Uma medida para combater o desemprego

Em 2003 o chanceler Gerhard Schroeder (um conhecido “neoliberal”) propôs a criação dos “mini-jobs”. Empregos a tempo parcial cujo salário máximo seria 400 euros, isentos de impostos sobre o rendimento e cujas contribuições para a segurança social seriam voluntários. Foi duramente criticado mas parece que a ideia resultou em pleno. Mas há que ache que é preferível manter as pessoal no desemprego.

31 pensamentos sobre “Uma medida para combater o desemprego

  1. CN

    Acabe-se com o salário mínimo (lei da proibição de aceitar emprego) e o emprego (ainda que algum parcial) pelo menos em zonas fora de Lisboa e Porto melhorará a prazo.

  2. jhb

    “Las personas bajo este régimen laboral tienen derecho a vacaciones pagadas, bajas por maternidad y enfermedad y a los plazos de despido. Sin embargo, la pensión que quedaría para un trabajador dentro de esta categoría, en el caso de cobrar el máximo de 400, ascendería a menos de tres euros por año trabajado.

    Millones de mujeres alemanas (las más afectadas por la precariedad), están condenadas a la pobreza cuando alcancen la edad de jubilación, según publicó el rotativo «Süddeutsche Zeitung». Ahora en su país cuentan con un saludable 6,7% de paro; el milagro alemán. Pero dentro de 45 años, cuando se jubilen, solo tendrán derecho a una pensión básica de 140 euros. Al fin y al cabo, empleos a trozos, por los que se reciben derechos a pedazos.”

    Que perspectivas…

  3. jhb

    “New categories of low-income, government-subsidised jobs – a concept being considered in Spain – have proven especially problematic. Some economists say they have backfired.
    They were created to help those with bad job prospects eventually become reintegrated into the regular labour market, but surveys show that for most people, they lead nowhere.
    Employers have little incentive to create regular full-time jobs if they know they can hire workers on flexible contracts.
    One out of five jobs is a now a “mini-job”, earning workers a maximum 400 euros a month tax-free. For nearly 5 million, this is their main job, requiring steep publicly-funded top-ups.
    “Regular full-time jobs are being split up into mini-jobs,” said Holger Bonin of the Mannheim-based ZEW think tank.
    And there is little to stop employers paying “mini-jobbers” low hourly wages given they know the government will top them up and there is no legal minimum wage.”

    Mais bons resultados da medida…

    http://www.reuters.com/article/2012/02/08/germany-jobs-idUSL5E8D738E20120208

  4. Miguel Noronha

    E isso quer dizer o quê? Que o desemprego continua elevado. E que se se eliminasse esse tipo de medida ainda seria mais elevado.
    A criação de entraves adminsitrativas à fixação de salários não iria aumentar ou melhorar a oferta de emprego.

  5. jhb

    Quer dizer que os mini-jobs nao levam a lado nenhum. Estao a criar uma classe de trabalhadores precários, mal pagos e sem perspectivas. E
    essa classe vai crescer à custa da classe média…

  6. Miguel Noronha

    “Quer dizer que os mini-jobs nao levam a lado nenhum”
    Levam à redução do desemprego. Comprovadamente

    “Estao a criar uma classe de trabalhadores precários, mal pagos e sem perspectivas”
    O que chama “perspectivas” depende do desempenho das empresas. Não é uma realidade que possa ser artificialmente criada a partir da AR ou dos ministérios. Ao fixar condições acima daquilo que as empresas podem ou querem oferecer só estamos a aumentar o desemprego. Mais uma vez, comprovadamente.

  7. Paulo Pereira

    O nivel de desemprego depende da procura interna e da balança comercial.

    A alemanha tem um enorme excedente comercial, por isso não faz sentido continuar a pressionar os salários e/ou os impostos, prejudicando os seus cidadãos.

    O caso português é muito mais incapacidade das empresas serem competitivas em bens transacionáveis , incluindo no sector primário.

    São necessárias medidas de ajuda à competitividade das empresas nos sectores transacionáveis, especialmente a descida do preço do crédito e a baixa do IRC em 50% .

  8. jhb

    “Regular full-time jobs are being split up into mini-jobs” é o desempenho que se pode esperar das empresas, comprovadamente.

    “Não é uma realidade que possa ser artificialmente criada a partir da AR ou dos ministérios.”

    Verdade, mas nao é preciso puxar muito pela cabeça para prever como vai ser a politica das empresas:

    “A lot of my friends work as carpenters, but companies describe them as janitors in their contracts to avoid paying the salary negotiated in the collective wage agreement,” said one 33-year-old unemployed man in Stralsund who declined to give his name.
    The deregulation of temporary agency work has also given employers less incentive to hire workers on staff contracts with job protection and decent pay. Temporary workers are often paid less than staff in Germany.
    Low wages for mini-jobbers and increased pressure on the unemployed to get a job have had a deflationary impact on salaries across the board, some economists say.”

    Do mesmo artigo da Reuters.

  9. Marco

    Mas isso já acontece hoje em dia … só não trabalha em part-time e mal pago quem não quer. Basta perguntarem nos shoppings se os explorados das caixas e afins chegam a ganhar o salário mínimo … e para piorar ainda mais a precariedade exigem-lhes que façam 8 e 10 horas quando lhes pagam 6. Portugal …

  10. Miguel Noronha

    “Mas isso já acontece hoje em dia … só não trabalha em part-time e mal pago quem não quer”
    Já depois de ter escrito o post estava a pensar nisso e tem razão. Aliás, não é por acaso que surgiu o fenómeno das emrpresas de trabalho temporário a que até o estado recorre para tornar a rigidez da legislação que ele prórpio criou.

    ” e para piorar ainda mais a precariedade exigem-lhes que façam 8 e 10 horas quando lhes pagam 6. ”
    Quer-me parecer que os empregados estão lá voluntariamente. E parece-me que o desemprego é uma alternativa bem pior

  11. Mário Amorim Lopes

    O Friedman dizia, e bem, que trabalho remunerado abaixo do que é fixado pelo salário mínimo pode ser uma oportunidade para aprender fazendo (learning by doing), para complementar a formação (e, em muitos casos, a falta dela). Hands on approach.

    No mundo real, longe das prosas idealistas de esquerda, muitas empresas mal conseguem contratar alguém com o salário mínimo, quanto mais oferecer um salário de eficiência ou um contrato sem termo. A alternativa é investir em stock de capital. Só quando a mão de obra for efectivamente mais barata e flexível, e a sua produtividade marginal maior, é que conseguiremos baixar o nível de desemprego de forma sustentável. Isto não é bom, mas condição necessária para um caminho melhor. É necessário muito racionalismo para aceitar isto, até porque implica um ajuste penoso. Quanto mais rápido aceitarmos essa evidência, melhor. Este é o trick de curto prazo. A solução de longo prazo é tornar a mão de obra muito mais qualificada, o que, obstante casos como o Relvas ou Sócrates, evoluiu muito, comparado ao que era no ante e pós 25 de Abril.

  12. Miguel Noronha

    “have had a deflationary impact on salaries across the board, some economists say.”
    Como diz o emprego que citei isso teve um efeito benefico na economia alemã como um toda. E não é isso que impede que muitos estrangeiros de países onde supostamente a lei lhes confere mais direitos procurem trabalho na Alemanha

  13. Miguel Noronha

    Outro estudo, de Sónia Pereira publicado na European Economic Review

    “On January 1, 1987, the legal minimum wage for workers aged 18 and 19 in Portugal was
    raised by 49.3%. This shock is used as a “natural experiment” to evaluate the impact ofthe
    minimum wage change on teenagers’ employment. The method is to compare, based on 5rm-level
    microdata, the employment growth of18–19-year-old workers with employment growth of older
    workers. The main findings are that the increase in the minimum wage signi5cantly reduced
    employment of18 and 19 year olds, but increased employment of20 –25 year olds”

    Este e anterior estudo citado demonstram bem o efeito pernicioso do SMN naqueles que têm menos experiência ou qualificações. Quando olhamos para o desemprego entre os jovens em Portugal (significativamente acima da média do desemprego geral) tiramos conclusões interessantes.

  14. jhb

    “A solução de longo prazo é tornar a mão de obra muito mais qualificada,…”.
    Pois a mao de obra na Alemanha é bastante mais qualificada que a portuguesa e ainda assim…

    “E não é isso que impede que muitos estrangeiros de países onde supostamente a lei lhes confere mais direitos procurem trabalho na Alemanha”

    Eu diria que vao à procura de uma Alemanha que já nao existe. Nao acredito que vao à procura de um “mini-job”, mas provavelmente é isso que encontram…

  15. Miguel Noronha

    “Eu diria que vao à procura de uma Alemanha que já nao existe.”
    Eu confesso que não tenho dons telepáticos.

    “Pois a mao de obra na Alemanha é bastante mais qualificada que a portuguesa e ainda assim…”
    Ainda assim o nível médio de vida é bem superior ao português. Mesmo para trabalhadores não qualificados.

  16. neotonto

    Eu diria que vao à procura de uma Alemanha que já nao existe. Nao acredito que vao à procura de um “mini-job”, mas provavelmente é isso que encontram…

    Bingo! E dos imigranes que foram fazer a Alemania é também passado. Isso ja foi…

  17. jhb

    … e ainda assim a precaridade foi institucionalizada na Alemanha. De modo que dizer que a soluçao para o problema é a criaçao de mao de obra qualificada nao me parece certo.

  18. Paulo Pereira

    A Alemanha segue uma politica neo-mercantilista desnecessária e prejudicial aos alemães e à U.E.

    O mercantilismo em excesso é anti-liberal como muito bem foi comprovado há cerca de 250 anos.

    A população alemã face á sua produtividade deveria ter um nivel de vida bastante superior.

  19. Miguel Noronha

    Obrigado. Fiz uma busca (superficial, admito) e pensei que tinha deixado de estar online como costuma aocntecer com os artigos que são publicos em journals.

  20. lucklucky

    “precaridade foi institucionalizada”

    Faz parte institucional das políticas de esquerda. Muita dívida e depois rebenta em inflação ou recessão.

  21. Bom, acho que temos de dar mas é um passo radical, a reintrodução da escravatura!
    Primeiro, note-se, não há escravos desempregados e, mais, o dono do escravo tem interesse em proteger o seu bem, assim, alimenta-o, veste-o e trata-o se estiver doente pois a morte de um escravo representa uma grande perda de valor.
    Aparentemente esta medida viria resolver muitos dos nossos problemas. É necessário é alguma coragem para a propor publicamente. Passos Coelho que tem coragem para nos lixar se o considerar necessário, devia ponderar bem uma medida destas.

  22. Álvaro Oliveira

    Que me desculpem, mas empresas que não conseguem contratar estão mal estruturadas, é negócio mal gerido, por qualquer que se mete a fogareiro e abre um negócio.
    Na minha área, e nos anos 90 qualquer zé ninguém (e muitos) com uma carrinha de 9 lugares abria actividade e era empresa, sem saber rigorosamente nada de gestão e de como gerir. Muitas das vezes vinham com o livro de facturas para que lhes preenchesse a factura.
    No fim do ano tinham prejuizo, e no ano seguinte continuavam a trabalhar mas já tinham “lucro”, porque entretanto tinham fechado a actividade e continuavam a apresentar facturas.
    Mini-job sim, mas como complemento do fundo de desemprego até que tenha emprego pago a tempo inteiro como deve ser, porque assim pelo menos sai de casa e vai à procura, e se for bom, se calhar de mini passa a inteiro.
    Obviamente tudo legal para não haver truques, porque actualmente fazem-no mas no paralelo.
    O trabalho é um direito, mas o trabalhador tem em primeiro lugar o dever, a obrigação de trabalhar, e, em segundo lugar tem direitos de ter condições para trabalhar, de receber, férias, etc.
    Se assim fosse amanhã não havia greve de transportes públicos.

  23. Mário Amorim Lopes

    Não sei em que mundo vive Álvaro Oliveira. Conheço muitas startups que mesmo tendo angariado algum angel capital têm dificuldades em conseguir pagar salários nos primeiros anos, especialmente empresas de serviços (que são o grosso das novas startups em Portugal), onde a base salarial constitui parte assinalável dos custos. E antes de uma empresa ser grande ou sequer média, tem de começar pequena. E em Portugal (na Europa em geral) é difícil começar seja o que for. É uma batalha ser empresário.

  24. jhb

    “Faz parte institucional das políticas de esquerda. Muita dívida e depois rebenta em inflação ou recessão.”

    Que estranho… Desde a década de 80 que a economia tem caminhado no sentido contrário ao das “políticas de esquerda” com privatizaçoes, desregulaçoes, liberalizaçao do mercado de trabalho etc etc, e no entanto as recessoes sao cada vez maiores e mais frequentes…

  25. Mário Amorim Lopes

    Tem, jhb? Onde? A Alemanha só em 2004 flexibilizou o seu mercado de trabalho. Em Portugal, o Estado está em todo o lado, desvirtuando a livre concorrência. A Europa é hiper-regulada. Basta olhar para as regras draconianas que existiam e existem para regular o aspecto da fruta. E podia ficar aqui o dia todo…

  26. Paulo Pereira

    As pequenas empresas portuguesas , incluindo as startups têm dificuldade em pagar salários razoáveis porque têm dificuldades em vender produtos e serviços nos mercados internacionais.

    O mercado português está mais que saturado .

    Eu sei porque faço parte de um clube de Business Angels com vários investimentos em start-ups

  27. Pingback: O SMN em Portugal « O Insurgente

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