Sobre o Regresso aos Mercados

A redução dos juros da dívida Portuguesa assim como o regresso antecipado aos mercados não deixam de ser um bom sinal na medida em que reflectem melhores percepções e expectativas por parte dos investidores de que Portugal seja de facto capaz de pagar os seus empréstimos. Este regresso deve no entanto ser devidamente contextualizado – ver uma batalha (2) do Ricardo Arroja.

No entanto, não deixo de recear que este acesso mais fácil ao financiamento externo se possa traduzir num relaxamento dos objectivos de consolidação orçamental e que torne mais tentador o recurso à dívida por parte do estado como uma fonte de financiamento.

O gráfico abaixo indica a evolução nos últimos 3 anos da taxa de juro da dívida portuguesa a 10 anos.

TaxadeJuroDividaa10Anos

A dívida pública – que terá de ser paga por todos os cidadãos portugueses actuais e futuros – de acordo com o Boletim Estatístico do Banco de Portugal de Janeiro de 2013, já é superior a 206.646 milhões de euros ou 124,3% do PIB o que corresponde a cerca de 20.600 euros a cada cidadão português.

É importante salientar que dívida pública representa impostos futuros que incorrem em custos adicionais sob a forma de juros.

No gráfico abaixo, retirado do relatório da sexta avaliação, encontra-se a previsão da evolução do rácio entre a despesa pública e o PIB. De reparar que a previsão espera que a dívida pública em relação ao PIB comece a baixar a partir de 2014 não porque a dívida vá ser amortizada, mas porque se espera que o PIB venha a crescer mais rapidamente do que a dívida.

DívidaPortuguesaEmPercentagemDoPIB

Espero então que o estado português não se comporte como uma família sobreendividada que de repente consegue aumentar o seu endividamento e aproveita logo para voltar a viver acima das suas possibilidades; mas antes que aproveite a oportunidade para acelerar o processo de reestruturação e de consolidação orçamental.

Quando de facto Portugal conseguir ter um superávit orçamental (sem malabarismos contabilísticos) e conseguir reduzir em termos absolutos a dívida pública, aí sim, será um momento para celebrar.

4 pensamentos sobre “Sobre o Regresso aos Mercados

  1. APC

    Ui, crescimento do PIB acima da dívida a partir do próximo ano? Superávit orçamental? Ainda que esteja perfeitamente de acordo com as observações do post, as previsões do relatório do FMI parecem-me, no mínimo, fantasiosas… e primeiro que se comece efectivamente a reduzir a divida em termos absolutos ainda nos vão ter de ir muito ao bolso!

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