Podem políticas boas produzir resultados maus?

A actual crise nacional – falamos da recessão, do desemprego, da “crise real” – é fruto da austeridade. Esta afirmação que parece consensual está errada. Vivemos uma crise real que cria enormes dificuldades aos portugueses (e a outros povos) mas essa crise não tem origem nos cortes dos subsídios nem no aumento dos impostos. Essa crise tem origem no défice público de décadas em que o sector público gastou mais do que o que tínhamos.

O meu artigo completo na P3.

12 pensamentos sobre “Podem políticas boas produzir resultados maus?

  1. Vasco

    Senhor Deputado Michael Seufert
    Folgo em vê-lo por estas bandas novamente.
    Aproveito a deixa para perguntar para quando a “dessubsidiação” de fundações, associações, empresas municipais e outras que tais em vez de ir ao bolso do contribuinte como afirmou o nosso 1º após triste decisão do TC?
    Afinal, quem é que está falido?
    Bom trabalho.

    Vasco

  2. ” Essa crise tem origem no défice público de décadas em que o sector público gastou mais do que o que tínhamos.” A causa do problema é esta, sem dúvida. Mas o que está em debate é como resolver a questão da consolidação orçamental. Existem duas vias fundamentais: 1) pela via do aumento da receita – como este governo está a tentar fazer – o resultado só pode ser mau, uma vez que o Estado vai consumir e desviar recursos do sector privado e produtivo para o sector público não produtivo; ou 2) pela via da redução da despesa – libertando recursos para o sector privado e encorajando o investimento. Eu estou convicto de que o caminho correcto é a via da redução da despesa.

  3. Joaquim Amado Lopes

    João Cortez (3),
    Não há *um* caminho correcto. Pelo menos não no imediato.

    Como escreveu, se o Governo insistir apenas no aumento da receita e não cortar muito na despesa, acabará por estrangular a economia.
    Mas a redução da despesa não tem efeitos imediatos (quando mais não seja porque a única área onde se podem fazer cortes significativos é no pessoal). As necessidades de financiamento do Estado são urgentes e se o Estado não aumentar a receita no curto prazo o resultado será ainda mais dramático.

    É essencial que o Governo, a par do aumento da receita, demonstre empenho na redução da despesa supérflua (o que não tem feito). Só assim os portugueses (e não me refiro aos partidos da oposição, sindicatos e “comentadeiros” profissionais) poderão acreditar que há realmente um rumo.
    Desde já, o Governo devia resolver a questão da RTP, deixar de financiar as centenas de fundações e institutos privados que vivem à sombra do Estado e denunciar as PPP’s ruínosas que o Governo anterior contratou para arruinar o país. Deve também acabar com as novas taxas com que anda a “adoçar a boca” às corporações (p.e. “artistas” por cuja “arte” só os próprios se interessam).
    Só assim os portugueses poderão acreditar que não se substituiu um socialismo por outro.

  4. rr

    “As necessidades de financiamento do Estado são urgentes e se o Estado não aumentar a receita no curto prazo o resultado será ainda mais dramático”

    Jal,mais receitas sim, mas a nossa carga fiscal já etá altissima demais.Mais impostos não nos leva a mais receita

  5. Joaquim Amado Lopes

    rr (5),
    Sem reduzir de forma imediata (e numa percentagem igual para todos?) os salários de TODOS os funcionários públicos, não vejo outra forma.
    Naturalmente, a redução dos salários dos funcionários públicos teria que ser acompanhada pela redução dos salários e regalias de todos os detentores de cargos públicos ou cargos de nomeação pelo Governo, incluíndo naturalmente assessores, numa taxa duas vezes superior à aplicada aos funcionários públicos.
    De certeza que a oposição apoiaria pelo menos a segunda parte.

  6. rr

    JAL, então nesse caso, que deus nosso senhor tenha piedade de nós, porque matematicamente resolver a crise com aumento de impostos, é andar á caranguejo, ou seja para trás

  7. Joaquim Amado Lopes

    rr (8),
    Para resolver a crise é necessário reduzir o consumo (público e privado), reduzir o desperdício de recursos (deixar de comprar as corporações com benefícios, acabar com as obras de regime, reduzir e tornar mais eficiente a máquina do Estado, restringir os benefícios sociais apenas a quem realmente necessita, …), o Estado deixar de tentar controlar a economia e aumentar a produção (para exportar, naturalmente).
    Isto é bastante complicado e demora tempo a fazer e a dar resultados. O aumento de impostos serve apenas para ganhar algum tempo enquanto se faz o resto.

    O mais preocupante é que Pedro Passos Coelho, em quem eu não depositava qualquer confiança antes de tomar posse e me surpreendeu muito positivamente nos primeiros meses enquanto Primeiro-Ministro, está a desperdiçar o tempo que conseguiu ganhar e não demonstra a coragem necessária para atacar realmente as corporações. Verdade seja dita que o Presidente da República, em quem depositei as maiores esperanças, também não tem ajudado nada.

  8. Paulo Pereira

    Como se verifica neste ano de governo , aumentar os impostos tem efeitos catastróficos na economia.

    Insistir nesta linha política é suicídio colectivo .

  9. Joaquim Amado Lopes

    Qual crise internacional. Qual dificuldade no acesso ao crédito bancário. Qual baixa produtividade. Qual rigídez do mercado laboral. Qual bolha imobiliária. Qual dependência do Estado.
    Os problemas das empresas portuguesas derivam exclusivamente do aumento dos impostos. Paulo Pereira dixit.

    Deve ter sido um aumento de impostos muito selectivo, para haver empresas que estão a exportar cada vez mais e a contratar trabalhadores.

  10. Paulo Pereira

    Os aumentos de impostos só vem expandir os efeitos da crise internacional e da contração do credito.

    Alias a estupidez dos Neotontos é tanta que obrigam os bancos a reduzirem o credito em plena recessão.

    O que vale é que o Neotontismo é autodestrutivo e vai ser corrido a pontapé por essa europa fora.

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