facilitar com a saída ou dificultar com o fanatismo?

“I want to avoid the jump over the cliff today, to buy time, to restore normality and to go to elections tomorrow. This is why I ask you to vote in favor of the new loan agreement today and to have the ability tomorrow to negotiate and to change the current policy which has been forced on us. But to change [the policy] we must exist as a country, as society and as a democracy. I’m not asking you to vote in favor of the wrong recipe. I was the first to reject it and I stand by that. But I’m asking you to walk away from the edge of the cliff and to fight together tomorrow.”, Antonis Samaras, líder do Nova Democracia no final da sua intervenção parlamentar do passado domingo (no Wall Street Journal).

Para quem ainda tenha dúvidas quanto à forma como a Grécia acabará, novamente, por boicotar este enésimo plano de resgate, é só ler as palavras do bom do Samaras, sendo que as palavras deste até possam acabar por de nada valer. É que, segundo li hoje (se bem que já não me recorde onde!), as intenções de voto para as eleições de Abril (?) dão conta de 30% dos votos para o Nova Democracia e mais de 40% para o conjunto de partidos que compõem a esquerda à esquerda dos socialistas do PASOK (a quem as sondagens, por sua vez, atribuem uma humilhante derrota). Agora, alguém acredita que, num cenário de divisão política ou, pior ainda, perante uma aliança da esquerda revolucionária, a Grécia implementará as medidas cinicamente aprovadas no domingo?!? Claro que não. Enfim, creio que o mais provável é que as eleições de Abril sejam adiadas “sine die”, pois está visto que aquela classe política, para quem a manutenção do euro representa a sua própria sobrevivência política, só se resignará à saída do euro por força das circunstâncias e nunca por argumento intelectual. Por isso, a solução magnânime da Europa seria facilitar aos gregos uma saída da zona euro sem que isso os precipitasse para uma saída da União Europeia. A ver vamos até onde irá o fanatismo de ambas as partes…

4 pensamentos sobre “facilitar com a saída ou dificultar com o fanatismo?

  1. O que me espanta é que a UE ainda se disponha a emprestar dinheiro a quem pratica um discurso destes. Emprestar à Grécia é como dar dinheiro a um drogado em estado terminal, acreditando que ele amanhã cumpre a promessa de nos pagar de volta…

  2. neotonto

    Acho que o Rodrigo nao entende nem numca chegou a esta ou parecida situaçao:

    A de uma empresa com dividas que nao pode pagar aos bancos e os mesmos bancos a sostenela até onde seja posivel para nao perder tudo…

    De momento o resultado é para darlhe um bom lucro. Cambio de “lixo tóxico” por intereses e rendimentes a 30% ou 40% ou seia uma inversao muito judea.

    A pergunta que até quando va ser possivel manter esta situaçao?

  3. H.

    Não discordando na questão substantiva da capacidade e vontade do governo grego em implementar estes ou outros planos de “austeridade”, note-se que o “cenário de divisão política ou, pior ainda, perante uma aliança da esquerda revolucionária” é improvável se as actuais intenções de voto se mantiverem relativamente estáveis até Abril (o que está longe de estar garantido visto existir uma enorme volatilidade – algumas sondagens que li apresentam 40% de indecisos).

    Por duas razões: o sistema eleitoral grego é PR mas garante um bónus de 40 deputados ao partido mais votado. Mais de 41% do voto popular garante uma maioria absoluta. A ND seguramente não ultrapassará essa fasquia. No entanto os 30% + bónus + LAOS + PASOK poderá ser (será?) suficiente – com as intenções de voto actuais claramente seria.

    Em segundo lugar, uma aliança da esquerda revolucionária ou mesmo da esquerda pro-default (juntando o DIMAR ao KKE e ao SYRIZA) provavelmente esbarraria em rivalidades e ódios históricos. E eu tenho dúvidas sobre o comportamento do DIMAR num cenário desses. De qualquer maneira, até ao momento essa potencial coligação a 3 não ultrapassa os 40% em nenhuma sondagem e nenhum desses partidos recolherá o bónus. Embora o crescimento exponencial das intenções de voto no DIMAR nos últimos tempos indique que o primeiro factor mude rapidamente.

    Já agora, o PASOK estar em riscos de extinção não será surpreendente: sempre foi um partido algo estranho às tradições político-partidárias gregas, com uma implementação social recente e, como tal, frágil. Um projecto pessoal/carismático, com uma base ideológica somente regional (Creta, Pratas, Corfu) e cujas fortunas foram sempre dependentes da capacidade de satisfazer os apetites dos rentiers. Perdido isso, torna-se um alvo fácil.

  4. Pingback: we’ll see you in hell « O Insurgente

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