Parceria DE/Insurgente

“Subsídiodependência” de Nuno Branco

É produtor de teatro e o público não cobre as despesas? O Estado paga. Medicamentos? Subsidiado. Transportes, idem… o que é difícil em Portugal é mesmo encontrar uma atividade em que o Estado não tenha a sua mão pouco invisível.

Perdeu o emprego? Não se preocupe, o Estado tem um subsídio para si. Se é agricultor e a chuva arruinou a sua produção mantenha a calma que terá um subsídio e se em vez da chuva foi o Sol também há subsídio para isso. É produtor de teatro e o público não cobre as despesas? O Estado paga. Medicamentos? Subsidiado. Transportes, idem… o que é difícil em Portugal é mesmo encontrar uma atividade em que o Estado não tenha a sua mão pouco invisível.

Portugal é sem dúvida o país do subsídio. Nada origina maior indignação que o corte de subsídio. Perante a escolha de enfrentar grupos organizados ou de distribuir o dinheiro que é dos contribuintes o estado tem por hábito fazer a escolha mais fácil como vimos recentemente com o caso do cinema e os subsídios à “cultura” onde o Governo se apressou a criar um novo imposto para financiar os protestantes.

É importante que se diga que esta cultura do subsídio está a destruir Portugal. Não só financeiramente, porque origina uma carga fiscal que o País não aguenta, como também ao nível dos valores que orientam uma sociedade. O subsídio destrói a responsabilidade individual e a prazo mina a auto-estima daqueles que é suposto estarem a ser ajudados. A seu tempo criará uma geração de dependentes do Estado e um fardo para o sector produtivo da sociedade que, se nada for feito, conduzirá a um conflito entre uns e outros.

Se hoje um indivíduo recebe 300€ do Estado quando recebe uma proposta de trabalho por 500€ não é este valor que pesa na decisão mas apenas os 200€ de diferença. Se tivermos em conta os custos adicionais (como deslocações) percebe-se o incentivo para recusar a proposta de trabalho. Ou seja não é a falta de vontade de trabalhar que gera a dependência do subsídio mas precisamente o inverso. Se um agricultor pode contar com o Estado para o proteger das intempéries porquê pagar um seguro? Se a medicina ou transportes têm receita garantida pelo Estado perdem a motivação para ser eficientes. Tal como nos outros subsídios não é por estas coisas serem caras que necessitam de subsídio, pelo contrário é a subsidiação que diminui a produtividade e encarece os produtos para todos.

Dirão alguns que sem tais subsídios alguns bens de primeira necessidade deixarão de estar ao alcance de todos. É a política do medo. Quem não conhece outra realidade receia a mudança. Mas não diria o leitor que os sapatos são também um bem de primeira necessidade? E apesar da falta de subsídios quantas pessoas em Portugal andam descalças? A verdade é que na falta de subsídios o mercado é forçado a ser eficiente e a apresentar produtos para todas as carteiras e a solidariedade privada suprime o resto. Sim, solidariedade privada: se leu até aqui ainda fica surpreendido por esta ser muito mais forte onde o Estado tem uma presença reduzida?

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10 pensamentos sobre “Parceria DE/Insurgente

  1. jhb

    “A verdade é que na falta de subsídios o mercado é forçado a ser eficiente e a apresentar produtos para todas as carteiras e a solidariedade privada suprime o resto”

    Se fosse assim nao havia gente a morrer à fome nem de doenças com cura por esse mundo fora. Entre o mercado que fornece produtos para todas as carteiras e a solidariedade privada, onde é
    que encaixa os pobre coitados que nao tem o que comer? Ah já sei. É o Estado social que têm a culpa.

    Já viram os pacemakers que se vendem nas lojas dos chineses para quem nao tem dinheiro para um dos que se utilizam nos hospitais privados? Diz que até pode ser o próprio a colocá-lo.

  2. paam

    Subsídios para ter filhos, por ter filhos, para não ter filhos, para estudar, para comer, para deslocações, para habitação, para trabalhar, por não trabalhar e por último, mas não menos importante, um subsídio por morte.

    A única coisa que falta é um subsídio pagar tudo isto.

  3. dervich

    É empresário e não sabe onde investir sem correr qualquer risco?!

    Não se preocupe, o estado dá-lhe incentivos e isenções fiscais para instalar o empreendimento e depois assina consigo um contrato em que abdica da maior parte dos lucros e assume todos os prejuízos que porventura venham a ocorrer…

  4. Trinta e três

    1º) Por lei, em Portugal ninguém anda descalço (nas sedes dos concelhos e fora de casa, claro) desde os anos 50.
    2º) Há atividades que não têm que dar lucro, mas têm que existir. É para isso (e não para uma série de outras coisas) que se pagam impostos.
    3º) “Solidariedade privada” como resposta única para resolver problemas, faz recordar o “Movimento Nacional Feminino” de triste memória e chama-se “caridade”.

  5. Mariana

    Isto não é um post, é uma verdadeira posta de pescada à liberal tuga. Carrega no play, leviandade q.b. e já está. Uma coisa positiva. Ficamos a saber que para o liberal tuga o Congo é que é. Lá a solidariedade privada é sem dúvida bem mais forte.

  6. Mariana

    Assim de repente, só estou a ver países africanos a cumprir a ausência de envolvimento do estado (subsídios?) em matérias fundamentais como a educação, solidariedade e saúde, por exemplo, que vocês defendem.

  7. Pingback: Segurança Social… o que é isso? « O Insurgente

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