outros “camaradas”…).
    Uma das parvoíces do “liberal-padrão-nacional” reside no desprezo pela exigência de boa gestão por parte do estado. Quer retirar-lhe funções, e isso faz sentido, mas considerando-o um “caso perdido” de ingovernabilidade não se preocupa com o gerir devidamente… Ou seja, reclama enquanto “acionista”, mas não faz nada para gerir “a coisa”… Apenas contribui para abandalhar! Temos exemplos disso no “estado de citius” em que colocaram a máquina monstruosa…

  3. Miguel Noronha

    “Não é o que consta relativamente aos últimos anos, conforme muito bem sabe. ”
    Que a TAP tem capitais próprios negativos e necessita desesperadamente de dinheiro é um facto.´
    E mil milhões de euros em dívida não se pagam facilmente sem uma forte injecção de capital.

    Se pretendia evitar uma “aflição privatizadora” a toda a força, “porque sim”, cegueta e apressada” devia ter defendido a privarizaçõa na década passada quando havia tempo, dinheiro no mercado e a pressão sobre os capitais da TAP ainda não era tão grande. Mas presumo que tenha um plano de contingência para capitalizar a TAP sem recurso ao dinheiro dos contribuintes e que permite adiar a privarização por mais alguns anos.

  4. tina

    “Mas afinal qual foi o efeito líquido negativo na conta bancária?”

    Não respondam, é uma tricky question.

  5. Pingback: Todos juntos podemos poder | BLASFÉMIAS

  6. Até parece que estou a “defender” a manutenção da TAP no monstrinho!… Essa ironia dá-me um gozo danado mas foge à questão… O Estado (conforme referi) não precisa ter transportadoras… Aliás, nem devia atrapalhar tanto a vida das que existem. O “ponto” está na frase: “Uma das parvoíces do “liberal-padrão-nacional” reside no desprezo pela exigência de boa gestão por parte do estado.” — Esta é a questão pertinente!… Have a nice day! 😉

  7. Portanto, Luis FA, se ignorarmos as injecções de capital no passado (a última remete a 2012, quando o Estado lá colocou 100 milhões por questões urgentes de tesouraria) e se ignorarmos que o passivo da TAP eventualmente terá de ser pago, de facto isto nunca onera o contribuinte. Descobriu a pólvora, um modelo de gestão que nunca tem prejuízo para o seu accionista. Muito bem.

  8. JP

    Diz o Comité Central do PCP pela voz do seu Roberto Carlos (a.k.a. Arménio, irmão do meio-soprano Mário Nogueira): “Estado tem de investir na TAP para retirarmos dividendos”. Já estão na fase do lucro. Antes eram os saneamentos. Já denota uma certa evolução. Só não consegui foi perceber o significado exacto de “retirarmos” – dá a impressão que uns metem e os outros tiram. Devem julgar que Portugal é a casa da dona Rosete.

  9. António

    Quem o fez acionista foi o Salazar, e todos os governos subsequentes. No inicio, o “iluminado” Salazar, pensou sozinho por todos nós. Depois, em democracia, a maioria elegeu governos que, até agora, acham bem haver uma companhia aérea publica.

    Este governo já lá está há 3 anos, com condições muito favoráveis à privatização. Melhores que nunca. Os nossos credores até o impõem…até o PS (qiando não está na opsição) é a favor…

    Para quando? E, porque demora tanto?

    A ground force foi privatizada, a gestão dos areroportos também foram privatizadas (e estavam tao cheios de sindicatos como a TAP)…porque a companhia aerea em si demora tanto?

  10. Luis Moreira

    Há um problema mais candente e que me angustia : Há alguém que queira a TAP que é tão boa e dá tantos dividendos como diz o Arménio?

  11. JS

    Os partidecos que insistem não privatrização da TAP (PS, PCP e outros que tais) deveriam ser obrigados a comprar a TAP com os seus capitais. Comprariam todas as acções, ficariam com a responsabildade do passivo e da gestão da coisa.
    Chama-se isto: “put your money where your mouth is”.
    Senão “shut up you fools”!.

  12. MVP

    Eu ouvi, com espanto e incredulidade, o anglo brasileiro que já se pirou mas que continua a ser consultor da TAP nas horas vagas (e a mamar umas viagens na executiva à borla), a declarar candidamente ao comité de supervisão da TAP que “todos os investimentos que fizémos deram errado, menos a Portugália”, e o comité riu-se alegremente… Esta equipa perdeu em média cerca de 100 milhoes por ano desde que lá está. A TAP ficou com os terrenos em que está implantada (que eram domínio de utilização pública). As negociações com os sindicatos são sempre pagas por ordem de um governante fugaz. Seu Pinto ganha 1,3 milhões por ano, mais um pote para se “instalar” em Portugal (e o burro é ele?). Leiam o Relatório e contas da TAP: “Não foram definidos objectivos para a TAP”… Acham verdadeiramente possível mudar sem fechar? Ninguém vai querer comprar sem garantias…

  13. joão antunes

    os palhaços que acham boa ideia vender a tap deviam andar nas ryan air deste mundo, com o combustivel contado ao litro, sem manutenção, sem inspecções aos aviões. prefiro pagar 300 euros por uma viagem numa empresa que é respeitada em todo o mundo como uma das 10 mais seguras (e q só n está mais acima por causa da idade da frota) do que pagar 30 e dar-me por sortudo por chegar vivo ao destino. as mentes pequeninas q só se preocupam com os tostões, de mais nada sabem. ao menos leiam e aprendam, antes de falar.

  14. Joaquim Amado Lopes

    JP,
    O que o Comité Central do PCP quis dizer foi que os contribuintes têm que investir na TAP para os sindicatos retirarem dividendos e continuarem a trabalhar para o PCP.

  15. Caro Pedro Tito, o Governo teve, ou não, de injectar 100 milhões na TAP em 2012, verba que só devolveu um ano depois? Admitindo uma taxa de juro nominal de 4%, esse dinheiro no banco renderia 4 milhões ao final de um ano, antes de impostos. Dado que desconhece o conceito de custo de oportunidade, e reflecte tal desconhecimento numa pretensa ignorância de terceiros, quando é única e exclusivamente sua, pedia-lhe que me emprestasse 100 milhões que eu devolvo-lhe daqui a um ano. Não considero ético ganhar dinheiro com patos, mas abro uma excepção no seu caso.

  16. Pedro Tito

    Novamente erra e é pena. Se tivesse lido o artigo até ao fim, teria visto que a taxa paga à Parpública foi de 8%. Ah, e num prazo de 6 meses. Gostaria de saber onde consegue esse tipo de retorno sem risco nos dias que correm. Se mo garantir, eu dou-lhe os 100M€. O primeiro milho é sempre para os pardais.

  17. Caro Pedro Tinto, se eu injectar dinheiro numa empresa, é certamente para ser remunerado por isso. Caso contrário, não injectava. O ponto aqui assente e indesmentível é que o Estado injectou 200 milhões em 2012, tal como eu poderia injectar como suprimentos esse valor numa empresa, sendo depois, enquanto accionista, remunerado pela injecção de capital. Facto: fez uma injecção de capital por necessidades urgentes de tesouraria.

    Ainda assim, bom esforço. O magret estava bom, obrigado.

  18. antónio sousa

    caro mário lopes, constato que não sabe ler. assim, concordo que é melhor investir o dinheiro na educação porque andar a viajar sem saber ler é inutil.

  19. Caro António Sousa, se não sabe a diferença entre um aumento de capital e uma injecção de capital, é porque a educação pública falhou mesmo. Lamento por si, mas lamento essencialmente por mim, que a pago. O que o Estado fez na TAP em 2012 foi uma injecção de capital na TAP, que obviamente não poderia reverter em aumento de capital por imposição da UE, e assim teve de ser devolvido. Ponto.

    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=613150&tm=6&layout=122&visual=61

  20. Elio Campos

    Nunca percebi a lógica de se privatizar uma empresa porque esta dá prejuizo ou tem uma situação financeira instável. Há duas formas de se analisar a situação:
    1 – Uma avaliação cuidada à empresa e ao mercado identifica que esta empresa é insustentável e inviável economica e financeiramente, portante uma fonte de acumulação de perdas que se acabam por reflectir nos bolsos dos contribuintes.
    2 – A mesma avaliação identifica que há problemas de gestão corrente e/ou estratégica, portanto uma reformulação do modelo de gestão e da estructura da empresa a podem tornar rentável.
    Ora, no cenário 1 a questão da privatização nem se põe porque nenhum privado adquire uma fonte de perdas constantes sem ser compensado para tal (um bocado o conceito das PPP – privatiza-se o lucro e nacionaliza-se o prejuizo para pagarmos todos). Se estivermos portanto no cenário 1 a empresa é imprivatizavel e continuaremos a pagar as perdas de qualquer das formas.
    No cenário 2, a questão da privatização ou não é absolutamente secundária. O único ponto interessante quanto a este cenário é a forma e métodos a serem utilizados para rentabilizar um activo que se identifica como potencialmente rentável. É indiferente quem são os accionistas visto que a questão da rentabilidade tem a ver com a equipa de gestão e com a exigência de competência e resultados.

    Em conclusão, a questão de se uma empresa é pública ou privada é acessória e está mais relacionada com uma visão politica dogmática do que com a realidade da sua sustentabilidade ou dos seus resultados. O único ponto interessante é a forma como se deve gerir tal empresa e é nesse ponto que nos deveriamos focar.
    Cumprimentos

  21. Caro Elio Campos, é óbvio que a questão da gestão pública ou gestão privada não é acessória. Enquanto que numa gestão privada existem accionistas preocupados com o dinheiro deles, impondo uma gestão racional e eficiente por forma a maximizar o retorno, na gestão pública existem muitos outros incentivos, os accionistas (contribuintes) não conseguem exercer um controlo apertado, e o risco de falência é muito menor, porque o Estado acaba quase sempre por recapitalizar a empresa. Assim sendo, faz muito mais sentido que o Estado delegue a TAP a quem faz da vida gerir companhias aéreas, limitando-se a cobrar os seus impostos. Ganhamos todos: a empresa é mais eficiente, gera mais lucro, as pessoas obtêm um melhor serviço, mais barato, e o Estado pode obter mais receita fiscal.

  22. Nelson

    Bem vou dizer apenas uma coisa simples, não concordo, nem apoio a venda de mais uma empresa pública neste país, em nome de um qualquer superior interesse público, porque o superior interesse público do país é defender o que ainda o estado tem.
    Caso ainda se defenda este tipo de operações actualmente, então deixem-me dizer apenas uma coisa muito simples aos defensores das privatizações e alienações de empresas com capital público, então que se venda tudo mas mesmo tudo, até a própria mãezinha porque essa também dá despeza e sai das contas de cada um de nós também em impostos, mas vendam também os filhos porque os impostos que se pagam também servem para pagar ou ajudar a pagar os seus estudos. É por este tipo de pensamentos que o país chegou onde chegou, com corrupção reiterada ao longo de 20 anos, estando actualmente no fundo da tabela do raking de percepção da Corrupção, naquilo que é a Europa clássica, e que em vez de nos andarmos a atirar a este tipo de operações deviamos estar mais preocupados em debater como cada um de nós devia ajudar a combater a corrupção e a limpar o sistema, porque a corrupção é sistémica, e está instalada na política que urge limpar.

  23. Carvalho Jesus

    Meus caros, eu como Português preferia que o Estado injectasse os 4 mil milhões de euros na TAP que é um Património Nacional, portanto de todos, que ao invés meteu os 4 mil milhões no BES que é um banco privado e ainda por cima enganou o Zé povinho com a manobra do fundo de garantia bancária que nem trezentos milhões tinha em caixa, logo o guito injectado no BES está a ser pago pelo povo que também não é accionista nem recebeu os dividendos. Quanto às privatizações, os resultados estão à vista, nenhum dos seus serviços ficou mais barato.Estar o governo a vender património de gerações para pagar uma divida que não foi contraída pelo povo mas sim pelos ladrões do costume e o dinheiro das privatizações não chega nem para pagar os juros de um ano da divida publica e o desemprego que isso faz é não saber gerir os recursos que temos, quando não houver mais nada para vender, como vão (vamos) pagar os juros, já não falando da dita divida? além do mais, eu como “suposto accionista” da TAP e do todo o património publico, não passei nenhuma procuração aos governantes a dar ordem de venda.

  24. Rui Marques

    Aqueles que tanto defendem a TAP, são os primeiros a escolher a RyanAir ou EasyJet para voar na Europa ou a Emirates, a Lufthansa, a IBeria ou a Turkish Airlines para o resto do mundo.
    Quando o dinheiro é deles, escolhem o mais baratinho… Falam muito no interesse nacional, mas quando viajam são bem egoístas, só pensam no interesse deles.
    Eu viajo muito na Tap, eu gosto da Tap e espero que continue a crescer. Mas precisa de investimentos que com a estrutura actual não pode fazer.
    Todas as balelas que ouço sobre a privatização são as mesmas de sempre. Balelas repetidas vezes sem fim por gente sem ponta de noção sobre os mercados e a economia.
    Odeiam o liberalismo. Gostam mesmo é de uma economia pseudo-socialista em que eles vivem na “estabilidade” sem grandes chatices, sustentados por dinheiros públicos saídos directamente dos bolsos dos contribuintes.

  25. Carlos Duarte

    Caro MAL,

    Não discordando da privatização da TAP, é falso que não participe em AGs. Claro que participa, através dos seus representantes, nos quais tem o direito de votar. Diz que não é tido nem achado?

    Até certo ponto tem razão, da mesma forma que se investir num fundo de investimento (vamos pensar em algo para os lados de um PPR) e se eles investirem, sei lá, na IAG (BA/Iberia), também não é tido nem achado.

    Sinceramente, se há coisa que NÃO me aflige é a TAP. Porque, para já, não perde dinheiro e vai dando uns trocos. Com esse mal posso eu bem. Aflige-me mais, por analogia, a sanha privacionista da TAP por comparação com a sacro-santa RTP. Com a agravante que se eu ainda consigo pensar em algum interesse estratégico (em termos de diplomacia económica) para a TAP, com algumas rotas aos PALOP, não vislumbro nada, zero, na RTP.

    A verdade é outra e já estou algo farto – não estou a falar de si – de levar com areia nos olhos. A TAP não vai ser privatizada porque dá prejuízo ou porque o Estado não deve ter companhias aéreas. Vai ser privatizado porque o Governo precisa de dinheiro, “cash”. A venda da TAP é análoga à venda, sei lá, de reservas de ouro do Banco de Portugal.

  26. Caro Carlos Duarte, essa do eu ser representado nas AGs é como dizer que eu até tenho presença na Assembleia da República através dos que me representam, e que posso votar em projectos de lei através deles. O que diferencia precisamente uma empresa é que não é uma democracia representativa: se eu detenho uma quota parte, tenho poder de veto. Coisa que, por muitas voltas que queira dar, não se passa com a TAP. Mais a mais, a TAP não vai dando dinheiro, vai dando prejuízo. Embora a TAP SA transportadora aérea até tenha resultados operacionais positivos, a TAP SGPS tem tido resultados líquidos negativos ano após ano, fruto dos maus investimentos feitos, especialmente na groudforce do Brasil. Em 2013 foram -5.9M€, numa redução recorde, porque em 2012 foram -31M€ e em 2011 -78M€.

    A TAP vai ser privatizada não porque o Governo precisa de cash (duvido que obtenha um grande valor com a venda), mas sim porque a TAP precisa de cash. Isto é que é essencial perceber.

  27. Alain Campos

    A TAP é mais uma teta do funcionalismo publico, o tal emprego para a vida! Se o estado cortar essa gordura supérflua a custo de reduzir essa despesa que zero retorno trás sou a favor seja TAP ou deputados ou professores de secretaria e carimbadores de papeis das finanças!

  28. Francisco

    “Accionista (Estado) decide que a TAP vai adquirir a VEM, uma decisão política, associada a outros interesses do país, nomeadamente negociações de blocos petrolíferos para a Galp (empresa privada), de acordos de telecomunicações da PT com a OI (outra empresa privada), de investimentos da Embraer em Portugal (mais uma empresa privada). Os custos ficam na TAP, os benefícios nos privados.
    O custo da aquisição é mistério, mas o prejuízo acumulado da mesma já ascende a 500 milhões de Euros e sempre a aumentar. Quem pagou a aquisição? Foi o Estado? Não, foi a TAP, que não pode receber dinheiro do Estado para financiar a aquisição por ele determinada, por isso contrai dívida. Para suportar o serviço da dívida, que só associado a este prejuízo são cerca de 25 milhões de Euros anuais, o que é que a TAP faz, corta ordenados, altera regras e acordos de trabalho dos seus empregados. Portanto quem financia o negócio são os trabalhadores.
    A Venezuela não liberta 130 milhões de Euros de receitas de vendas nesse mercado, o Estado decide que se deve manter a operação para Caracas por causa da comunidade imigrante. A TAP não só vê aumentar o valor a receber a cada dia que passa, como tem de contrair empréstimos para pagar os custos associados a essa operação. A 5% de taxa de juro são mais cerca de 6.5 milhões de Euros de prejuízo em serviço de dívida. Em vez da TAP rentabilizar receitas de 130 milhões de Euros em produção, obtendo retorno, tem custos de 6.5 milhões de Euros.
    O Estado decide adquirir a Portugália ao BES, em mais um negócio muito transparente, quem paga? A TAP. Como? Com dívida. Como paga a dívida, já que o Estado não põe um cêntimo na TAP? Corta ordenados, direitos e altera regras de trabalho dos seus trabalhadores!
    E andamos assim há 15 anos. O trabalhadores da TAP são tratados como trabalhadores do sector privado no que se refere aos seus direitos, mas no que se refere aos seus deveres, já são funcionários públicos. É o melhor dos dois mundos para o Accionista Estado. E é à custa dos cortes nos seus ordenados, da alteração dos seus contratos, que a TAP tem financiado isto tudo.
    Perguntam como é que a TAP pode investir em renovação da frota, em crescimento? Basta que o Estado assuma as suas responsabilidades. Separa a VEM do grupo TAP, logo liberta 500 milhões de dívida e 25 milhões em juros. Assume os créditos da operação com a Venuzuela, libertando 130 milhões de Euros e 6.5 milhões em juros. A TAP acabou de conseguir 630 milhões para investimento produtivo, que, se tiver retorno superior à taxa de financiamento é auto sustentável.
    Saliente-se que o Estado está impedido de capitalizar o Transporte Aéreo, não a manutenção, ou o handling, ou os outros negócios acessórios.
    Veja-se que a TAP, apesar dos 630 milhões de dívida não produtiva (na VEM e Venuzuela) que só gera prejuízo em juros, mesmo assim consegue suportar a quase totalidade desse encargo.
    Não foram os trabalhadores que determinaram as políticas nem as aquisições. A responsabilidade não é dos trabalhadores. O Estado mistura política com a TAP, mas não suporta a conta. O Estado quer vender a TAP, concordo plenamente. Mas antes assume as suas responsabilidades. Não são os trabalhadores a ficar com a conta novamente.
    Interessa ao Estado esta confusão entre público e privado na TAP. Apesar do Estado não pôr um cêntimo, os cidadãos pensam que sim. O Estado usufrui dos direitos, sem ter os deveres. Agora como a conta vai entrar para o défice em 2015, tenta saltar fora como se nada fosse com ele.
    Eu adoro a TAP, como a generalidades seus trabalhadores, mas há limites para tudo. Os trabalhadores estão fartos de ser roubados, maltratados e enganados. E esta privatização à pressa, sem lógica, apenas por convicção, é a última estocada na paciência dos trabalhadores.
    Quem quiser ser enganado pela propaganda política, que isto são tudo é mandriões e sindicalistas a defender o seu feudo, que o seja, quem quiser pensar um pouco, olhe para os factos e decida”
    Como “accionista” acho que devia era exigir responsabilidades!

  29. Caro Francisco, um bom contributo que torna ainda mais premente a necessidade de privatizar a TAP e a isolar, tanto quanto possível, desses interesses políticos estratégicos decretados por sabe-se lá quem.

  30. catia

    Caro sr accionista,
    obrigada pelo seu contributo neste tão extenso debate sobre a privatização da tap.
    de qualquer forma na sua qualidade de cidadão terá pouco ou nada de relevante para esta ou qualquer privatização realizada no país.

    Primeiro deixe-me dizer-lhe que me sinto revoltada comigo mesma por não ter feito nada contra a privatizacao da PT. Mas isto de sermos muito pequeninos é uma boa desculpa para deixarmos andar e não agirmos, nem defendermos aquilo que é nosso.

    Há muita falta de informação sobre o que é realmente a tap e de como esta funciona.
    Mas a culpa é de quem passa a informação de que os portugueses andam a pagar a tap e a partir dai todos nós desligamos e não queremos ouvir mais nada. MAs OS CONTRIBUINTES NÃO ESTÃO A PAGAR A TAP. Será que alguém agora já quer ouvir?

    O governo está a chegar ao final do mandato e depois de ter vendido quase tudo o que é nosso e de o ter feito sem quase reclamações dos portugueses ganhou o poder de ser arrogante. E agora percebeu que ainda lhe falta vender a tap… e fala da sua venda como se fosse um café da esquina pronto a fechar. Esquece-se do seu impacto no PIB e na segurança social. Pergunto se alguém já fez as contas de quanto vai custar ao sr accionista e a todos os portugueses pagar os subsidios de desemprego aos trabalhadores que vão ficar sem trabalho se a tap for mal privatizada.

    Com a edp a anunciar aumentos na ordem dos 3,3% e uma ana a subir constantemente as taxas de aeroporto, parece que ninguém vê o quanto o nosso país está completamente perdido.

    Respeito que outras companhias aéreas entrem no mercado e causem concorrência à tap. Isso é muito saudável para o mercado e para as nossas carteiras. A tap tem tentado adaptar-se a essa nova realidade. Mas os preços altos são também o sinal de que a segurança está em primeiro lugar. A tap cumpre as várias e rispidas leis sobre segurança aos passageiros. A tap é exigente. Aprende com os erros e tenta a todos os níveis assegurar um serviço de qualidade. Basicamente é como outra coisa qualquer. Compramos na Zara ou na Sacoor. Todos temos o nosso direito a escolher.

    Ao contrário do que diz, a tap tem muito para lhe oferecer. Para lhe indicar algumas coisas:
    – tem garantido emprego a muitas pessoas o que ajuda o mercado em geral,
    – tem fornecido ferramentas e conhecimentos aos seus trabalhadores que os ajudaram a ir para outras companhias internacionais exigentes e bem reconhecidas ( estes só não ficam por cá porque por lá o vencimento é consideravelmente superior)
    – tem conquistado prémios internacionais que espalham o nome de portugal pelo mundo
    – tem divulgado produtos portugueses (as vendas a bordo são feitas com estes produtos)
    – tem pessoas apaixonadas pelo que fazem ( se não esta defesa toda e esta vontade de lutar pela tap não existiria e já teria sido comprada há muito)
    – tem dado lucro

    E embora nao o possa obrigar a ter com a tap uma relação de servico-cliente, espero que a sua relação de português-tap tenha crescido.
    Se ainda assim tiver dúvidas, estarei ao dispor.

  31. Cara catia, isso é tudo muito bonito. As razões que deu quanto ao que a TAP tem para oferecer também se aplicam a muitas outras empresas com quem tenho interagido sem ser forçado a ser accionista. Algumas nacionais, outras internacionais. Ou seja, não são argumentos que sirvam para justificar, ou não, a privatização.

    Sem entrar numa deriva grande, a realidade é esta:

    1. A TAP precisa de uma injecção urgente de capital;
    2. O Estado não tem/não pode injectar esse capital;
    3. Ou esse dinheiro é injectado ou a empresa pode mesmo ir à falência.

  32. Paulo Aguiar

    A TAP é uma companhia fantástica,um orgulho para os Portugueses,com uma assistência mecânica do mais alto nível e que fazem milagres em meu entender.
    Como Português a residir e a trabalhar em Varsóvia sempre que vou a Portugal tento deixar sempre o meu dinheiro na TAP,nem sempre o consigo, mas isso trata-se não dos preços dos bilhetes, mas da conexão dos voos.
    Porém, tenho que admitir que quando uma empresa pública falha durante décadas na sua gestão económica ,talvez seja a altura dar a oportunidade aos privados esperando que estes consigam fazer melhor.
    Há areas em que aceito que nunca se consiga uma boa gestão económica,caso da saúde,do ensino,do apoio social e naturalmente das forças armadas,mas todas estas são em meu entender uma protecção a todos os níveis do cidadão,que não devem estar à disponibilidade dos setores privados,embora algumas já o estejam e não com bons resultados para o País e as pessoas.
    Nessas áreas já me mentalizei que os meus impostos vão para lá para tapar buracos,porém consigo viver com essa realidade.dado que, se as mesmas tivessem o intuito de dar lucro não seria certamente ético e o bom serviço nunca seria prestado ao cidadão e ao País.
    No caso da TAP,com muita pena minha…penso que conseguiria viver sabendo que já não é da responsabilidade do estado.Fizemos o possivel durante décadas,mas quando o possivel se torna impossivel a única possibilidade é “soltar as amarras”.

  33. «A TAP é uma companhia fantástica,um orgulho para os Portugueses,com uma assistência mecânica do mais alto nível e que fazem milagres em meu entender.»

    Não sendo o maior desses milagres o da multiplicação dos tachos.

  34. Catia,

    «OS CONTRIBUINTES NÃO ESTÃO A PAGAR A TAP»

    Acha que uma empresa consegue operar com situação líquida negativa? Se os tipos do mexilhão não estão a pagar, em breve pagarão.

    Temos uma companhia aérea com contas submarinas.

  35. Paulo Aguiar

    Francisco Miguel Colaço,
    tachos há em todo o lugar,se quiser acabar com eles denotará que acabava por ficar sem serviços públicos no País,mesmo nas áreas que anteriormente mencionei,e não estou a abranger a parte privada.
    Mas temos que nos focar no serviço que presta ao cidadão,não me compete a mim fiscalizar mas certamente que me cabe a mim a responsabilidade de me queixar através de um livro de reclamações quando o serviço não funçiona.
    A qualidade do serviço da TAP é boa,e posso falar pessoalmente dado que por ano, no minimo faço 12 viagens de avião e nunca vi um serviço superior ao da TAP e acredite que já “corri”quase todas as companhias aéreas europeias à excepção de companhias low cost que não faço nem tenho intençao de deixar lá o meu dinheiro.
    Tenho plena confiança nos seus profissionais desde, pilotos ,tripulantes de cabine,mecânicos,enfim..todos.Não concordo com a sua gestão,acho que é má,e daí não sou contra a privatização,pelo contrário,em relação aos tachos..não tenho a responsabilidade de fiscalização nem os meios,porém se o Francisco tiver informações desses tachos talvez possa informar as autoridades responsáveis pela averiguação desses casos e ajudá-los não só a eles mas tambem a nós Portugueses que andamos a pagar a fatura pelos “tachos” e pela má gestão.
    O estado agradece.

  36. «A qualidade do serviço da TAP é boa,e posso falar pessoalmente dado que por ano, no minimo faço 12 viagens de avião e nunca vi um serviço superior ao da TAP e acredite que já “corri”quase todas as companhias aéreas europeias à excepção de companhias low cost que não faço nem tenho intençao de deixar lá o meu dinheiro.»

    Óptimo para si. Tem escolha. Não me faça é deixar o MEU dinheiro na TAP sem necessariamente querer, poder ou desejar ou mesmo chegar a usar os seus serviços. Privatizem aquele bibelot, que o contador vai-se tornando curto.

  37. Paulo Aguiar

    Francisco Miguel Colaço,
    “Óptimo para si. Tem escolha. Não me faça é deixar o MEU dinheiro na TAP sem necessariamente querer, poder ou desejar ou mesmo chegar a usar os seus serviços. Privatizem aquele bibelot, que o contador vai-se tornando curto”.
    Parto do princípio que manda no seu dinheiro,por isso quando diz:”Não me faça deixar o meu dinheiro”…eu não faço nada,você é que tem que fazer ou deixar de fazer e pelos vistos deixou que os outros o fizessem por si.
    Quando diz “tem escolha”,o Sr. também tem,deixo um nome para o Sr. averiguar “Henry David Thoreau” em “Civil Desobedience”, o mesmo tem um busto em “The hall of fame for great Americans” em Bronx community college.
    Quando tiver a certeza que segue aquilo que pensa não me importo de com os meus impostos ajudar na realização de um busto seu no “The hall of fame for grat Portuguese”, é que Sr. Francisco..não basta parecer,é preciso “ser” !!

    Cordeais cumprimentos,
    Paulo Aguiar
    P.S Em relação à privatização não posso estar mais de acordo consigo.

  38. Quero esclarecer alguns comentaristas, inclusivo Mário Amorim Lopes, de que o Estado Português, foi autorizado pela C.E.E. em 1996 a injectar na TAP, 180 milhões de Contos para equilibrar as Finanças, o que obrigou à Reestruturação da TAP, terminando os contratos individuais de Trabalho com cerca de 2000 trabalhadores em Pré Reformas e Rescisões de mútuo acordo, e foi a última vez que o “Dono” da TAP, meteu dinheiro na TAP, portanto não é verdade dizer-se que o Estado Português tenha estado a “meter” dinheiro dos Impostos dos Portugueses na TAP. A TAP tem vivido desde aquele ano de 1996 de Empréstimos “Sómente Avalizados”, e a pagar altos juros, aliás a ultima vez recentemente, ouve uma injeção de dinheiro pela Parpública, mas como empréstimo a alto juro de 8%. Portanto esclareço os comentadores que o estado Português não tem metido lá um tostão. Disse.

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