Mentiras sem consequência?

Há uns tempos atrás, houve um partido que através do seu líder e candidato a primeiro ministro, fez uma promessa (parece que não era bem isso, era mais um objectivo…): criar 150.000 postos de trabalho.
Qual era a mentira?
Era que o governo, usando dos poderes que dispõe, podia criar postos de trabalho. Um que fosse.
Não, não é verdade que as nomeações para cargos de confiança política sejam empregos e muito menos postos de trabalho.

Voltemos à mentira e aos mentirosos.
Uma mentira só se torna efectiva se houver quem nela acredite (palisseano, não é?).
Neste caso houve. Muitos e muitos milhares de portugueses acreditaram nessa mentira, dita por esse partido, pela voz do seu candidato a primeiro-ministro.
A realidade que nos continua a rodear de notícias tristes, em nada parece mover a crença geral num amanhã sorridente em que Homens omnipotentes e omniscientes, recorrendo a passes de mágica ou a poderes divinos, poderão transformar o mundo num paraíso. A cada eleição, a esperançosa frase “desta é que é!; neste é que podemos confiar!”.
Ou seja, o país socialista que somos, continua a ter medo de o deixar de ser.

Tal como os ilusionistas que desde sempre usam os mesmos truques, os políticos do “estado a que isto chegou” (e não só os do tal partido), sabem a receita para recolher os votos do Povo: prometer mais do mesmo. Se têm sucesso, se o rotativismo os contenta, porquê mudar?
Entretanto o desemprego sobe e Portugal continua relegado para as traseiras do mundo desenvolvido.


Infelizmente, quem nas ruas grita alto e bom som contra quem proferiu tais mentiras populistas, tem como alternativa (se a tem…) um modelo ainda mais estatista e intervencionista. Nem é mais do mesmo; é pior do mesmo.

Dizer que não merecemos os políticos que temos, com as suas promessas vãs, é dizer que não merecemos continuar a depender do voto dos que continuam a elegê-los e a assegurar a continuação da República Socialista Portuguesa e do aparelho que a sustenta. Mais a mais, tendo em conta o peso dos eleitores cujos interesses pessoais estão ligados à manutenção (ou crescimento) do poder estatal. Não esquecer, por exemplo, que temos cerca de 700.000 funcionários estatais, aos que temos de juntar os membros das suas famílias bem como um pequeno exército de dependentes da subsidiação pública (sejam empresas e empresários, sejam cidadãos).
Ponho em causa o princípio de que a maioria em democracia manda sempre e escolhe melhor? Exactamente. Começo a ter dúvidas se devo voltar a votar? Nem mais. Nestes partidos, nos seus programas e nos líderes que propõem, certamente que não.

Pessoalmente, acho que é altura de tirar consequências das continuadas tentativas de me servirem mentiras requentadas.

6 pensamentos sobre “Mentiras sem consequência?

  1. Miles

    Eu só tornarei a votar quando houver um deputado que se me sabuje para eu lhe dar o voto e ainda por cima me vá dando conta daquilo que prometeu e cumpriu.

  2. -Todos os dias, portugueses atravessam a fronteira para trabalharem. O número tem vindo a crescer. Vamos com calma, a legislatura ainda não terminou, José Sócrates prometeu criar 150.000 empregos, não especificou onde, estava a contabilizar a ajuda do amigo Zapatero!

  3. António Bastos

    Só com uma nova constituição, e com esta um novo regime, é que poderemos esperar algo de novo. mas isso é algo que JAMAIS será feito pelo regime tendo em conta as “liaisons dangereuses” entre o “Bloco Central” e as “construtoras do regime” que que financiam os dois partidos em questão. Como a história do sec XX português nos mostra só com a intervenção de forças exteriores ao regime poderá mudar algo. Quais concretamente, não sei, tanto mais que o exército está hoje castrado. Até lá afundemo-nos alegremente.

  4. BZ e Hélder, Tinha a sensação que iria ter comentários vossos… 😉

    Miles,
    Parece-me que de deputados “sabujos” temos tido a nossa conta nos últimos 30 anos.

    António Almeida,
    Se há portugueses a irem até Espanha à procura de trabalho, não será por causa de Zapatero. Temos de recuar uns anos e recordar que numa altura em que o desemprego em Espanha era dos maiores da Europa (o maior?), houve a coragem de seguir políticas que proporcionaram ao mercado criar esses empregos. Políticas que por cá, nenhum partido tem tomates para propor nem parecem apetecer aos eleitores que continuam a votar em mais ou pior do mesmo. Havia por aí a citação de uma famosa frase futebolística:” estávamos à beira do abismo, mas demos um passo em frente.”

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