Um Portugal sem bebés e com um Estado matulão (2)

Procurando ser breve (piada), vou responder à Maria João para que não persistam mais equívocos a respeito das ideias que tentei transmitir aqui.

Em primeiro lugar, reconheço que me estiquei bastante face aos pontos levantados no texto da minha camarada e ela tem razões para achar que houve aqui um aproveitamento injusto. Porém, como me pareceu ter ficado evidente, o meu texto não pretende conotar a posição da Maria João com todos os problemas que abordei. A posição que defendeu funcionou, isso sim, como um ponto de partida e alonguei a minha resposta devido ao notório e indisfarçável entusiasmo pessoal pelo tema.

O meu exemplo da depreciação que é feita em relação às famílias numerosas foi uma forma de sublinhar a existência dessa mentalidade bem enraizada de cultura de filho único, como a temos vindo a designar. É que, contrariamente à Maria João, eu acho saudável a punição social que tem um papel instrutivo quando combate comportamentos perniciosos para a comunidade. Nas situações que o Estado acondiciona, assistimos a uma completa inversão dessa punição social, em desfavor da própria sociedade e não podemos continuar a acreditar na tão badalada neutralidade. É falso que uma sociedade possa coexistir sem um mínimo de punições sociais que incitem à sua adaptação e preservação. É irrealista conceber o contrário.

Coisas tão elementares e permanentes como a motivação para fidelizar compromissos matrimoniais, ter filhos e saber superar as incertezas com vínculos de longo prazo, acautelar a condição dos mais velhos e sentir a obrigação pessoal de lograr uma melhoria de rendimentos em favor da segurança da própria família, só podem perder prestígio e respeito quando os governos afagam a condição daqueles que adiam descontraidamente as suas obrigações. Eu disse que a família não é uma ilha e volto a repetir. As decisões que são tomadas entre quatro paredes têm um impacto determinante na vida de cada um, na prosperidade económica e no bem-estar social e espiritual de uma nação e esta consciência só se perdeu (numa sociedade que se escandaliza com papéis deitados ao chão, enquanto remete assuntos sociais graves para o foro privado, como acontece com o aborto) porque o cidadão deixou de depender das redes de confiança na sua proximidade e passou a lidar somente com a grande central, cumprindo as suas obrigações administrativas e voltando à sua vidinha no final do dia.

A questão da natalidade é apenas uma ponta do icebergue e não se resume a uma oposição entre salvar o país ou fazer filhos por gosto. A história não foi feita por pessoas que decidiram fazer filhos por gosto pessoal (também gostam e ajuda muito ser uma tarefa agradável). Esta visão restrita é mais um reflexo do sentimentalismo que invadiu as interacções humanas, despojando-as da sua componente funcional. Ter filhos é salvar a família, e é salvar a comunidade. E é também salvar a nação. Por que não? Citando um autor que muito aprecio e que explica estas transformações melhor do que ninguém: historically the family’s importance has come from the fact of intimate social cohesion united with institutional significance in society, not from its sex or blood relationships. (Robert Nisbet, 1953, P.53)

Em parte alguma do meu texto se pode achar que estou a sugerir incrementos artificiais para inverter as tendências demográficas que se têm acentuado, sobretudo, a partir da segunda metade do século XX (Europa e EUA). A começar pelo título, percebe-se logo ao que venho e frisei insistentemente o conflito entre a família e o Estado porque, a meu ver, a deterioração da família tem germinado essencialmente devido à expansão dos tentáculos do Estado, num falseamento de garantias de curto prazo e numa gradual troca de papéis funcionais. O Estado, por sua vez, cresce, abastece-se e domina por absorver as funções que eram inerentes à família num processo que eu gosto de associar à “pescadinha de rabo na boca”. Não se percebe ao certo de onde partiram os primeiros incentivos, neste relacionamento contínuo entre inseguranças individuais e aproveitamento eleitoralista, mas fica claro que a desresponsabilização pessoal, aliada a um estranho individualismo exacerbado, e a maximização da força estatal se reforçam mutuamente.

A Maria João mostra-se preocupada com esta minha frase: “Se continuar a persistir uma cultura de desresponsabilização pessoal perante as tendências demográficas que têm avançado no terreno…”. Julgo quase redundante esclarecer este ponto mas se ele dá azo a uma fácil deturpação, é bom que fique claro o que pretendia dizer com isto. Não raras vezes, os defensores de incentivos à natalidade espremem toda a sua criatividade para conseguir encontrar fórmulas mágicas para dar a volta ao problema. Geralmente, descamba-se no apelo ao investimento do Estado em cheques para fraldinhas, ajudas na conta da electricidade e toda a sorte de subsídios variados que, muitas vezes, nem chegam a sair do papel. Lembram-se de eu ter falado em “fraude endémica” e em “incentivos perniciosos”? Pois bem, se há alguma coisa que o Estado deve fazer urgentemente, é sair da frente das famílias, abrindo caminho a um maior desafogo para que não sejam penalizadas à medida que têm filhos na medida das suas expectativas.

Para quem me vai conhecendo, torna-se fácil ler-me nas entrelinhas. Assim sendo, a Maria João não tem razões para temer por mim, nem acho honesto sugerir-se que a minha visão pode cair em “ideologias pouco recomendáveis” por uma frase tão simples como aquela. Eu refiro-me a uma “cultura de desresponsabilização” e essa tal cultura de desresponsabilização só encontra espaço de disseminação quando as pessoas deixam de enfrentar as adversidades e impulsos reais da sua condição, passando a viver numa bolha de garantias igualitaristas passíveis de serem usufruídas em perfeito anonimato. Daí a propagação de famílias unipessoais e de famílias monoparentais no ocidente nas últimas décadas. Se o Estado não tivesse aniquilado e tomado o lugar da maioria das autoridades tradicionais da comunidade, o conceito de responsabilidade não seria erroneamente associado ao medo e ao capataz num falso dilema entre aquilo que se faz por gosto e aquilo que se faz para obedecer a imposições políticas.

Por fim, – e percebendo que me alonguei novamente, estando por isso disposta a desafiar a Maria João para uma luta na lama caso ela queira continuar esta discussão – remato com uma citação que também resume bem o espírito daquilo que procurei expressar:

Um homem honesto apaixona-se por uma mulher honesta; ele quer, por isso, casar-se com ela, ser o pai dos seus filhos, e ser a segurança da família. Todos os sistemas de governo devem ser testados no sentido de se saber se ele pode conseguir este objectivo. Se um determinado sistema – seja feudal, servil, ou bárbaro – lhe dá, de facto, a possibilidade da sua porção de terra para que ele a possa trabalhar, então esse sistema transporta em si próprio a essência da liberdade e da justiça. Se qualquer sistema – republicano, mercantil, ou eugenista – lhe dá um salário tão pequeno que ele não consiga o seu objectivo, então transporta consigo a essência de uma tirania eterna e vergonha. (G. K. Chesterton, “Illustrated London News”, Março de 1911.)

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22 pensamentos sobre “Um Portugal sem bebés e com um Estado matulão (2)

  1. povão

    No apocalyptico Mundo Ocidental hipocritamente civilizado existe um estado de pressão em ser certamente acusado de homofobia e vitima da habitual “linguagem gay” .e não só …. Esta linguagem “cheira mal” o que faz presumir o mundo que lhe corresponde . E o contundente “ativismo gay” põe em causa a própria Liberdade . E encontramos este absurdo do Uganda com origem numa Instituição presumidamente sensata !…
    http://portugalglorioso.blogspot.pt/2013/07/coadopcao-marinho-pinto-arrasa-lobby-gay.html?m=1

  2. Nuno Cardoso da Silva

    A unidade da família depende da vontade dos próprios. Pode ser simulada quando um depende do outro (no casal) de tal maneira que o dependente não se atreve a ir-se embora. E pode ser fomentada ou subvertida por questões de ordem económica, que dependem tanto do mundo empresarial como do próprio estado. Para o estado a importância da família é a procriação, sem a qual a comunidade morre. E é importante na medida que a comunidade nacional é em grande parte a extensão da comunidade familiar, e se o elemento constitutivo de base for sólido é possível – mas não certo – que essa solidez se transmita à comunidade no seu todo. Mas a continuidade demográfica da comunidade é de interesse geral. E por isso se compreende que se tente criar – ou recriar – as condições para que crianças nasçam, num ambiente que proporcione o seu natural e saudável desenvolvimento.

    E aqui há duas ordens de questões. A procriação é espontânea, adequada e com bases sólidas, ou não é. Se é, está tudo bem, mas que factores a promovem? Levianamente tendemos a achar que a condição é o amor. E se há coisa pouco sólida na vida é o amor persistente entre um homem e uma mulher (estamos a falar de procriação…). Dependente muito mais das feromonas do que das qualidades morais ou intelectuais, o amor é instável e muitas vezes efémero. Se baseamos a procriação e o seu sucesso numa base tão frágil, estamos com problemas. Há muito que penso que a base mais sólida para o casamento é a amizade sólida entre um homem e uma mulher, com base na comunhão de interesses, do apreço pelas características intelectuais, na honestidade, no bom humor… Mesmo sem paixão (a das feromonas). Numa tal relação o sexo nunca será repugnante, e a possibilidade de filhos é real. E a nasceem, serão criados com amor e num ambiente psicologicamente sólido. O que levará as pessoas a quererem mais do que um filho. E a paixão? Pois, essa pode ser resolvida por fora, desde que não afecte a unidade familiar.

    Se a espontaneidade não estiver presente, pode o estado criar as condições necessárias? Não de forma apetecível, mas garantir a suficiência material pode encorajar a ter filhos, mesmo que seja num ambiente menos do que ideal. Mas em situações de emergência talvez isso seja melhor do que nada.

  3. Maria João Marques

    Daniela, continuamos a não concordar, e eu a achar o teu ponto de vista perigoso – porque abre a porta a muitas ideias indesejáveis. E também não posso aceitar uma sociedade que puna quem não tem muitos filhos, ou quem não case, ou quem seja gay, ou quem seja infétil – tudo porque não contribui para a natalidade.

  4. Daniela Silva

    Maria João, e eu continuo a ser mal interpretada depois de tudo o que escrevi. Mas cada um fica com a sua opinião, naturalmente. Gostava era de perceber, muito francamente, onde é que o meu ponto de vista é perigoso. Se é só para alarmar e chamar fantasmas porque não concordam comigo, não vale a pena.

    E termos o ‘povão’ a chamar o exemplo do Uganda para a conversa diz muito das limitações para a leitura de algumas pessoas. Já estamos outra vez a olhar só para a autoridade do Estado. Não gostarem de certas reacções punitivas da sociedade é uma coisa, elas deixarem de existir, é outra. Fico-me por aqui.

  5. Daniela Silva

    Afinal não me fico por aqui. É que com essa lógica do “abre a porta a muitas ideias indesejáveis” eu também posso dizer, nesse caso, que o individualismo amoral e acrítico também “abre a porta” a muitas ideias e situações indesejáveis que se notam mais em alguns silêncios e omissões do que até em intervenções por parte de algumas pessoas. O exemplo mais óbvio é o aborto e já sabem como funcionam os paninhos quentes. “Demitam-se socialmente” é o slogan do momento.

  6. Luís

    Maria João: ter filhos ou não ter é uma decisão pessoal. Mas se a sociedade considera benéfico para si a existência de crianças não há mal nenhum em criar climas favoráveis a famílias. E a Daniela tem razão: a geração que se marimbou na questão demográfica é a que quer ter reformas intactas. Pensar em ter filhos não é pensar apenas na amamentação, no peso da mãe, etc. É também pensar na dimensão da família que achamos boa para os nossos filhos e para a sua vida na nossa ausência. Apesar dos sacrifícios.

  7. Penso que a questão também podia ser feita à luz desta verdade: o casamento foi instituído por Deus, ter filhos é um dever dos casais. Não queiram aqueles que não acreditam em Deus, ou que acreditam num “deus” à sua medida, impor à sociedade a sua visão daquilo que é correcto ou para que serve um casamento.

    Ter filhos ou não é uma decisão pessoal, muito bem. Faltou dizer que, assim como há decisões pessoais correctas, também há decisões pessoais erradas. Se não acreditam em decisões erradas, perguntem às solteironas pós-menopausa. Às solteironas, e não aos respectivos gatos. Porque não são parvos, esses, naturalmente, agradecerão as decisões pessoais tomadas há vinte ou quinze anos atrás pelas respectivas donas.

  8. Pedro F

    Ofereço-me como tributo para salvar a nação com a Daniela 😉

    Lendo o insurgente hoje em dia (posts+comentários) lembro-me sempre que preciso de um manual para distinguir socialistas e conservadores. É que para mim é same shit different smell.

  9. povão

    Como é habito em Portugal todos os assuntos são tratados ao nível do umbigo !…
    Será que o aborto , o onanismo e até a homossexualidade não estarão relacionados com o (inexistente) número de BÉBÉ’, s … ???
    P.S.
    Apenas o Estado matulão está “teso”(sem dinheiro) e o resto vai murchando …

  10. Daniela Silva

    Povão, se der uma vista de olhos pelo meu, ainda curto, historial no Insurgente, perceberá que estou longe de reduzir os assuntos ao problema do “estado matulão”. Nas entrelinhas também se conseguem deduzir coisas fabulosas.

    Filipe, perfeito. Para bom entendedor. 😉

  11. povão

    “Filipe, perfeito. Para bom entendedor” (sic)
    Alem de Doutora passou a ser “censora” …
    E alem de “censora” passou a apelar à violência !…Mas “censura” e apelos à violência não ficam nada bem na sua tese de doutoramento …

  12. Daniela Silva

    Povão, Doutora é por mérito próprio. Censora é mesmo privilégio concedido pela administração central do Grande Insurgente. Tenho super poderes para remover entulho que esteja a tapar a visibilidade dos leitores. Li o seu comentário umas 5 vezes e garanto-lhe que revelava álcool a mais no sangue. Se o povão tivesse lido os comentários pela ordem lógica, percebia que o Filipe Jairo estava a responder ao Pedro F.

  13. Filipe Jairo

    Em defesa da minha honra, sou violento de nascença e, portanto, não preciso de apelar à violência alheia de ninguém. Mas admito, às vezes roubo piadas ao Jim Carrey. Ninguém é perfeito. Só “deus” me julgará e tal…

  14. povão

    Mui Ilustre Doutora
    Cumprimentos
    Não obstante o mérito , confunde alcool com Carnaval …
    E como ainda é Carnaval permita-me que lhe ofereça duas quadras de António Aleixo
    Uma mosca sem valor
    Poisa, com a mesma alegria,
    Na careca de um doutor
    Como em qualquer porcaria

    Doutores nobres e ricos,
    Homens de grandes valores!…
    As criadas – aos penicos,
    Também lhes chamam «doutores»

    N.B. Detesto que me chamem “Sr. Doutor” …
    E pode guardar a censura para depois do Carnaval .
    Nas cinzas de quarta~feira tudo será esquecido …
    RESPOSTA :
    Erradamente(?) segui a ordem dos comentários

    :
    .

  15. Daniela Silva

    Se queria dedicar-me umas quadras, não era preciso ir dar uma volta tão grande a chamar “Doutora”. Tenho a 4ª classe incompleta, tirada à noite.

  16. António

    Cara Daniela,
    tenho acompanhado muito enviazadamente esta sua questão com a Maria João.
    Sobre esta questão da baixa natalidade portuguesa só me ocorre a pergunta do sr. Presidente:

  17. povão

    “opiniões em favor de um admirável futuro novo; um futuro onde desapareça a noção de altamente imoral ou em que seja impossível insultar comportamentos de terceiros” (sic) .

  18. Daniela Silva

    António, estava a ver que ninguém se lembrava dessa pérola. Essa pergunta sofredora.

    Povão, sou orgulhosamente preconceituosa. Está tudo na net para quem quiser ler.

  19. povão

    Apenas não sei se os mortos têm preconceitos ? …
    Um modelo matricial para o estudo do deficit demográfico é tão vasto e complexo que qualquer saudável abordagem ao tema ainda que incompleta mas necessária revela sempre uma coragem intelectual que apraz registar .
    Ainda , vale mais uma quarta classe tirada à noite do que 12 vezes o 12º ano .
    P.S.
    Os melhores e sinceros votos para o vosso percurso académico .
    .

  20. João Vasco

    No “Vento Sueste”, o Miguel Madeira deu uma excelente resposta a este texto:

    http://ventosueste.blogspot.pt/2014/03/afagados-pelo-governo.html

    «N’O Insurgente, Daniela Silva, a respeito da quebra da natalidade, refere que “os governos afagam a condição daqueles que adiam descontraidamente as suas obrigações”.

    Se ela se refere às pessoas que não têm filhos, não vejo muito bem onde é que elas são “afagadas” pelos governos – vamos lá ver: as pessoas com filhos têm direito a escola gratuita; abonos de família; deduções no IRS; licenças de maternidade/paternidade; bonificações no RSI; etc., etc. Que beneficio do Estado têm as sem filhos? Talvez as pensões de reforma, que os dispensa de ter filhos para os sustentar na velhice, mas mesmo aí duvido (mesmo sem pensões de reforma, as pessoas sem filhos poderiam simplesmente poupar enquanto trabalham para depois viveram dessas poupanças sem se reformarem, sem precisarem de arranjar filhos para isso). Até é muito provável que as pessoas sem filhos paguem mais impostos, já que até é possível que ganhem mais (confesso que no caso dos homens não sei, mas há estudos que indicam que as mulheres solteiras sem filhos ganham mais do que as outras, e que a famosa “diferença salarial” entre homens e mulheres praticamente desaparece quando a comparação é só feita com as mulheres solteiras sem filhos).

    Atenção que eu não me estou a queixar – o principio de todos os membros da comunidade (tenham ou não filhos) ajudarem, de uma forma ou de outra, a criar os filhotes nascidos nessa comunidade é relativamente comum entre os mamíferos sociais (nos bandos de lobos, mabecos ou suricatas até é normal só um casal se reproduzir mas todos os membros do bando ajudarem na alimentação e defesa das crias). Só me estou a “queixar” (assumindo que estou a perceber bem o que Daniela Silva quer dizer) de as pessoas sem filhos estarem a ser apresentados como beneficiados quando são, em larga medida, o sustentáculo dos benefícios que as com filhos auferem.»

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