Evidenciado no (Im)pertinências.
Uma das propostas mirabolantes de António José Seguro apresentada no congresso de Santa Maria de Feira para salvar empresas viáveis «sem que o Estado meta lá um cêntimo» consiste em transformar em capital as dívidas fiscais, à Segurança Social e aos bancos.
E como se faria essa milagrosa transformação de vários passivos em capital sem gastar um cêntimo? Perceberá AJS que isso equivaleria a um perdão de dívidas que, sendo passivos de uma empresa, são activos do Estado ou dos bancos que se perderiam com a «transformação»? E que diferença faria isso no que respeita à liquidez das empresas, cujo aumento é um dos propósitos da proposta mirabolante, se não entrasse «um cêntimo» na empresa? AJS não explica (…)
(…) Tudo por junto, salvar empresas viáveis «sem que o Estado gaste um cêntimo» custaria possivelmente umas dezenas de milhares de milhões e, talvez pior do que tudo isso, colocaria essas empresas sob a tutela do acionista mais incompetente que o sector empresarial português algum dia viu: o Estado Socialista.
Tambem no BPN o Estado não ia meter um cêntimo, segundo Teixeira Santos.
Salvar empresas viáveis? Se é viável, o que não vai faltar serão investidores privados interessados.
Estes socialistas querem taxar as empresas como se não houvesse amanhã, depois querem usar os valores devidos aos contribuintes para salvá-las. No final, o mais provavel, é a empresa sucumbir à carga fiscal e os contribuintes não voltarem a ver os fundos que lhe eram devidos.
Mas isto não custa um cêntimo… ao Tózé!?!?!
A este propósito e no mesmo sentido, escrevi ontem no meu blog “Será que os anjos têm sexo?”:
« A medida mágica que não custa 1 cêntimo e não vale 1 cêntimo
Seguro insiste na sua ideia emblemática de transformar dívidas de empresas ao Estado em capital. É a já conhecida medida n.º 6 da lista que já aqui discuti. Pensa que esta medida salvaria a economia e não custaria 1 cêntimo ao Estado, isto é, aos contribuintes. Não sei que economistas do PS ou simpatizantes aconselharam Seguro ou se este foi o autor da ideia e não consultou ninguém. Eu não sou economista, mas não me parece que esta medida tenha grande alcance e qualquer utilidade prática, vendo-a até como uma medida perigosa. De facto, como já foi dito, «se as empresas têm assim dívidas e são viáveis, creio que devem aparecer investidores interessados (incluindo os bancos) sem ser preciso o estado andar a injectar dinheiro dos contribuintes em empresas com dívidas». Realmente, não me parece correcto afirmar que esta operação não custaria 1 cêntimo. O Estado teria de desistir de cobrar as suas dívidas e portanto perderia completamente esse valor, trocando-o por um capital que poderia nunca vir a poder resgatar e cujo rendimento seria duvidoso. Claro que Seguro pretende limitar esta transformação de dívidas em capital a “empresas viáveis” que estejam “à beira da falência”. A avaliação se uma empresa à beira da falência e que tem dívidas ao Estado (dívidas fiscais? dívidas à Segurança Social?) é viável ou corre o risco de falir, mesmo com esta espécie de perdão de dívida, será muito difícil. Quantas empresas haverá nestas condições? Que faria depois o Estado com a participação no capital destas empresas? Teria de colaborar na respectiva gestão para defender a sua participação, nomeando administradores ou gestores para esse acompanhamento, caso contrário arriscaria a perda do investimento resultante da não cobrança da dívida. Não será portanto por teimosia ideológica que o Governo não segue o conselho de Seguro, apesar deste não cobrar direitos pela ideia. Que direitos poderia cobrar por uma ideia tão pateta? Só um socialista proporia a entrada do Estado com capital numa quantidade de empresas com dificuldades em pagar as suas dívidas e à beira da falência.»
O seu post apresenta argumentos mais sólidos, pelo que me permito transcrevê-lo.