“A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. “

No Estado Sentido, o Samuel de Paiva Pires fala simples, curto e claro. Seguro e os partidos da maioria deveriam ler isto:

A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. O crescimento económico só é real se for feito pelo mercado livre, pelos privados. E basta pensar no passado recente para ver no que resultaram as políticas de crescimento socráticas. Diminuir os impostos e o tamanho do estado, começando por desmantelar o ministério da economia, era o melhor que se podia fazer para deixar o mercado funcionar e a economia crescer.

23 pensamentos sobre ““A melhor política de crescimento é a ausência de qualquer política de crescimento. “

  1. Fernando S

    “Diminuir os impostos e o tamanho do estado,…”

    Talvez começando pelo tamanho do Estado !…

  2. Luís Lavoura

    O crescimento económico só é real se for feito pelo mercado livre, pelos privados.

    Isto é uma tirada ideológica que não tem qualquer sustentação na realidade.

    Todos os países asiáticos cresceram economicamente com um forte apoio, incentivo, proteção e direcionamento por parte do Estado.

  3. Paulo Pereira

    Começar por baixar o IRC em 50% nas PME’s e a TSu em 50% nos sectores transacionaveis.

    E eliminar 30% das chefias e entidades públicas, incluindo professores, disciplinas e cursos no ensino superior publico.

  4. Luís Lavoura, exacto, por isso não é real, e por isso mesmo espere pela pancada. A China vai colapsar, mais década menos década, e o Brasil há 200 anos que anda a dizer que vai ser uma grande potência, incorrendo ciclicamente em crescimento e recessão, onde as recessões resultam precisamente da intervenção do estado, alocando recursos a maus investimentos. Se há coisa que a história e a realidade mostram é precisamente o que digo, e sem olhar para o nosso passado recente, basta recordar o que foi a União Soviética.

  5. Luís Lavoura

    Samuel,

    por isso não é real

    Está-me a dizer que o crescimento económico do Japão durante o século 20 não é real? Que os crescimentos económicos de Taiwan, da Coreia do Sul, de Singapura não são reais?

  6. Luís, isto carece de uma operacionalização do conceito de “real”. Eu entendo o crescimento económico real como crescimento sustentado e sustentável. Este só acontece num mercado livre. A indução de estímulos económicos a partir do estado é um mecanismo artificial, coercivo e distorce o mercado, mesmo que temporariamente os indicadores económicos mostrem que houve crescimento. Enquanto se continuar a ir por aí, não há como escapar aos ciclos de negócios. Já que fala no Japão, é um bom exemplo, basta olhar para os últimos 20 anos.

  7. Paulo Pereira

    Samuel de Paiva Pires, arranje um exemplo das suas teorias Laissez Faire , para justificar o que diz !

    Sem politicas industriais as nossas empresas não têm capacidade de competir no mercado global, porque a maior parte dos países não acredita nas histórias do mercado livre internacional.

  8. Miguel Noronha

    “Sem politicas industriais as nossas empresas não têm capacidade de competir no mercado global, ”
    Admira-me como empresas de Hong Kong, Singapura, Luxemburgo ou outros micro-estados conseguem competir no mercado globasl.

  9. Paulo Pereira

    Samuel de Paiva Pires,

    O PIB do Japão em 20 anos cresceu em média 0,8 % ao ano , nada mau para um país que tem um PIB per capita do mais altos do mundo e uma taxa média de desemprego de 4,5% nesses 20 anos. Compare com a situação actual da Zona Euro.

    A Zona Euro em 10 anos cresceu 1,2% ao ano , apesar do seu PIB per Capita estar abaixo do Japão.

    A conversa fiada de que o PIB não é um indicador válido é uma falácia, já que serve de comparação entre países, que usam a mesma metodologia.

  10. Miguel Noronha

    Continuo sem compreender como os nossos “campeões nacionais” que floresceram à sombra do favorecimento político (há quem lhe chame “política industrial”) não conseguem ser competitivas “lá fora”.

  11. Paulo Pereira

    Miguel Noronha,

    Hong Kong aproveitou a abertura dos mercados ocidentais a partir dos anos 60 e 70 e aplicou politicas fiscais agressivas, Singapura é um país dirigista com politicas industriais e fiscais , Luxemburgo era uma espécie de off-shore da Alemanha e da França, não compete na industria.

    O momento actual é muito diferente dos anos 60 e 70 para o sector industrial.
    Não existia a China como potência industrial, nem a Coreia tinha a força que tem, nem Taiwan, nem a Malásia, etc.

  12. Miguel Noronha

    “aplicou politicas fiscais
    Pois é. A política fiscal é bem mais eficaz que as chamadas “políticas industriais”.

  13. Fernando S

    A tese de que as industrializações virtuosas existiram graças à intervenção directas dos governos nos projectos e nos mercados é um grande mito de uma certa historiagrafia economica. Não foram os subsidios e os capitais publicos que determinaram as industrializações. Antes pelo contrario. Quando muito foram as industrializações e os seus resultados que permitiram a certos Estados a captação e a utilização de recursos publicos em projectos não completamente privados ou totalmente publicos.
    Entre outros, o Japão e a Coreia do Sul industrializaram-se porque existiam uma série de condições favoraveis ao investimento. Inicialmente e sempre principalmente privado. A começar por uma economia de mercado suficientemente dinamica. Os respectivos Estados e governos tiveram sobretudo o mérito de garantir a existencia e a manutenção destas condições. Esta foi a principal diferença relativamente a outros paises na região, onde a acção dos Estados fez praticamente desaparecer o mercado e a propriedade privada. E que, sobretudo por isso, não se industrializaram. Ou se industrializaram mal, com uma enorme desperdicio de recursos, e em prejuizo da prosperidade e bem estar das respectivas populações.
    Ou seja, a razão principal da industrialização no Japão e na Coreia do Sul não foi mais Estado mas sim menos Estado.
    Dito isto, é natural que num contexto de industrialização os governos não tenham resistido à tentação de procurar canalizar recursos financeiros para novas actividades produtivas. Nalguns casos com alguma clarividencia e algum sucesso. Noutros, tão ou mais frequentes, bem menos. Muito do dinheiro publico metido na economia foi-no sem verdadeira necessidade, inutilmente, com grande desperdicio. Nenhuma empresa privada recusa ou despreza um subsidio estatal. Mas teria sido preferivel que os Estados tivesse à partida deixado aqueles recursos nas mão dos privados. Alguns dos projectos industriais feitos com a “ajuda” do Estado poderiam ter sido igualmente realizados sem ela, pelos mesmos ou por outros, do mesmo modo ou, provavelmente, de modo diferente, porventura ainda mais criterioso e eficiente.

  14. Miguel Noronha

    Recordo-me na altura do estudo que o Michael Porter fez sobre Portugal (e que tão mal aproveitado foi) que ficou espantado por toda a gente (governo, empresários, etc) endeusar o papel activo do MITI no desenvolvimento do Japão. Segundo explicou detalhadamente o seu papel tinha sido muito pequeno.

  15. Paulo Pereira

    Todos os paises asiáticos de sucesso usaram politicas industriais para ajudarem o SECTOR PRIVADO !!! :

    a) fiscalidade favorável , com incentivos às exportações e ao investimento e à criação de emprego industrial

    b) manutenção de taxas de câmbio competitivas

    c) apoio ao estabelecimento de clusters sectoriais através de parques industriais e tecnologicos , e apoios ao marketing internacional através de associações empresariais.

    d) projectos de investigação aplicada do ensino superior virados para as empresas

    e) crédito bancário barato para o investimento e às exportações para os sectores industriais

    Em Portugal as maiores empresas exportadoras tiveram ou ainda têm incentivos / subsidios / apoios estatais e/ou da U.E.

    No resto da U.E. é a mesma coisa.

  16. Paulo Pereira

    E ainda mais politica industrial :

    f) estado e grandes grupos económicos previligiam compras a empresas industriais domésticas

    g) alguns sectores emergentes ou considerados estratégicos protegidos com taxas alfandegárias elevadas

  17. ricardo saramago

    Querem crescimento?
    Comecem por fechar o Ministério da Economia, do Trabalho, da Agricultura, do Turismo e 90% dos seus apêndices institutos, comissões, autoridades, observatórios e fundações.
    Os incontáveis milhões que se poupam em funcionários,burocracia, instalações, subsídios,taxas e impostos, acabam com o défice e deixam os agentes económicos investir e trabalhar.

  18. Paulo Pereira

    É isso mesmo Ricardo Saramago, e o Banco de Portugal pode ser reduzido em 80% já que é um escritório do BCE, e reduzam 30% do orçamento das universidades públicas, e a defesa que pode também ser reduzida em 30% e o ministério da s.social que é pura burocracia.

    Assim sobravam euros para reduzir o IRC e a TSU nos sectores transacionaveis.

  19. Fernando S

    21. Paulo Pereira : “Assim sobravam euros para reduzir …”

    … antes de mais o ritmo de crescimento do endividamento publico !… que resultou em grande parte do tipo de politicas publicas despesistas que o Paulo Pereira defende (incluindo, e de que maneira, as “politicas industriais”) !!

    Mas como o Paulo Pereira nos tem dito e repetido aqui que o endividamento publico não é o problema, antes a solução,… até me admira que venha agora propor cortes drasticos em (certas) despesas publicas para financiar (certas) reduções de impostos !…
    É uma pena os despesistas publicos de serviço não se terem lembrado das reduções de despesas e de impostos quando o Estado não estava ainda na banca rota !!

  20. Paulo Pereira

    Fernando S,

    As politicas industrias são indispensáveis porque os outros países as têm. Não acreditam muito no Laissez-Faire internacionalista.

    Se a opção politica é estarmos no Euro, então estamos limitados no deficit externo que podemos ter.

    A causalidade é : deficit externo deprime a economia, reduz o PIB e a receita fiscal e aumenta a despesa pelo aumento do desemprego, pelo que implica deficit publico.

    Solução : politicas industriais, inclui redução do IRC e TSU, para equilibrar as contas externas que melhoram as contas internas.

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