O que é um Ultraliberal?

Há pessoas que ou são ignorantes ou fazem-se. Senão vejamos:

Portugal teve este ano o 2º maior aumento de impostos dos países “desenvolvidos” (classificação FMI).

Face a este facto, é óbvio que o governo Português não tem nenhuma relação com o Liberalismo que, na sua vertente económica, defende menos Estado na Economia e portanto menos impostos. Um blog Liberal, como O Insurgente é, já pediu inúmeras vezes menos impostos e, se bem que este governo tenha as suas vantagens face a outros que o antecederam, os aumentos de impostos anunciados por este são sem dúvida uma fonte de duras críticas neste blog. Como não podia deixar de ser.

Qual é então a conclusão? Que o governo é social-democrata ultraliberal.

Meus caros, ultraliberal é o Carlos Novais – um intelectual especialista em Rothbard – e outros anarco-capitalistas Portugueses que, admito, devem escapar ao radar da esquerda portuguesa. Ou seja, resumindo para que fique claro:

  1. Liberal – Quer menos Estado na Economia e portanto menos Impostos
  2. Ultraliberal – Quer o fim do Estado e portanto Impostos = 0.

Logo:
– Imagino que o Carlos Novais considere a comparação com o governo actual um insulto. Aliás, com qualquer governo.
– Imagino que o governo gostasse de ser uma espécie de Liberal Light. Gostasse. Porque ser, não é.
– Sei que quem chama ao governo ultraliberal deveria ler mais para saber do que fala. Deveria, mas não lê.

PS: Eu – um minarquista, que acredita no Estado Mínimo de Mises – não aceito o rótulo de Ultra. Liberal é suficiente obrigado.

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66 thoughts on “O que é um Ultraliberal?

  1. agfernandes

    Ricardo

    Com todo o respeito, está a analisar o método e não o objectivo.
    Qual o objectivo de carregar as pessoas com impostos, de aumentar o desemprego? Essa é a pergunta.

    O estado na sua vertente social está a diminuir = objectivo conseguido.
    O valor do trabalho está abaixo do nível da europa de leste = objectivo conseguido.
    O empobrecimento da classe média = objectivo conseguido.
    A manutenção da dependência dos credores = objectivo conseguido.
    A economia a servir a finança, em vez do seu contrário = objectivo conseguido.

    Onde vemos falhanços porque pensávamos que o objectivo era a redução do défice para a libertação da economia do peso da dívida, vemos sucessos em termos do verdadeiro objectivo.
    Se não é um governo ultraliberal, o que é? Serve essa lógica.

    O estado está a perder totalmente a sua identidade democrática, a sua verdadeira razão de ser que é gerir bens colectivos da forma mais adequada e eficaz, para servir outros interesses opacos, pois não há transparência nem sequer no método, e garantir e manter a nossa subserviência a essa lógica.
    Ana

  2. José Augusto

    Este governo é obviamente ultraliberal. O executivo pretende o fim do Estado, privatizando tudo o que pode privatizar (e na maior parte dos casos de forma incompetente, sob a batuta do inenarrável Borges). A coleta extra dos impostos não se destina a melhorar os serviços do Estado, mas antes a tapar os sucessivos buracos provocados pela roubalheira de entidades privadas como o BPN (um escândalo monstruoso!), pelas fundações (com interesses privados poderosos por detrás) ou as PPPs, com muitos ex-governantes a encherem-se de forma escandalosa.

    O aumento de impostos, injusto e não equitativo, visa defender interesses PRIVADOS (apenas de alguns) e não públicos (de todos).

    Este é um governo fundamentalista, anarco-ultraliberal (passem as redundâncias), que utiliza uma técnica muito curiosa para desviar dinheiros públicos para os bolsos de meia dúzia de privilegiados, assim aumentando (ainda mais!) o fosso entre pobres e ricos e contribuindo para a destruição da classe média.

    Venham daí esses votos negativos… aborrecem-me imenso, nem queiram saber.

  3. É compreensível que votos negativos não o aborreçam. Alguém que se dá ao trabalho de publicitar a sua ignorância e má-fé só pode estar a procurá-los. Provavelmente até ficará desapontado por uma eventual falta deles…

  4. José Augusto

    À falta de melhores argumentos, procura-se ofender quem não partilha a mesma opinião. Não me surpreende. Obviamente.

    Cordiais cumprimentos para V. Ex.ª, Sr. Miguel.

  5. Manuel Costa Guimarães

    Caro José Augusto,

    “Este é um governo fundamentalista, anarco-ultraliberal (passem as redundâncias), que utiliza uma técnica muito curiosa para desviar dinheiros públicos para os bolsos de meia dúzia de privilegiados, assim aumentando (ainda mais!) o fosso entre pobres e ricos e contribuindo para a destruição da classe média.”

    Desculpe, mas o sócrates já foi substituído. Actualize-se em termos de notícias e de conceitos. Principalmente de conceitos.

  6. José Augusto

    Caro Guimarães,

    Por comparação com o Miguel, a diferença é que não recorre ao insulto. Ora aí está um ponto a favor do meu amigo.

    Infelizmente, apresenta uma frase vazia de argumentos. Assim não vale.

    Cps

  7. lucklucky

    É obra como se consegue ser tão ignorante como agfernandes e José Augusto, ou então é a velha táctica comunista do newspeak tão bem demonstrada por Orwell.

    “Qual o objectivo de carregar as pessoas com impostos, de aumentar o desemprego? Essa é a pergunta.”
    -Não sabe o que é défice e o que é a dívida? nesta altura ainda não aprendeu nada?
    O Estado colecta X mas gasta X+défice. O défice tem de acabar porque as vossas ideias tão bem representadas pelos nossos políticos acabaram com o crédito. Ninguém compra a nossa dívida porque não tem confiança que nós paguemos.
    Logo défice zero implica cortes ou impostos ou um pouco dos dois. Por enquanto a troika está cá a garantir dois meses de pensões e 2 meses de ordenados da FP.
    Este Governo ataca pelo lado da Esquerda que tanto vocês gostam: Mais Impostos. E ainda não acabou.

    “privatizando tudo o que pode privatizar ”
    -Seria bom seria. Este Governo nem a RTP consegue privatizar. Por isso ou você é simplesmente mentiroso ou é outra coisa.

    “A coleta extra dos impostos não se destina a melhorar os serviços do Estado, mas antes a tapar os sucessivos buracos provocados pela roubalheira de entidades privadas como o BPN (um escândalo monstruoso!), pelas fundações (com interesses privados poderosos por detrás) ou as PPPs, com muitos ex-governantes a encherem-se de forma escandalosa.”

    -Você é incapaz de olhar para o orçamento? ou é só vontade de mentir?

    “Este é um governo fundamentalista, anarco-ultraliberal (passem as redundâncias), que utiliza uma técnica muito curiosa para desviar dinheiros públicos para os bolsos de meia dúzia de privilegiados”

    -Quais são essa meia dúzia? E qual o valor do orçamento de 80 mil milhões que vai para essa meia dúzia?

    A falta de cultura de meia dúzia de frases feitas fica bem demonstrada pelos comentários citados. É pior que falta de cultura é falta de vontade sequer de aprender alguma coisa. Isto se estão de boa fé.
    Se estão de má fé o que não seria nada surpreendente pela falta de vergonha demonstrada em considerar que um governo que aumenta o estado e coarta liberdade como este é ultra liberal.
    .
    Esta gente necessita chamar liberal a este Governo porque agora chegou a conta de anos de caminho para o desastre que eles defenderam. É tão simples quanto isso.

  8. Ana Fernandes,
    Sim, estou a analisar o método. Mas também podemos ir ao objectivo:
    1. O objectivo declarado é satisfazer os compromissos assumidos pelo Sócrates perante os credores.
    2. Para aquele objectivo final, o objectivo intermédio é diminuir o défice
    3. Os objectivos imediatos são variados e até contraditórios. Mas todos eles visam os anteriormente referidos.
    4. Os objectivos do governo NÃO são “carregar as pessoas com impostos” e muito menos “aumentar o desemprego”. Isso são consequências, não os objectivos em si. E mais, que tipo de sociopata teria como objectivo “aumentar o desemprego”? Eu nunca disse isso e na verdade acredito que não é esse o objectivo, quer do PPC quer do Gaspar.

    Quanto aos pontos:
    – O estado na sua vertente social está a diminuir – Não é verdade. Apesar do esforço do governo, as prestações sociais continuam a aumentar.
    – O valor do trabalho está abaixo do nível da europa de leste – Não é objectivo. Da última vez que vi os números os resultados eram mistos.
    – O empobrecimento da classe média – Não é objectivo. Obviamente isto está a acontecer, como acontece sempre que os impostos aumentam…
    – A manutenção da dependência dos credores – Quem gastou por gastar, para “estimular”, foi o filósofo e o seu ajudante da FEP. O Gaspar está a tentar pagar para reduzir essa dependência.
    – A economia a servir a finança, em vez do seu contrário – Mais uma vez, está-se a tentar pagar dívidas, logo a diminuir essa dependência. É claro que neste particular o resultado é desmoralizador.

    É mais grave o comentário a seguir.
    “Se não é um governo ultraliberal, o que é?” – O objectivo de um governo ultraliberal seria fechar as portas. Acabar. Ser o último governo antes de um período anarco-capitalista. O objectivo não seria “aumentar o peso da dívida”. Esse “aumentar o peso da dívida” nunca é objectivo de nenhum governo. É simplesmente uma necessidade lógica quando as políticas de um governo são socialistas (ou seja, menos impostos e mais gastos sociais simultaneamente).

    “O estado está a perder totalmente a sua identidade democrática” – Sim. Num caminho que já vem de há muito. Há muito que o Estado vem neste percurso de “exige cada vez mais transparência, é cada vez menos transparente”. Vivemos apenas um período em que o sistema se está a tornar insustentável.

    Ana,
    Creio que a Ana é muito optimista. Onde a Ana vê objectivos e malvadez, eu vejo incapacidade e malvadez generalizada (coligação e oposição). Confia demasiado na capacidade do Estado de cumprir objectivos…

    Cmpts, Ricardo.

  9. José Augusto,
    “Este governo é obviamente ultraliberal.”
    Falso.

    “O executivo pretende o fim do Estado”
    Era bom era. Na verdade, pretende salvá-lo da falência. E o que ele está a fazer (pagar as contas) é o único caminho a seguir.
    Claro que como paga deveria ser matéria para debate, mas pessoas que nos desfocam do essencial com comentários como os seus só ajudam à falta de debate das medidas concretas para o fazer…

    “privatizando tudo o que pode privatizar”
    Era bom era. Eles nem sequer as privatizações prometidas pelo Sócrates fizeram!!!

    “(e na maior parte dos casos de forma incompetente, sob a batuta do inenarrável Borges)”
    O senhor faria melhor aposto. Por acaso também discordo de muitas das opções do Borges, mas é o que o país tem de renome internacional.

    “A coleta extra dos impostos não se destina a melhorar os serviços do Estado, mas antes a tapar os sucessivos buracos provocados pela roubalheira de entidades privadas como o BPN (um escândalo monstruoso!), pelas fundações (com interesses privados poderosos por detrás) ou as PPPs, com muitos ex-governantes a encherem-se de forma escandalosa.”
    Eu como Liberal defendo a falência do BPN e o fechar das fundações, como deverá saber…

    “O aumento de impostos, injusto e não equitativo”
    Nunca é…

    “visa defender interesses PRIVADOS (apenas de alguns) e não públicos (de todos)”
    Como sempre. Baixem-se os impostos para todos!

    “Este é um governo fundamentalista, anarco-ultraliberal (passem as redundâncias)”
    ?!?
    Leu a notícia citada no artigo?!?
    Este é o governo menos liberal de todos os países “desenvolvidos”!!!

    “que utiliza uma técnica muito curiosa para desviar dinheiros públicos para os bolsos de meia dúzia de privilegiados, assim aumentando (ainda mais!) o fosso entre pobres e ricos e contribuindo para a destruição da classe média”
    Como todos, desde o Suíço ao Cubano…

    “Venham daí esses votos negativos… aborrecem-me imenso, nem queiram saber”
    Essa atitude justifica algumas coisas que disse acima…

  10. Sortudo,
    Obrigado pelo comentário.
    Deixo só a nota de que a Ana Fernandes não usa habitualmente a “velhas táctica comunista” e é simplesmente uma pessoa desiludida com o governo. A forma como eu interpreto o comentário é por saturação com o governo, não por acreditar na via de esquerda.

  11. fiscalista

    O Gaspacho de Coelho já muito fede …
    TAXAS de IRS :
    1º escalão até 7.000,00 14,5%
    2º escalão até 20.000,00 28,5% + 14
    3º escalão até 40.000,00 37 % + 8,5
    4º escalão até 80.000,00 45 % + 8
    5º escalão > 80.000,00 48 % + 3
    Ainda uma TAXA de 4% e uma SOBRETAXA de 2,5% !…
    A Constituição da Republica dispõe UMA taxa para o IRS e não esta
    dispersão de taxas e sobretaxas , sem prejuizo , como é óbvio , da existência de um conjunto de taxas progressivas , o que inconstitucionalmente também não se verifica !… . Parece que do ponto de vista literal(e não só ?) estamos perante alguns vicios de inconstitucionalidade !…
    Sempre se dirá que esta dispersão tem origem em “gente” que não é
    “séria” . Não é credível . Estão de má fé !… O terrorismo fiscal no seu melhor !… É uma ardilosa forma de enganar o contribuinte , qual “aldrabão de feira” , pois constitui uma enganosa forma de anestesia fiscal . O contribuinte português que em geral padece de iliteracia numérica , não está em condições de avaliar as taxas reais que lhe estão a ser impostas de forma tão pouco clara e isto acresce como reforço das inconstitucionalidades já suscitadas . Vicio formal ? Tenhamos presente o recente Acordão do S.T.A. sobre as informalidades dos avisos de cobrança do IMI , julgados assim ineficazes .
    Também a redução de escalões de 8 para 5 , diminui a progressividade do IRS . Os dois primeiros escalões (87% dos contribuintes com ¾ da pressão fiscal total) são fortemente afectados fiscalmente o que também viola o principio da progressividade do IRS .
    No 3º escalão(10% dos contribuintes)) a pressão fiscal é atenuada !…
    Verifica-se também que na fase inicial do 5º escalão (< 88.980) se encontra violado o principio da progressividade do IRS .
    O IRS assim legislado está inquinado pelo vicio de inconstitucionalidade
    quer pela proporcionalidade negativa quer pela supracitada redução de escalões .
    Ainda , quanto ao subsidio de férias , como rendimento de uma pessoa singular , “in casu” , o funcionário publico e o pensionista , a sua tributação de forma autonoma com uma taxa de 100% – verdadeiro confisco – viola o principio da igualdade (equidade face ao trabalhador
    do sector privado) ; viola ainda os principios da unicidade e da progressividade do IRS , consignados no artigo 104º da Constituição da Republica Portuguesa .
    Em suma , mais um aborto , neste caso , juridico. Todos à custa
    do condenado Contribuinte !…

  12. Antonio

    Duas semanitas e este governo acaba. Deixa-nos um bando de idiotas e miseráveis. De inicio não quizeram fazer rapidamente uma auditoria às contas, deu nisto. Agora amanhem-se perdeu-se um ano em que fomos governados sem inteligência e com muita estupidez e pouca sensatez. Vejam o caso dos carros com o PS.
    Eles não percebem nem nunca vão perceber as tristes figuras que fazem. É nogenta a argumentação que apresentam para se desculpar.

  13. Paulo Pereira

    Este governo é neoliberal e por isso nao é liberal de facto .

    Este governo insiste na ideia palerma de que é possível pagar a divida com recessão económica .

    Como já se verificou a receita fiscal baixou , o desemprego subiu , a divida publica subiu, e o PIB desceu .

    Ou seja estamos pior que antes .

    O neoliberalismo baseia -se em dogmas macroeconomicos errados e por isso as políticas praticadas são erradas ou incompletas .

    Por isso este governo tem um prazo de vida curto , a menos que renegue ao seu neoliberalismo e adopte políticas de crescimento da economia relevantes.

  14. Uma pessoa mudar a definição de um conceito (neste caso de liberal ou ultraliberal) face ao seu uso correcto não é uma questão de opinião diferente. É mesmo de ignorância, ou, perante o facto de que o presente post pretende justamente clarificar a definição, de má-fé. Apontar tal facto não é qualquer ofensa, é apenas uma constatação. Se não gosta que lhe apontem a sua ignorância e/ou má-fé, José Augusto, tem bons remédios: Seja mais comedido no disparate para a ignorância não ser tão óbvia; Aprenda, para não repetir o erro; Seja intelectualmente honesto; ou tenha alguma vergonha na cara.

  15. Ricardo

    Começo por agradecer a resposta a cada ponto:

    “Sim, estou a analisar o método. Mas também podemos ir ao objectivo:
    1. O objectivo declarado é satisfazer os compromissos assumidos pelo Sócrates perante os credores.
    2. Para aquele objectivo final, o objectivo intermédio é diminuir o défice.”
    É verdade, esqueci-me de referir o anterior governo PS que, agora percebe-se melhor, começou a seguir esta lógica de “bom aluno” de Bruxelas e da subserviência financeira. Sim, podemos dizer que esta lógica se inicia com o OE 2008 e continua com a ausência de supervisão bancária relativamente ao BPN, entre muitos episódios que começam agora a compor o “puzzle”. Portanto, quando chegamos ao PEC 4 trata-se de continuar a lógica. A única alteração na lógica é que, em vez do PS, temos lá o PSD e o CDS.

    “… 4. Os objectivos do governo NÃO são “carregar as pessoas com impostos” e muito menos “aumentar o desemprego”. Isso são consequências, não os objectivos em si. …”
    Uma coisa é certa, a coincidência da tentativa da CE se desresponsabilizar relativamente ao programa de austeridade, do FMI até achar que se exagerou na dose, e agora do Prémio Nobel da Paz atribuído a esta entidade, vem revelar-nos o nervosismo geral. Se o objectivo do governo não for o que referi, então temos de o ver dirigir-se a Bruxelas, aproveitar esta “janela de oportunidade”, e reformular o plano inicial. Os próximos episódios desta série “o bom aluno” (que se iniciou, como referi, com o OE 2008 e a rendição da economia à finança), nos dirão qual o verdadeiro objectivo.

    “… É mais grave o comentário a seguir.
    “Se não é um governo ultraliberal, o que é?” – O objectivo de um governo ultraliberal seria fechar as portas. Acabar. Ser o último governo antes de um período anarco-capitalista. O objectivo não seria “aumentar o peso da dívida”. Esse “aumentar o peso da dívida” nunca é objectivo de nenhum governo. É simplesmente uma necessidade lógica quando as políticas de um governo são socialistas (ou seja, menos impostos e mais gastos sociais simultaneamente).”
    Existem várias definições (e interpretações) de liberal, neoliberal, ultraliberal. Apliquei o termo “ultraliberal” porque “liberal”, a meu ver, é o que respeita valores essenciais (liberdade, economia saudável, mercado livre, democracia, transparência, regras do jogo essenciais para garantir os anteriores). “Ultraliberal” entenda-se por favor: quem serve a ausência de regras do jogo (ex.: ausência de supervisão bancária referida anteriormente) e salta por cima de valores essenciais como a democracia (e aqui entra a opacidade do método) para seguir um plano diverso do acordado com os eleitores. Resumindo e para concluir, se passarmos a trabalhar para pagar juros da dívida, quem ganha? E como vergar toda uma população a essa inevitabilidade? Com o “défice” e a “dívida” e “os credores” já lá não vão, e “com a troika” também não, porque até a CE e o FMI já se estão a descolar do desastre. E a entidade até já recebeu um Nobel da Paz…
    Ana

  16. vivendipt

    Entre o querer e o poder vai uma distância!!!

    Liberal nas intenções mas socialista nas aplicações pois temos ainda um estado que pesa 50% na economia… Um garrote socialista.

    A única coisa Liberal é só mesmo a ignorância dos esquerdóides.

  17. Portanto, Ana, temos um conceito X, associado a coisas boas, positivas, e temos o conceito de ultra-X, que já se aplica à escória da terra e tudo de mau. Acha que isso faz algum sentido? Não vê que esse salto linguístico foi concebido por quem apenas tem o objectivo de destruir o significado de X, associando-o ao significado inventado de ultra-X?

    O chamado “marxismo cultural”, a bullshitada pós-moderna, está mesmo bem embebido mesmo na cabeça de pessoas que o absorveram sem saber…

  18. lucklucky

    Lamento Ricardo mas agfernandes parece que não saber do défice e endividamento. Como explicar isto?

  19. Sebastien De Vries

    Se escrevemos no presente do indicativo, este governo é…pagador. Pagar o que se consumiu, e não se produziu. Onde está o dinheiro para se pagar?…na sociedade civil. Ainda. Que sorte!

  20. agfernandes

    Miguel

    Concordo que “ultraliberal” pode ser um termo que não define adequadamente um método socialista que serve um objectivo “capitalista corporativo” (assim está melhor?).

    O próprio termo “liberal” tem sido pouco acarinhado no país por essa interpretação que referiu, pois é vulgarmente confundido com “neoliberal”, popularizado por filmes como “Wall Street”, que revela o comportamento predador de alguns especuladores.

    De certo modo os próprios “liberais”, ao proporem esvaziar o estado das suas funções básicas (saúde, educação, justiça, supervisão bancária, regras de concorrência e de transparência, segurança), não ajudam a clarificar o papel político, ou cultural, de um “liberal” hoje. Não se podem admirar, pois, de ser confundidos com os promotores de um “capitalismo sem regras”.
    Pode um “liberal” vislumbrar a possibilidade de se pôr uma economia a funcionar, em democracia e num mercado livre, sem condições como regras de concorrência e transparência, supervisão bancária ou uma justiça eficiente?

    Quando se colocam na posição de críticos sistemáticos das funções do estado, os “liberais” esquecem-se que, sem essas funções essenciais, a economia passará definitivamente a subordinar-se à finança e a interesses corporativos.
    O estado actual pode ser reduzido, mas não é com o método que está a ser aplicado e que serve um objectivo. Pode um “liberal” aceitar esta opacidade governativa?
    Ana

  21. PedroS

    “De certo modo os próprios “liberais”, ao proporem esvaziar o estado das suas funções básicas (saúde, educação, justiça, supervisão bancária, regras de concorrência e de transparência, segurança), não ajudam a clarificar o papel político, ou cultural, de um “liberal” hoje. Não se podem admirar, pois, de ser confundidos com os promotores de um “capitalismo sem regras”.”

    Ana, os liberais não propõem esvaziar o Estado das funções básicas já mencionadas pelo Adam Smith: soberania, segurança e justiça. Aliás, o mercado livre só é possível num ambiente social com regras de comportamento aceites por todos e com formas isentas de dirimir conflitos. Confundir Liberalismo com a “lei do mais forte” e com a ausência de regras vai ao arrepio da tradição filosófica liberal, e é uma táctica política que só funciona em sociedades (como a nossa) habituadas a um estado autoritário/paternalista e onde a confiança no outro não ultrapassa o perímetro familiar/tribal.

    Quanto a mim, parece-me que o Liberalismo é acusado de propôr o fim do Estado porque as correntes políticas estatistas não vêm distinção relevante entre as funções inalienáveis do estado (i.e., aquelas que exigem o o uso da força ou coerção, do qual o estado tem o monopólio legal) com as outras funções que podem ser realizadas em mercado livre. Esquecem-se que em todo o mundo as sociedades se organizaram primordialmente para a defesa colectiva de pessoas e bens, e não para tratar das reformas, subsídios de doença, ensino ou saúde. É por isso possível advogar que estas actividades estejam fora da esfera do Estado sem implicar o fim deste.

  22. Aladin

    “pois é vulgarmente confundido com “neoliberal”, popularizado por filmes como “Wall Street”, que revela o comportamento predador de alguns especuladores”

    Ana , importa-se de explicitar o que entende por “neoliberalismo”? E, já agora, qual o autor que mais contribuiu para essa teoria. É que, suspeito, está a usar o termo como quem usa o conceito “Satanás”, ou seja, um espantalho que pinta com o odioso para lhe atirar tomates.

    E, se entende por neoliberalismo, as regras do chamado “Consenso de Washington, diga-me então de qual delas discorda e porquê.

  23. Aladin

    Isto porque eu, na minha ignorância, não conheço ninguém que se reclame de neoliberal pelo que suspeito que se trate de um adjectivo pejorativo que os socialistas atiram aos liberais.

  24. José Augusto

    Bom, o nosso amigo Miguel insiste em chamar-me ignorante e diz que estou de má fé.

    Ou seja, não critica os argumentos (não saberia como fazê-lo) mas antes prefere fazer ataques pessoais. Vê-se que não está habituado ao contraditório, por isso se enerva tanto.

    Não sabemos com quem dialogamos – do outro lado pode estar simplesmente uma pessoa com problemas, por isso tenho sempre alguma cautela, nunca ataco as pessoas, ataco os argumentos.

    Talvez o que escreverei seguidamente seja desnecessário visto que os argumentos anteriormente apresentados para desacreditar o que afirmei são vazios ou ofensivos, dependendo do comentador.

    Mas vejamos por que razão este governo é claramente ultraliberal…

    A carga de impostos é brutal, logo o governo não pode ser liberal. Certo? Errado. Os impostos não se destinam ao reforço do papel social, ou outro, do Estado, antes refletem uma política cega de proteção de certos interesses económicos (privados) instalados. Exemplo: o Estado português já injetou 4,6 mil milhões de euros no BPN.e parece que o buraco já vai nos 5,3 mil milhões. E temos o buracão das PPPs. Entre outros. É para tapar estes buracos originados pela péssima gestão privada que vai o dinheiro dos nossos impostos. Não é por aqui que se verifica qualquer intenção de reforçar o papel do Estado, pelo contrário.

    O governo, adepto feroz do ultraliberalismo, quer privatizar tudo o que mexe, e já vendeu empresas de valor estratégico acrescido com a REN. O negócio BPN (a meias com a ruinosa gestão do PS) foi um exemplo acabado de incompetência (para não tecer considerações mais complexas). Após o gasto de muitos milhares de euros, vendeu-se o banco por um valor simbólico. Vender-vender-vender. Rapidamente e em força. Até a CGD está a ser alvo de cogitações. Enfim, um desastre para o Estado, isto é, para todos nós.

    A CGD tem uma missão importante nosso sistema financeiro – no seguimento do 25 de Abril o seu papel foi fundamental e poderá voltar a sê-lo (o Prof. Jacinto Nunes, cujas opiniões coincidem basicamente com as minhas neste aspeto, pode confirmá-lo). A privatização total da CGD, pretendida por alguns, é típica de um modelo ultraliberal que não acredito que possa funcionar no nosso país sem transportar consigo a miséria generalizada, uma sul-americanização que dispensamos.

    O Governo segue toda a cartilha ultraliberal: para salvar um banco, destrói o nosso sistema nacional de saúde (um dos melhores do mundo), arrasa serviços públicos essenciais, degrada a saúde pública, fomentando um sistema em que se se é pobre e não se tem dinheiro para um seguro de saúde, pode-se morrer sem assistência. O ensino público é para deixar cair definitivamente, a sua qualidade é cada vez pior. O Estado está falido? Sim. Mas os serviços públicos essenciais não estariam no estado calamitoso em que se encontram se os interesses privados que têm mandado no Estado não têm feito opções completamente erradas, fiéis às ideologias que professam e aos interesses que protegem.

    Termino citando o Prof. Vítor Soromenho Marques (com a devida vénia e um abraço): «Recentemente, Luigi Zingales, professor na Universidade de Chicago, onde se celebrizou um dos profetas do ultraliberalismo económico, Milton Friedman, assinalava a miséria ética de grande parte dos cursos de Economia e Gestão. O título do seu artigo fala por si: “Será que as Escolas de Negócios são incubadoras de Criminosos?” Na verdade, nos últimos 30 anos, muitos círculos académicos têm-se concentrado na primeira parte do lema de Friedman – “a primeira e única responsabilidade da empresa é aumentar os seus lucros” -, esquecendo-se do resto da frase – “na medida em que se respeitem as regras do jogo, de uma competição aberta, livre, sem engano nem fraude”».

    É disto que se esquecem os ultraliberais, como o Sr. funcionário Borges e é disto que se esquecem alguns professores atuais da área da economia.

  25. Aladin

    Ou seja, José Augusto, chama “ultraliberal” a um sistema corporativo em que um Estado imenso favorece certos interesses privados, Tal como fazia Salazar e depois foi continuado de forma exponencial pela maré socialista, sob uma Constituição socialista, nos anos que se seguiram. O que é espantoso é que o JA diga isto sem se rir.
    Acusar de liberal ( e ultra, ainda por cima), a politica seguida por um país onde o partido mais à direita se reclama do Centro e “social”, é obra.
    A novilíngua no seu melhor: preto é branco, guerra é paz.

  26. José Augusto

    Caro Aladin,

    Não percebeu bem, caro amigo.

    Não observei nenhuma fúria privatizadora no Prof. Salazar. Comparar alhos com bugalhos não vale.

    O favorecimento de certos grupos grupos económicos tem um caráter transitório que é complementada pela paulatina (ou não tanto…) destruição do Estado.

    «o partido mais à direita se reclama do Centro e “social”». Essa é outra frase inadequada. A seguir ao 25 de Abril ninguém se assumia de direita. O CDS é obviamente um partido que navega em águas que nada têm que ver com o “centro” (que será isso?) e muito menos é “social”.

  27. José Augusto,

    Não se coloca sequer a possibilidade de contrapor os seus argumentos porque eles fazem uso de definições erradas de conceitos. Logo, são inválidos à partida. Tem todo o direito de criticar o governo. Aqui n’O Insurgente também o fazemos. Mas dar-lhe o adjectivo ultraliberal é incorrer no erro que como disse acima só pode ser entendido como ignorância ou má-fé.

    É claro pela sua argumentação que tem o mesmo desdém pelas ideias liberais que tem pela acção do governo. Isso não justifica confundir as duas coisas. Continua a ser ignorância e/ou má-fé.

    Já agora, o tom do seu último comentário mostra outra coisa para além da ignorância e/ou desonestidade intelectual… Mas não descerei ao seu nível.

  28. José Augusto

    Caro Miguel,

    Escreve: “não descerei aos seu nível”.

    Eu e um amigo meu, que leu os meus e os seus comentários, rimo-nos imenso. Era impossível evitá-lo.

    Perante alguém que tem uma opinião diferente da sua, em lugar de esgrimir argumentos, chama-me de ignorante e diz que estou de “má fé”. E agora acusa-me de “desonestidade intelectual”.

    Ou seja, ofende-me e agora, qual virgem ofendida, vem dizer que… não desce ao meu nível??? Meu pobre amigo, não escreva mais disparates, que nós acabámos de jantar e a risota excessiva pode ser prejudicial à nossa saúde.

    E diz que nada contrapõe aos meus argumentos porque eles estão “errados à partida”. Mas não sabe explicar porquê.

    Talvez o meu amigo não saiba mas esse é o chamado “argumentum ad lapidem”, ou seja, ataca uma afirmação como absurda, mas nenhum elemento aduz para comprovar essa ideia.

    E já incorreu também na falácia do ataque ao argumentador: Em vez de provar a falsidade do enunciado, V. Ex.ª ataca a pessoa que fez o enunciado. Na verdade, não ataca os meus argumentos, ataca-me pessoalmente. Não tem sentido.

    Muito fraca essa retórica, meu caro. Muito fraca mesmo, lamento dizê-lo.

  29. Spongebob

    Não insistam mais com o José Augusto!!! Ele é o dono e senhor da Razão! Afinal foi ele quem deu origem à ideologia liberal/ultraliberal; só assim a pode conhecer tão bem

  30. Luís Barata

    Facilitava bastante se distinguissem entre liberalismo e capitalismo. Quando se apelida de neos ou ultras os liberais creio que o que se queria dizer era, segundo os argumentos acima aduzidos, corporativismo. O corporativismo – se podemos empregar esta expressão que creio não ajudar muito – é apenas uma consequência do capitalismo, isto é, a fase em que as grandes empresas já se apoderaram do Estado. Creio bem que imediatamente após o corporativismo surge inevitavelmente o socialismo, que agrada muito às grandes empresas que tomaram conta do Estado.
    O liberalismo difere do capitalismo sobretudo pelo valor primordial que atribui à propriedade, que o pensamento liberal tanto Inglês como austríaco desatendeu, pois não basta defender apenas a propriedade privada; a propriedade tem muito mais que se lhe diga do que apenas a privatização. Toda a força actual, por esse mundo fora, da esquerda, reside precisamente na confusão que os liberais fazem entre liberalismo e capitalismo. Peço desculpa por não apresentar os conceitos que esta distinção encerra mas acontece que já o fiz anteriormente, com todo o detalhe.
    Das vezes que neste blog expus detalhadamente a essencial distinção, na primeira um tal de AAA entrou numa logorreia cheia de desonestidade intelectual depois de eu lhe demonstrar que Von Mises desprezava – apesar de defender a propriedade privada – a propriedade. O André A. Alves, mais prudente e inteligente, manteve-se sempre em silêncio e não sei se alguma vez prestou atenção ou se reflectiu sobre o que escrevi. Outros, que agora não me recordo do nome, sempre acharam que eu falava de corporativismo ou de socialismo encapotado. Devo dizer que, embora não desculpando tudo, a propriedade é o que há de mais dificil em economia. Quase todos os seu conceitos se encontram na filosofia do direito e os economistas não puderam ou não quiseram atender-lhe. Prova disso é o facto de quase toda a ciência económica se dedicar quase exclusivamente ao pensamento do mercado e do dinheiro, mas não ao pensamento da propriedade. Ora acontece que a propriedade é a chave que, em economia, mantém e sustenta o conflito entre capitalistas e socialistas. Ambos detêm uma parte da verdade e é por isso que ambos existem e se mantêm vivos, pois se não tivessem conteúdo rapidamente desapareceriam, como parece ser o caso de todo aquele socialismo que não tem relação com a propriedade. Veja-se o divertido que é ver os socialistas a serem contra o aumento de impostos…

  31. Joaquim Amado Lopes

    “o Estado português já injetou 4,6 mil milhões de euros no BPN.e parece que o buraco já vai nos 5,3 mil milhões”
    Eu pensava que este seria um exemplo de não-liberalismo. Que, com um Governo liberal, uma empresa inviável faliria e os respectivos accionistas teriam que assumir as suas responsabilidades.
    Pelos vistos estava errado.

  32. lucklucky

    “Os impostos não se destinam ao reforço do papel social, ou outro, do Estado, antes refletem uma política cega de proteção de certos interesses económicos (privados) instalados. Exemplo: o Estado português já injetou 4,6 mil milhões de euros no BPN.e parece que o buraco já vai nos 5,3 mil milhões. E temos o buracão das PPPs. Entre outros. É para tapar estes buracos originados pela péssima gestão privada que vai o dinheiro dos nossos impostos.”

    -Tudo errado. Aquilo que chama eufemisticamente papel social são interesses privados também. Todos.
    São tão privados como o BPN, você só dá mais peso a uns do que a outros. É Sociallismo na mesma. No Liberalismo as empresas incompetentes vão à falência.

    Curioso que fale da CGD em mais uma demonstração da sua ignorância, a CGD tapa buracos com aumentos de capital que são os nossos impostos, você nem parece saber que a CGD é outro BPN, mas como é estatista aí já não lhe importa, julga que vai para os seus.

    “É para tapar estes buracos originados pela péssima gestão privada que vai o dinheiro dos nossos impostos.”

    – continua a insistir na mentira. O Dinheiro dos nosso impostos vai o “papel social” na sua grande maioria. Não é o BPN que nos coloca em défice . O défice é superior a mais de 10 mil milhões de euros ano desde há vários anos – no fim do Governo Sócrates aproximou-se de 20 mil milhões- e segundo você o BPN são 5 mil milhões num único ano.
    As PPP’s hoje ainda contam menos, ainda não chegámos lá.

    Já o aconselhei a consultar o orçamento, também pode consultar o igcp para ver o valor da dívida e comparar valores. Mas como o discurso é desonesto …

    —————–
    “a fase em que as grandes empresas já se apoderaram do Estado.”

    Isso é consequência do sociallismo que coloca o poder do Estado no Pedestal.
    Poder do Estado total para, endividar sem limite, colectar impostos ilimitados e fazer leis.
    É o socialllismo que diz que o Estado deve ser todo poderoso com a desculpa que precisa desse Poder Total para “reforçar o papel social”.
    Uma boa parte dos capitalistas quando atinge o sucesso tornam-se sociallistas. Um caso paradigmático em Portugal é Balsemão queria liberdade para fazer uma TV, agora faz lobby para cortar a liberdade aos outros. Olhe-se para os Sindicatos têm muito mais poder que os Desempregados. Porque podem influenciar o Estado e o Estado tem poder para fazer leis que beneficiem os Sindicatos. A razão deste estado de coisas é o excessivo poder do Estado que faz com que todos o desejem capturar.

  33. José Augusto

    Caro Joaquim Amado Lopes,

    Não leu bem o que escrevi. Mas mesmo que o fizesse, continuaria a insistir batendo na mesma tecla. Quando temos o espírito formatado de certa forma, fingimos que não vemos.

    Independentemente daquilo que escreveu não ter nada a ver com aquilo que redigi, não esqueça uma coisa: qualquer sistema, em teoria, parece muito bom. O liberalismo parece uma boa ideia, mas não nenhum Estado liberal consegue evitar intervir fortemente na economia quando se trata de salvar interesses privados relevantes – a crise da banca, gerada pela ganância e pela estupidez da gestão privada, é um exemplo.

    O liberalismo funciona muito bem – no papel. Nos modelos económicos criados por alguns professores nas universidades funciona bem. Na prática, é um desastre e conduz à miséria e à revolta. Não pretendo convencer ninguém, porque mesmo que achem que eu tenho razão ninguém o irá reconhecer por razões de orgulho pessal. Mas neste blog há – é esta a minha opinião, que espero ver respeitada – pessoas honestas, mas profundamente erradas. Lamento.

    Cps.

  34. José Augusto

    Caro lucklucky,

    O seu “nick” faz-me lembrar o Lucky Luke, famoso por ser mais rápido que a própria sombra. V. Ex.ª, perdoe-me a brincadeira, viaja ainda mais rápido que o mais célere dos disparates.

    Não se faça de desentendido. Um Estado eficiente (não liberal) protege da forma mais equilibrada possível os cidadãos que dele fazem parte. Mas um Estado liberal também intervém na economia quando deseja proteger certos interesses económicos instalados (meu caro, o liberalismo como o comunismo parecem funcionar muito bem no papel. São os tais “modelos académicos” do inenarrável e “caracolesco” Gaspar).

    Quanto ao resto, tresleu o que escrevi sobre o impacto económico e financeiro da questão do BPN. É preciso saber interpretar, caso contrário, o pessoal aqui do blog parece fazer uma figura muito triste.

    Apenas num liberalismo utópico (que ninguém aceita) o Estado não intervém na economia. Portanto, mesmo para os fundamentalistas do liberalismo (caso do atual governo) o Estado não fica reduzido a zero, fica reduzido a um mínimo que é utilizado, não para resolver problemas do comum cidadão, mas para proteger certos interesses económicos privados.

    O liberalismo económico pura e simplesmente não funciona. Ou pelo menos não funciona do meu ponto de vista, se me disser que certos grupos são protegidos e que isso é bom, tenho que encolher os ombros).

    Qual o regime que funciona melhor: a Suécia, com um regime (económico) socialista, respeitado por todos os partidos, com fortíssima intervenção estatal, ou os EUA (com 100 milhões de pobres)?

    Acordem, caros amigos! E venham de lá esses votos negativos, é sinal que a mensagem fez o efeito pretendido.

    Um abraço para todos, mesmo para quem não consegue controlar os nervos. Cuidado com a tensão arterial, companheiros.

  35. Eu, que não sou liberal nem social-democrata, acho que as pessoas (nomeadamente neste post) que dizem que este governo é liberal estão a cair no raciocínio “isto é um cão? Não. Então é um gato.”

    Isto é, como não é um governo socialista/social-democrata clássico (defensor do alargamento dos “direitos sociais” e afins), então concluem que tem que ser “liberal”

  36. José Augusto

    Caro miguelmadeira,

    Há por aí uma visão redutora do que é um governo socialista (falei em “socialista”, não no PS, que pertence ao bloco liberal PS/PSD, digam o que disserem os seus líderes, a luta é pelo poder, não se baseia numa ideologia diferente).

    Mas vamos ao que importa:

    O Governo é ultraliberal porque destrói progressivamente serviços públicos, como a educação e a saúde. Em contrapartida protege certos grupos económicos (sim, isto é liberalismo, quando o chamado “Estado mínimo” intervém visa, em primeiro lugar, proteger certos grupos económicos ou certas individualidades próximas do poder).

    O Governo é ultraliberal porque está a reduzir até ao limite do insuportável os níveis de proteção social, gerando miséria, fome e revolta. Será que a lição do século XIX estará já esquecida?

    O Governo é ultraliberal porque está a privatizar tudo o que mexe, muitas através de processos opacos e/ou conduzidos de forma absolutamente incompetente (sim, a palavra “Borges” surgiu-me na mente). Estamos a assistir ao desastre: menos Estado, pior Estado. Há muitas obras que posso aconselhar, mas saliento uma de Naomi Klein intitulado “A doutrina do choque – a ascensão do capitalismo de desastre”.

    Alan Greenspan foi presidente da Reserva Federal Americana, como é sabido. Quando depôs, em 2008, perante uma comissão do Senado americano reconheceu que a sua visão liberal do mundo estava profundamente errada. Afirmou que durante 40 anos acreditou numa filosofia (liberal) que não funciona na prática.

    Este “mea culpa” merece respeito. Todos nós podemos fazer o mesmo. Custa um bocado, mas às vezes é preciso.

    Cps.

  37. “ultra-liberal” está as políticas aplicadas hoje, para os esquerdistas, assim como “socialismo” está para as políticas aplicadas hoje, para free-market-libertarians.

  38. É interessante, notei que este post está em “file under socialismo”. Ora, se o governo não está a lutar para a socialização dos meios de produção, onde é que está o socialismo? E depois o autor fica chocado por se falar em ultra-liberalismo…

    À parte disto, é necessário reconhecer que estamos numa época de transição, de permanente emergência económica. E que certas medidas que são tomadas agora estão a ser testadas no balão de ensaio (PIIGS) com menos intensidade que no Chile dos anos 1970, que pode ir longe porque intervieram militarmente. Os objectivos do Gasparzinho e do Coelhinho são o rumo ao estado mínimo, evidentemente não “ultra-liberal” mas liberal qb. É provável que venhamos a ter um governo tipo Monti (até o Mário Soares defende a coisa) para ser o nosso Pinochet e colocar as coisas nos seus eixos “ultra-liberais” ou o mais próximo que conseguirem.

  39. O Governo é ultraliberal porque destrói progressivamente serviços públicos, como a educação e a saúde. Em contrapartida protege certos grupos económicos

    “A→B” não implica “B→A”

    O facto de os liberais serem contra os serviços públicos não significa que alguém que é contra os serviços públicos seja um liberal.

    “(sim, isto é liberalismo, quando o chamado “Estado mínimo” intervém visa, em primeiro lugar, proteger certos grupos económicos ou certas individualidades próximas do poder).”

    Creio que o “estado mínimo” dos liberais é polícia+justica+defesa; eu efectivamente concordo que a policia, a justiça e o exército são, em ultima instância, um instrumento da defesa das classes dominantes, mas daí não se pode deduzir que qualquer politica de defesa dos interesses das classes dominantes seja “estado mínimo” (só as politicas no ambito polícia+justica+defesa)

  40. lucklucky

    As velhas tácticas comunistas de “diálogo” José Augusto?

    -ulga que consegue passar sem responder ao que escrevi?
    Estou à espera das suas respostas às falsidades de que o acusei: CGD, BPN,PPP ao valor da Dívida, do Défice e de onde ele vem.
    Ainda continua a pensar que a razão do nosso mal é o BPN?

    “Alan Greenspan foi presidente da Reserva Federal Americana, como é sabido. Quando depôs, em 2008, perante uma comissão do Senado americano reconheceu que a sua visão liberal do mundo estava profundamente errada. Afirmou que durante 40 anos acreditou numa filosofia (liberal) que não funciona na prática.”

    -Hilariante! que dizer de alguém que critica o Alan Greespan, que entre outros, fez o que o José Augusto quer? você hoje chora pelo crédito que o Greenspan tornou possível e depois critica o Greenspan!! É obra.

    “…saliento uma de Naomi Klein…”
    -heheh está explicado a sua incapacidade de destinguir coisas diferentes e perceber as que são iguais.

    “Ora, se o governo não está a lutar para a socia lização dos meios de produção, onde é que está o socia lismo”

    ossoss, ou está esquecido ou não sabe que o social ismo não quer o controlo dos meios de produção, isso é o comunismo e marxismo-leninismo. O socia lismo é anterior ao comunismo.
    O social ismo no século XIX até estava contra o funcionalismo publico (na altura o Estado era da Direita e os maiores gastos eram na defesa) e contra a dívida.
    Hoje o social ismo mudou e vê-se si como parte de uma gigantesca fundação ou uma ONG: o Estado que distribui alegria. A única parte do Estado que preservam são os instrumentos e polícia para aumentar a colecta de impostos.

    Leia por exemplo este texto http://www.gutenberg.org/ebooks/24701
    A dissolução do regimen capitalista por Teixeira Bastos de 1897 da BIBLIOTHECA
    POPULAR DE ORIENTAÇÃO SOCIA LISTA

    Vê que o autor critica a défice e a dívida e critica como o Estado ao endividar-se rouba crédito à agricultura e industria.

  41. O socialismo implica a socialização dos meios de produção, e é o patamar anterior à transição para o comunismo. Essa transição seria possível quando fosse possível distribuir “a cada um segundo as suas necessidades”. Agora, é evidente que os conceitos mudam com o tempo, mas eu sou um tipo muito conservador 🙂

  42. Lucas

    O autor poderia aproveitar a sua fúria clarificadora para clarificar que o governo por aumentar os impostos não quer dizer que seja socialista, como é corrente dizer-se por aqui. Aproveitando a deixa do Miguel Madeira, O facto de alguém ser contra os serviços públicos não significa que seja liberal e o facto de um governo aumentar os impostos não significa ser socialista.

    PS: Este autor não é aquele que passa a vida a dizer que socialismo é fascismo, que tudo o que mexe à sua esquerda quer é um regime à la coreia do norte? Parece-me que sim. Trata-se, afinal de contas, de um mero ULTRA-LIBERAL.

  43. ” mas daí não se pode deduzir que qualquer politica de defesa dos interesses das classes dominantes seja “estado mínimo” (só as politicas no ambito polícia+justica+defesa)”

    Miguel Madeira, a prova disso é que a socialização do prejuízo do BPN favorece a classe dominante (não só a burguesia, pois os sacos azuis dos partidos do centrão e certos indivíduos cavaquistas tb estão envolvidos) não implica “estado mínimo” e é um acto profundamente iliberal. Cabe aos liberais denunciar este tipo de coisas, que eu nunca vi o PSD denunciar abertamente. É um desvio ideológico. Cabe aos corajosos liberais liderarem um processo de denúncia dos desvios ideológicos do PREC do século XXI!

  44. lucklucky

    “aumentar os impostos não quer dizer que seja socia lista”

    Falso. O tamanho e poder do Estado é essencial ao Socia lismo.
    O Social ismo acredita que a sociedade deve ser guiada pelo Estado – obviamente nas mãos dos social istas e da nomenklatura que foi nomeada.
    Depois há as variantes dentro do Social ismo. Entra as quais as não democráticas como o Fascismo.

    Obviamente no limite do grau de impostos você pode passar a chamar o regime de esclavagista e quando entramos no controlo dos meios de produção para usarmos terminologia marxista leninista entramos no comunismo.

  45. lucklucky

    ossosss Onde é que o PSD é liberal? Não notou que tem um S no nome? Não notou que sempre que esteve no Governo aumentou os impostos o que implica aumentou o Estado tirando poder à economia livre para dar à economia política?

  46. Lucas: “aumentar os impostos não quer dizer que seja socia lista”

    lucklucky . “Falso. O tamanho e poder do Estado é essencial ao Socia lismo.”

    Mesmo que o lucklucky tenha razão e o socialismo implique forçosamente mais impostos, não me parece que isso refute o argumento do Lucas. O argumento lucklucky é basicamente que “socialismo implica impostos altos”, mas mesmo que isso seja verdade não podemos saltar daí para “impostos altos implicam socialismo” (como escrevi lá atrás «“A→B” não implica “B→A”»

  47. lucklucky

    Tem razão mas isso só aconteceria caso quem colectou o dinheiro ficasse com ele todo ou boa parte para si. Mesmo os casos enormes de aproveitamento pessoal como por exemplo em África não se baseiam em impostos literalmente.
    Resalva, como as riquezas naturais são propriedade do povo pode-se dizer que são impostos 100% sobre rendimentos que revertem directamente para o Líder* sem chegarem ao povo.
    Mas nesse caso podemos falar do mesmo que se passa em Portugal com as concessões de frequências telem, TV, exploração mineira e de petróleo. São impostos que revertem directamente e totalmente para o Estado uma vez que são nossa propriedade e não dos políticos.

    Podemos ainda dizer que o facto de os funcionários publicos terem muito mais benefícios que privado é anti social ismo embora a esquerda toda o defenda com unhas e dentes.

    * líder é a terminologia que os jornalistas de esquerda gostam muito de dar aos ditadores da sua tendência…

  48. Pingback: A Coreia do Norte é Ultraliberal? « O Insurgente

  49. Joaquim Amado Lopes

    Ricardo Campelo de Magalhães (32),
    Pelos vistos, a ironia do meu comentário (dirigida naturalmente ao José Augusto, que citei) foi demasiado subtil.
    Mas surpreende-me que tenha sido precisamente o Ricardo a não a “ver”.

    .
    Caro José Augusto (34),
    “Não leu bem o que escrevi.”
    O que escreveu é bem claro. Apresenta o caso do BPN como um exemplo de que o Governo é liberal:
    “A carga de impostos é brutal, logo o governo não pode ser liberal. Certo? Errado. Os impostos não se destinam ao reforço do papel social, ou outro, do Estado, antes refletem uma política cega de proteção de certos interesses económicos (privados) instalados. Exemplo: o Estado português já injetou 4,6 mil milhões de euros no BPN.e parece que o buraco já vai nos 5,3 mil milhões.”

    Ora há aqui dois erros monumentais. Não apenas a nacionalização do BPN (que levou à “injecção” de milhares de milhões de euros) é a própria negação do liberalismo como quem o fez foi o Governo anterior. O Governo actual privatizou-o.

    “Quando temos o espírito formatado de certa forma, fingimos que não vemos.”
    Não acredito que o José Augusto esteja a fingir mas sim que não tem a mínima ideia do que o termo “liberal” significa nem tem a mínima noção do que se passa à sua volta. Daí a convicção dos seus comentários.

    “O liberalismo funciona muito bem – no papel.”
    O socialismo, por outro lado, nem no papel funciona e na prática é um desastre e conduz à miséria e à revolta.

    “Não pretendo convencer ninguém, porque mesmo que achem que eu tenho razão ninguém o irá reconhecer por razões de orgulho pessoal.”
    Ainda bem que não pretende convencer ninguém porque os únicos que poderia convencer são os que substituiram o sentido da realidade pela cartilha ideológica populista e ignorante e, portanto, já estão convencidos.

    Quanto à parte de os outros não lhe darem razão por “orgulho pessoal” é de uma arrogância tamanha (completamente despropositada, considerando os disparates que tem escrito) que nem merece mais comentários.

  50. Miguel P

    Algumas pessoas não conseguem aceitar a verdade, é mais fácil acusar, deturpar, apontar o dedo e fechar os olhos..,mas no fim: lá está ela. A verdade é que fomos levados à falência, pela necessidade constante que, os numerosos governos, tiveram de “interferir”, “direcionar”, “planificar” e “corrigir” a economia para a potencializar…. Resultado? Falência de um país e por um tanto número de portugueses a pão e água… Com um Estado assim, quem é que precisa de Estado?

  51. Luís Barata

    Lucklucky,

    A maior parte das vezes, senão sempre, é ao contrário: o capitalismo prepara e antecede o socialismo. Veja-se o caso Dos EUA. Sempre rejeitaram o socialismo, mas acabaram por praticá-lo. E antes do socialismo, as grandes empresas norte americanas tomaram conta do Estado. O socialismo veio depois. Os EUA continuam a não ser ideologicamente um país socialista. A história da Europa também é disso um bom exemplo: primeiro apareceu o capitalismo e só depois o socialismo. Antes do capitalismo a Europa lançou-se na revolução industrial. Antes da revolução industrial criou-se a ciência moderna que lhe deu origem. E o que deu origem à ciência moderna foi uma determinada concepção de Liberdade. No caso que nos interessa, a liberdade como princípio entendeu a propriedade como a disposição absoluta do que nos pertence. A propriedade teve ao longo da história diferentes concepções. Mas a da «disposição absoluta» foi a pedra de toque que retirou qualquer limite à acção humana. As plásticas, as mudanças de sexo, a Nestlé ou a Monsanto são tudo consequências da mesma concepção de liberdade e por consequência de propriedade: A DISPOSIÇÃO ABSOLUTA DO QUE NOS PERTENCE. O capitalismo é a disposição absoluta. O liberalismo é a disposição do que nos pertence, mas não de modo absoluto. Quando a Igreja católica é contra o aborto, está precisamente a rejeitar a concepção moderna de propriedade como disposição absoluta. No mundo natural, a disposição absoluta criou o capitalismo…

  52. lucklucky

    Já estamos nas definições do que é que as palavras querem significar. Não tenho problema em a discussão ir por aí embora me parece um pouco estéril porque ninguém tem precisamente a mesma ideia.
    Começando ao longo do texto tenho de discordar disto: “as grandes empresas norte americanas tomaram conta do Estado. ”
    Ora tal não é verdade, tirando a defesa que é área onde o orçamento é o mais variável e flexível que existe o que implica que o poder não é suficiente sequer para o tornar permanente não há captura do estado como fazem as áreas da saúde, educação e pensões e segurança interna.
    Também há aí empresas mas é mais as pessoas e o sistema político de compra de votos.
    E não me parece que na altura em que a defesa era proporcionalmente mais importante isso tenha sido factor que contribuísse para a expansão das outras áreas.

    Os EUA têm uma Constituição um pouco mais forte em proteger liberdade política do que as Europeias.Mas é também uma Constituição de uma só perna sem proteger liberdade económica. Por exemplo não há limites económicos ao que os Governos podem fazer. Roosevelt pode confiscar o ouro dos cidadãos. Isto foi puro fascismo.
    É esta Constituição falhada que permite a compra de votos, via endividamento sem limites e a transferência de rendimento sem limites. Tal como a maioria da europeias. Ora com estes incentivos o destino é só a partir de um dado grau de riqueza se não houver uma forte cultura por detrás que vá contra.
    Capitalismo que cria riqueza dá lugar ao Social ismo. Estou de acordo com os sintomas mas não para a razão deles.

  53. Paulo Pereira

    Não é por acaso que os regimes economicos de quase todos os países democraticos do mundo são bastante parecidos e grosso modo são social-democracias.

    Não é por acaso que nem o comunismo nem o ultra-liberalismo vingaram.

    Ambos são sistemas económicos ineficazes / ineficientes.

    O sistema social-democrata é o mais eficaz porque alia o capitalismo ao estado social, permitindo manter um crescimento económico continuado durante décadas.

  54. PedroS

    “permitindo manter um crescimento económico continuado durante décadas.”

    Se isso é assim, porque é que Portugal não cresce há 15 anos? Porque é que o Japão não cresce há mais de 20 anos? Qual a causa da estagflação dos anops 70? Porque é que a Suécia teve de fazer reformas profundas no início dos anos 90? Porque é que Singapura cresce ininterruptamente sem um sistema social-democrata?

  55. Paulo Pereira

    Pedro S,

    a) o caso geral do conjunto das economias democraticas sociais-democratas é de crescimento continuado durante muitas décadas

    b) Portugal é um caso grave de incompetência ao aderir a uma moeda forte mantendo impostos altos sobre as empresas e promovendo o desperdicio na despesa pública em todos os departamentos do estado.

    c) O Japão cresce há mais de 15 anos cerca de 0,7% ao ano, mantendo uma taxa de desemprego nos 5%, um feito notável, para um país sem materais primas e com uma enorme densidade populacional.

    d) Nos anos 70 o preço do petroleo quadriplicou em poucos anos.

    e) A Suécia criou a partir de meados dos anos 70 um estatismo que teve de ser desfeito, voltando a ser uma social-democracia normal a partir dos anos 90.

    f) Singapura é uma ditadura e tem bastantes componentes de uma social-democracia , como é o estado social e as politicas industriais.

  56. CN

    Já que o Carlos Novais foi aqui evocado muito directamente (sem problema Ricado!) talvez pedisse a oportunidade de publicação de comentário de resposta (com tempo, sujeito a eventual moderação, como óbvio).

  57. Luís Barata

    Lucklucky,

    Creio que o meu texto tinha bastante mais assunto de conversa, mas pronto.
    A história do século XX dos EUA está cheia de exemplos de empresas que de uma maneira ou de outra captaram o Estado Norte Americano. Encontra, por exemplo, facilmente na internet com toda a minúcia e detalhe o caso da Monsanto. Mas há muitos outros, denunciados por liberais ou, em rigor, capitalistas.
    Mas nem é preciso ser tão concreto. Creio que não viu bem o alcance das minhas palavras. No fundo, a ser verdade o que eu disse, pelo menos todo o Ocidente e mais alguns estão nas mãos das grandes empresas. O que me parece evidente e de fácil observação. Há é umas nuances em que se revesa com o socialismo, como bem viu Hayek, quando disse que em capitalismo os ricos fazem-se poderosos e em socialismo os poderosos fazem-se ricos. É que a ser verdade que a concepção moderna de propriedade está, como eu defendo, errada, ou é pelo menos muito mais superfícial e desprovida de profundidade do que, por exemplo, a concepção dos romanos; e que é esta concepção que dá origem ao capitalismo, então parte do mundo está mesmo nas mãos das grandes empresas. Qual o país europeu que não se encontra captado?
    Já Adam Smith tinha visto o problema mas não lhe viu as causas. Dizia que tirando a banca e os seguros, em todas as grandes empresas se encontrava alguma promiscuidade entre elas e o Estado. A causa não a viu, talvez porque o capitalismo estava ainda nos seus primórdios e dele recebeu até um grande impulso. A medida, que é a relação entre a quantidade e a qualidade, em capitalismo desaparece pois era uma determinada concepção de propriedade que lhe mantinha a medida. Sem ela, a medida desaparece. Este monstro de quantidade, pouco ágil, mecânico e lento, só sobrevive apoiado. E quem melhor que o Estado para o apoiar?
    É evidente que um Estado grande, é ainda mais poderoso e atrai todo o tipo de promiscuidade e corrupção. Mas mais uma vez recorro aos Estados Unidos. Antes do Estado engordar e se tornar apetecível, já o historial das grandes empresas a tentar influenciá-lo era enorme. O mesmo se passou em Inglaterra e na Alemanha.
    A propriedade é a chave e, se vir bem, toda a economia liberal incidiu maioritariamente e de modo esmagador sobre o mercado e o dinheiro. A Acção humana de Von Mises, por exemplo, é quase toda ela dedicada ao mercado e ao dinheiro. Da propriedade só diz que defende a propriedade privada e pouco mais. Ora sobre a propriedade há muito mais para dizer. As concepções dos romanos, por exemplo, envergonham qualquer concepção moderna e põem a nú a nossa superficialidade ao tratar deste assunto.

  58. Pingback: O que é um Ultraliberal? « Ricardo Campelo de Magalhães

  59. lucklucky

    . “No fundo, a ser verdade o que eu disse, pelo menos todo o Ocidente e mais alguns estão nas mãos das grandes empresas. O que me parece evidente e de fácil observação.”

    Discordo totalmente .
    Como se demonstra pelos gastos dos estados e pelas leis.
    Quem beneficia com o sistema socializante é muita gente, de empresas – das “verdes”, às que recebem subsídios, às que têm poder para fazer e ou manter leis para limitar a concorrência, cá temos o excelente exemplo da Impresa-, muitas corporações/sindicatos profissionais – advogados, médicos, professores etc…, ONG, Fundações – todos os “no profit”
    se formos aos EUA temos então toda a industria dos grupos vítimas.

    Por cá os grandes beneficiados são as empresas verdes, a construção civil, todas as empresas que nasceram na esfera do estado ou foram nacionalizadas no pós 25 de Abril, os no profit(ONG’s, Fundações), os diversos sindicatos e corporações, empresas de media que são por isso a mais polítizadas. São estes os mais beneficiados.

    A falta de respeito pela propriedade e a vontade do proprietário é a chave sim e que nos conduz a este estado de coisas – , não há limites ao que o Estado pode obrigar as pessoas a pagar e não há limite ao que o Estado pode impedir as pessoas de fazer. Logo a maioria tenta influenciar o Estado para o seu lado. O Poder do Estado é o problema.

  60. Misek

    Para mim o Liberalismo real actual consiste em usar o conceito de liberdade de forma a dourar a pilula da desigualdade, da exploração e da captura por parte de alguns daquilo que é de todos. É completamente indissociável do cronismo e nenhuma das corporações que por aqui são mencionadas abdica de tentar controlar o estado em proveito próprio. O minarquismo consegue, na minha opinião, ser o pior de todos os sistemas pois, apesar da fé dos liberais, nada garante que as forças de segurança, defesa e justiça não sejam capturadas pelos mesmos interesses que hoje em dia capturam os sectores rentáveis da provisão pública.

    Á semelhança do comunismo, nunca irá existir um exemplo de puro liberalismo que seja mais do que um mero “laboratório” do estilo “ah e tal, uma aldeia de 5000 implementou o liberalismo” (já ouvi este argumento em favor da anarquia). A URSS foi um exemplo do comunismo posto em prática assim como os Estados Unidos são o exemplo do liberalismo posto em prática. Eu sinceramente acho que nos dias de hoje, só por uma questão de fé (boa ou má) se pode achar que o Liberalismo dos livros tem alguma hipótese de ser implementado. O potencial para abuso é ainda maior que no sistema actual.

    Faço um reparo: nunca vi um pobre defender o liberalismo.

  61. Joaquim Amado Lopes

    Misek (62),
    “nunca vi um pobre defender o liberalismo”
    Qual é o seu critério para determinar quem é “pobre”?

  62. Luís Barata

    Lucklucky,

    Essas empresas de que fala são as empresas do momento em que os poderosos se fazem ricos e já a consequência de eu ter afirmado que o capitalismo prepara e antecede o socialismo. Não são as grandes empresas que mandam no Estado? Estas não beneficiam apenas como as outras; estas determinam as finalidades do Estado, têm-no agrilhoado. Antes de o Estado Norte Americano decidir salvar a GM ou a Banca, muito antes, antes mesmo de os EUA Terem um Estado grande, já as grandes empresas tinham o Estado Americano agrilhoado. Quando M. Friedman descreve o crescimento do Estado Americano no Século XX no seu «Liberdade para Escolher» limita-se a descrever a realidade sem nunca vislumbrar as causas. E lembremo-nos que o socialismo era proíbido e combatido nos EUA. Como surge? É o capitalismo que o traz no seu seio. Repare que a actividade fabril que a revolução industrial consigo trouxe instaura e promove actividades mecânicas. A mecânica é do domínio do uniforme e da monótona repetição. Sempre igual. Isto não lhe lembra a igualdade socialista? Não é a revolução industrial que provoca o surgimento do socialismo? Como bem viu A. Smith, uma grande empresa não consegue sobreviver sem o Estado. Ao perder a medida, é de tal modo artificial e desproporcionada que facilmente era destruída pela concorrência. Precisam do Estado e precisam do ensino estatizado. Só o socialismo uniformizado através do ensino publico as alimenta. Sem a multidão embrutecida e socializada também as multinacionais desapareciam. Convem-lhes massas com gostos uniformes e é isso que a estatização do ensino lhes proporciona.
    Parece-me que se está a focar demasiado nas consequências e a deixar passar os meus argumentos mais importantes.

  63. Sid

    Chegamos a 2013 e o que vemos?? Um governo neoliberal.. Privatizações a torto e a direito, crises no governo, familias a passar fome, sem terem o que comer, e uma tentativa de diminuição na qualidade médica e educacional nos estabelecimentos de ensino e de saúde públicos. Espero que quando vejam os vosso comentários ( alguns ) tenham vergonha de só verem números e não pessoas.

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