O que aconteceria à Arquitectura se deixasse de haver Ricos?

Não é preciso filosofar. Há fotografias em Havana:

Conseguem imaginar estas imagens, por exemplo, em Praga? Não esteve muito longe de acontecer…

13 pensamentos sobre “O que aconteceria à Arquitectura se deixasse de haver Ricos?

  1. Ricardo Cerqueira

    Concordo em absoluto com o meu homónimo.

    Sem meios financeiros não há possibilidades de manter as construções em bom estado.

    Mas a estatização forçada ou o demasiado peso do Estado não se faz sentir apenas em Cuba.

    Pessoalmente, ando perfeitamente chocado com as notícias (portuguesas) sobre casos de reformados ou desempregados que são obrigados a entregar a casa ao fisco, ou seja, ao Estado, por incapacidade de cumprir as novas obrigações fiscais geradas pela reforma do IMI. Pelo menos os cubanos pobres têm acesso a uma casa velha, um luxo enorme em comparação com a selvajaria que é desalojar um cidadão ao fim de uma vida de trabalho e sacrifícios, apenas porque pelas vicissitudes da vida, deixou de ter capacidade financeira para lidar com uma mudança de regras a meio do jogo.

    É tão grave que até revolta os funcionários do fisco, obrigados a fazer cumprir uma ignomínia deste calibre (como o fizeram sentir em documento enviado à A.R.).

    Hoje pareço um militante socialista… (aargghh).

    Eu que sempre fui liberal nunca pensei ter este tipo de pensamentos, mas, por uma vez, fico sem saber quem é que vive a situação mais vantajosa: eu que tenho uma casa nova e fantástica, mas que me pode ser retirada se eu tiver um qualquer momento de carência financeira, ou um cidadão cubano com muito menos posses que eu, mas que tem uma casa velha de onde nunca será desalojado e onde poderá passar a velhice sossegado.

  2. Ricardo Carvalho

    Acho que sim. Devemos trabalhar para ficarmos todos mais pobres e sem regalias. Aliás, se fossemos pobres e não gastássemos tanto a ecologia beneficiava porque não estaríamos nesta moda do consumir e deitar fora, consumir e deitar fora…

    Além disso, os arquitectos que gostam de ter ideias e pensar em coisas bonitas, de certeza absoluta, que sem dinheiro ficavam parados. Não iam à procura de outras maneiras de ter algum beneficio a refazer fachadas de edificios…

    Entristece-me ver que as pessoas pensam que se não houvesse dinheiro, as pessoas não faziam nada, ficavam paradas, e morriam onde estavam,,,,,, acham mesmo que isso aconteceria? Não somos inteligentes o suficiente para encontrarmos alternativas?

    Sinceramente, entristece-me ver pessoas que devem ser formadas e inteligentes a dizer estas coisas….

  3. tiago

    Ricardo Cerqueira nem um sistema nem outro são bons. Mas analisando o seu argumento, parece-me que você não quer passar pelo fardo da responsabilidade e do risco que envolvem algumas liberdades. Ou seja, trocaria a segurança e a certeza por algumas liberdades.

  4. Jaques Towaki

    Ricardo Cerqueira,

    Com todo o devido respeito, discordo completamente com a sua análise: Hoje pareço um militante socialista… (aargghh). [Bem, concordo com esta parte: (aargghh). Mas isso deve-se aos media e outros que vendem o liberalismo como um sistema sem alma nem coração! Os liberais desejam a selvajaria e o darwinismo económico. Afinal os socialistas são os tipos com sentimentos e compaixão e a última linha de defesa para os pobres antes que sejam devorados pelos leões dos liberais!

    [Nota aparte: A sua compaixão pelos pobres viu-se nua e cruamente na reação ao caso Pingo Doce que, tendo logótipo verde, deve ser leão mesmo. E já nem quero entrar na história que onde reina o socialismo as taxas de pobreza mantêm-se ou aumentam (mantêm-se onde há uma dose de economia liberal à mistura e agravam-se onde não)…afinal de contas se acabassem os pobres, para que serviriam os seus defensores? Há que lutar por eles mas sem exageros, se não, corre-se o risco de se tornar irrelevante…e ninguém gosta de correr riscos–isso é coisa da bourgeoisie e dos liberais que só correm riscos porque têm um desfecho positivo assegurado…enfim!]

    Bom, mas ia dizendo, que o que o Ricardo está a lamentar aqui, e no meu ver muito bem, é a interferência do estado, que repentinamente alterou as regras e o indivíduo que preparou o seu futuro mediante uma expectativa vê-se perante uma realidade completamente diferente e alheia a tudo que ele poderia imaginar! É como se me apresentassem um tabuleiro de damas, peças de damas e começassemos um jogo de damas…de repente e sem eu dar por elas estamos a jogar xadrez e já não tenho como adquirir mais nada se não uns peões…e de repente estamos a jogar póquer e tenho que utilizar os meus peões como fichas, e o problema é meu.

    Não pode! Isso sim, no meu ver…limitado como é…é socialismo (onde o governo dita todas as regras do jogo) e ainda por cima com uma dose de liberalismo à mistura! Desta forma, conseguimos alcançar o pior dos DOIS sistemas, mas com a grande vantagem de ter os liberais e as suas noções de liberdade económica (e não só) como os bodes expiatórios e os maus da fita. Hmmm…que beneficiará com o dedo da culpa apontado firmamente contra os liberais e a liberdade??? Hmmm…não faço a mínima ideia…Depois, conta-se a história de um ângulo particularmente virado para as evidências dos perigos da liberdade e liberalismo…e o risco de correr riscos…

    Não, nem assim consigo ver que os estadistas serão quem poderão beneficiar deste cenário e todos aqueles que dizem amar a liberdade mas só da boca para fora e não do coração para dentro…é que a melhor maneira de manipular é dizer uma coisa enquanto se faz e prepara outra…não estavamos a jogar xadrez há pouco…e nem me falem do póquer! Não, não consigo ver isso porque a venda está de tal forma apertada….

    Já agora, e sei que me estou a alongar com é meu hábito (desculpem), mas gostaria de acrescentar uma coisa. Que ser-se liberal não significa ser-se anarquista (sorry, Rothbard). Mesmo Ayn Rand, na sua obra prima The Fountainhead, reconhece a possibilidade de alojar os desfavorecidos. O que ela abomina é um indivíduo menos capaz ter a possibilidade de viver numa casa MELHOR do que o indíviduo mais capaz, que trabalha e financia o alojamento do primeiro!

    Assim, o tiago (3) tem razão com “trocaria a segurança e a certeza por algumas liberdades” mas calma…muita calma…a palavra chave é “algumas” o menos quanto possível…Uma vez que a liberdade é a maior dádiva que nos é dada ao nascer e a única coisa que faz com que valha a pena nascer! Andam aí muitos que nos a querem “roubar” e nós temos que ter MUITO CUIDADO com cada milímetro dela que se abdica. Perdê-la é a coisa mais fácil do mundo…obtê-la será a mais difícil…que o digam as incontáveis almas que lutaram e padeceram para que nós possamos viver num momento quase único na história da humanidade…Troquemos isto por umas míseras migalhas, uns farrapos e um telhado apodrecido?

  5. Paulo Pereira

    RCM,

    Fico muito contente por ser novamente a favor dos ricos .

    O que é preciso é acabar com a pobreza, começando por baixar os impostos sobre as empresas, para que o PIB cresça e o emprego aumente.

    Depois o capitalismo e o estado social faz o resto.

  6. APC

    Os ricos podem e devem patrocinar as artes, o mecenato começou em Mecenas, e Mecenas patrocinava a titulo pessoal, o que lhe agradava, ainda hoje funciona nesses moldes, querer estatizar e tornar o mecenato algo de coercivo é contraproducente para o erário público e não passa de ilusão totalitária e opressora socialista.

  7. Paulo Pereira

    É isso mesmo, precisamos de aumentar o numero de ricos e diminuir o numero de pobres .

    Ter pobres não adianta de nada, porque não consomem e só dão chatices e uma despesa social enorme.

    Vamos mas é acabar com os pobres, ou pelo menos baixar a pobreza aí para 3% da população !

    Isso é que era um programa liberal a sério !

  8. Jaques Towaki

    Caro Paulo Pereira,

    Concordo consigo, é preciso acabar com…bem não diria os pobres, porque isso poderia levar a algumas más interpretações como fez um bloquista local dizendo que o que queriamos era mesmo “ACABAR” com os pobres…não, não é isso…é preciso acabar com a pobreza.

    Mas parece-me a mim que terão que ser os próprios pobres a acabar com a pobreza, afinal deveriam ser eles os mais interessados com esse nobre objectivo! Afinal de contas a pobreza não é uma condição económica, ou melhor dizendo, não é APENAS uma condição económica, mas sim um estado de espírito. Um homem pobre será sempre pobre; os seus filhos serão pobres, assim como os seus netos e os netos dos netos ad eternum. Ao contrário de um seu vizinho, por exemplo, que poderá estar na mesma situação económica neste momento, mas está disposto a trabalhar e poupar para se erguer tudo o que puder, por pouco que seja. Este indivíduo está investido na educação escolar dos seus filhos para que eles possam ter um futuro melhor do que o seu e porpocionar um futuro ainda melhor para os seus netos! Cantigas? Creio que não…se acreditarmos na transformação que tem ocorrido em sítios como a Índia e a China para citar os mais óbvios…e no Botswana para citar um exemplo menos mediático.

    Tenho, muito sinceramente, tentado ver as coisas do seu ponto de vista depois da nossa troca de impressões há dias relativamente ao “estado social”, e o peso da burocracia, não sei se se recorda, mas lamento que ainda não consegui ver a “luz”. Como referi na minha intervenção acima, a taxa de pobreza (pelo menos em Portugal e nos EUA, que são os casos que conheço um pouco melhor) tem-se mantido ao longo de décadas e agrava-se com as crises económicas que teimam em chegar. Daí pergunto, onde está o milagre do estado social? Ou será que este serve para manter o “status quo”? Entretanto, o estado social, que não consegue fazer face à pobreza moderada, (não se pode comparar a pobreza na Europa ou EUA com a verdadeira pobreza que existe em inúmeros pontos do planeta, mesmo que para os nossos pobres estas comparações sejam inúteis) sai MUITO caro aos contribuintes, não só em custos financeiros, mas também e talvez sobretudo em custos de oportunidade!

    Falou-me da importância do ensino público. Sim, concordo, é fácil concordar com a importância da escola, mas será que o ensino público está a ter os resultados que desejamos? (Se tiver um pouco – 15 mins. veja: http://www.youtube.com/watch?v=gzv4nBoXoZc e se tiver um pouco mais – 40 mins: http://www.youtube.com/watch?v=Bx4pN-aiofw –é evidente que há boas escolas públicas; eu tenho a sorte de viver numa cidade com várias…mas a nossa cidade (também felizmente) não é representativa de uma cidade com elevada taxa de pobreza, onde as escolas regra geral não estão cotadas entre as melhores, mesmo sendo essas as comunidades que mais precisam delas!

    Falou-me, e bem, da importância da saúde, mas não me falou de longas listas de espera. Eu próprio estou sem médico de família há um ano, sem perspectivas de ter um em breve. Curiosamente, não tive nenhum “desconto” nos meus descontos…talvez o estado social poderia aprender algo com a Jerónimo Martins! Posso lhe relatar de uma pessoa amiga nos EUA que sentiu-se mal na semana entre o Natal e o Ano Novo e no dia 10 de Janeiro foi-lhe removido um tumor pré-cancerigeno do pâncreas…tudo feito com tempo e calma, TAC, exames, e operação! Foi o estado social que muito provavelmente lhe salvou a vida? Não. Foi uma companhia de seguros que o seu marido tem a um preço…esse sim a desconto uma vez que a sua entidade empregadora paga uma parte e tem desconto por ser um seguro em grupo. Esses devem já ter falado com o Dr Soares dos Santos. É verdade que houve uma franquia de $2 000 a pagar para uma operação de $20 000…mas lá está o senhor fica com uma parte maior do seu ordenado à partida. Repare, que não estou, de todo a indicar os EUA como o modelo de gestão do sistema de saúde. É o país que de longe mais gasta em saúde per capita e é o que discutivelmente terá entre os piores resultados dos países industrializados.

    A minha questão é sempre a mesma: como é que se trava o “estado social” por mais pequeno que seja de se transformar, pouco a pouco, num Nanny State que, por todas as melhores intenções, acaba por tentar controlar a vida de toda a gente? Já muito antes de Hayek, Jefferson disse, “The natural progress of things is for liberty to yeild, and government to gain ground.” Serão os burocratas que vão autoimpor limitações na burocracia? Os organismos não tendem a funcionar assim, logo estes terão que ser uns burocratas muito iluminados mesmo!

    Já agora, quero reiterar que não sou anarquista de modo algum. Aliás, já os homens primitivos decidiram que valia a pena trocar algumas liberdades pela a segurança proferida por uma tribo ou um clã (para dar mais um toque ao tiago (3). Daí, prefiro seguir mais a visão traçada por Friedman, do que Rothbard. Há, de certeza, espaço para um estado…mas é preciso ter tanto cuidado com ele como um ladrão que possa vir durante a noite e roubar-nos aquilo que é mais precioso do que qualquer jóia…a liberdade…porque é no berço da liberdade que nasce a nossa individualidade!

  9. Paulo Pereira

    JQ,

    Acabar com os pobres é basicamente acabar com o desemprego não voluntário, ou seja garantir um emprego/trabalho pelo menos pelo valor do salário minimo.
    Quem não quiser trabalhar não recebe nenhum subsidio monetário, apenas refeições e alojamento colectivo quando muito.

    Ás crianças garantir acesso, independentemente dos país, a educação de alta qualidade, alimentação saudável e carinho.

    A operação dos serviços publicos universais de educação e saude deve ser prestada por operadores privados e publicos em concorrência, tal como já existe com a ADSE (alargar a todos os contribuintes o que já existe e fica ao mesmo preço do SNS).

    O controlo o sistema social-democrata será feito pela separação de poderes, comunicação social e leis rigidas que proibam a criação de departamentos ou entidades publicas ou contração de funcionários publicos com salários acima dos do privado .

    Começa-se por baixar o IRC e a TSU gradualmente até zero ao mesmo tempo que se desmantelam uma parte significativa das entidades publicas burocraticas, concessiona-se (não é privatizar) os transportes publicos, a gestão das águas, etc.

    A gestão do sistema de trabalho garantido será de base municipal e terá a ver com reciclagem, ambiente, apoios a idosos e a familias pouco estruturadas, aproveitamento de residuos e biomassa para produção de combustiveis, preservação do patrimonio, etc.

    Com impostos baixos é possivel reduzir o desemprego para 5% e depois com os programas especiais para 2,5% o minimo pós 2ª Guerra Mundial.

  10. Paulo Pereira

    Obs: as refeições e alojamento colectivo seriam realizadas pelos utentes desses serviços.

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