Peço desculpa, mas foi a queda de um ‘oportunista’ COM ‘ideologia’

Anda por todo o lado esta capa do Liberation, but I beg to differ. sócrates podia ser um oportunista, mas tinha ideologia e estava inteiramente dentro do socialismo. De resto estou cada vez mais convencida que certos tipos de personalidade não só se adequam mais como florescem se dentro de regimes socialistas ou socializantes. A sede de controlo de tudo de sócrates – todos os cantos recônditos do estado, a comunicação social, a investigação judicial, as grandes empresas, os bancos, e um muito tentacular etc. – é muito semelhante à que encontramos nos mais variados ditadores comunistas. E não é necessário dizer que o papel central e condicionador e (sempre que o semi-déspota do momento entender) controlador do estado numa economia e numa sociedade não pode estar mais dentro da cartilha ideológica socialista, pois não? Também o comportamento narcísico, ressentido e vingativo de sócrates faz lembrar (em estado ainda não sublimado pelo poder absoluto) o dos complacentes Mao e Stalin.

Sobre Sócrates vale a pena ler o Paulo Tunhas no Observador e Vasco Pulido Valente no Público. Porque para mim o mais irritante disto na criatura – além, claro, das consequências monetárias que as suas políticas tiveram na minha vida – é termos de andar a perder tempo com alguém como sócrates. E diz tudo da pequenez do país – e dos jornalistas – que tantos continuem a admirar o estilo ostensivo e postiço do ex-pm.

5 pensamentos sobre “Peço desculpa, mas foi a queda de um ‘oportunista’ COM ‘ideologia’

  1. Baptista da Silva

    Eu admiro-me como ainda o defendem de nada!!! Não há nada ainda e já o defendem, de que têm medo? Porque o Marocas e o Sampaio já vieram com a “cabala”? “Cabala” de quê? Ao menos sabem do que foi acusado? Santa paciência.

  2. Mário

    Maria João Marques,

    Quando o pessoal de esquerda acusa os seus de “falta de ideologia”, querem apenas dizer que não reconhecem neste últimos uma verve revolucionária suficiente, que não têm como objectivo supremo a transfiguração completa da sociedade, não bastando, no caso de Sócrates, aprovar o aborto, o casamento gay, o endividamento ou crescimento do Estado. Para o revolucionário, toda a transformação é pouca, é sempre ficar aquém, uma oportunidade falhada, é quase uma traição.

    Quando diz que “estou cada vez mais convencida que certos tipos de personalidade não só se adequam mais como florescem se dentro de regimes socialistas ou socializantes”, está inteiramente certa. Aleksandr Zinoviev mostrou que quando as normas e valores da sociedade em geral são erodidas – e fazer isto é o objectivo principal dos socialistas, mesmo e talvez principalmente nas democracias – passam a valer as regras comunais, que são quase que regras instintivas de auto-defesa e de obtenção de vantagens imediatas. Neste contexto, o topo da hierarquia está reservado aos indivíduos mais brutais, tenazes e focados, como Sócrates.

    Mas não é uma perda de tempo andarmos agora à volta de Sócrates, porque a maneira como os portugueses lidaram com ele – fazendo que ignoravam o elefante estacionado na sala – inculcou uma espécie de neurose colectiva, especialmente em certos jornalistas e comentadores (não tanto em certos militantes socialistas, que defendem Sócrates por canalhice mesmo). Agora, a mentira inculcada e que tinha sido esquecida volta à superfície e atemoriza todas estas almas que se imaginavam vivendo em paz com os seus demónios. É precisamente por isto que decidi voltar a espreitar os blogs, para poder retirar alguns elementos que confirmam uma série de constatações sobre o estado do país.

  3. lucklucky

    O título do Liberation é como disse o típico modus operandi de certa Esquerda : corre mal não é de Esquerda.
    Basicamente é a teoria da nódoa no pano branco.

    É também o que faz com que certa Esquerda diga que o a União Soviética não era Comunista continuando a serem tão Totalitários como a dita.

    Ora Sócrates quando estave no Poder: aumentou o poder do Estado, aumentou os Impostos, acreditou piamente no desenvolvimento económico pelo endividamento.

    Por outras palavras o motor da economia para Sócrates era o Estado.

  4. Marquês Barão

    Cá por mim chega de tempo de antena para o presidiário Sócrates. Vou tentar resistir á tentação de lhe dar mais confiança. Aguardar que a justiça seja exemplar, nada me admirando que para já esteja a aquecer o lugar na prisão para continuação atrás das grades da boa disposição apregoada. As consequências políticas mais que aos profissionais da dita atados de pés e mãos , cabem-me como cidadão na parte que me toca, com total autonomia sem sujeição a obediências beatas de capelinha. Ala que se faz tarde.

  5. Luis Moreira

    Que se pode esperar de um jornal de esquerda senão que “sem ideologia”? Se tivesse ideologia tinha tido sucesso. Como alguém aí em cima diz. O comunismo caiu porque não era comunismo.

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