O analfabetismo

De acordo com o último noticiário televisivo, António Costa e Sá Fernandes terão acordado obrigar os construtores civis a venderem 20% das casas que construírem, em Lisboa, a preço de custo. Estamos perante um claríssimo caso de analfabetismo económico. Esta intromissão no funcionamento do mercado conduzirá não só a uma realidade artificial e não natural, como ainda terá como principal consequência a procura frenética da melhor forma de tornear a nova obrigação. Venda-se a preço de custo a um tio, primo, amigo, ao periquito, a quem quer que seja que possa ganhar com uma venda posterior. Como em todos os casos de analfabetismo imposto pela força, existe a imoralidade do poder político obrigar a quem trabalha com o seu dinheiro e risco, o seu esforço e empenho, sacrificar-se em prol dos interesses eleitorais de uns poucos. Do interesse de Costa em garantir uma maioria para governar Lisboa, o interesse de Sá Fernandes e do BE em chegar ao poder e se apresentarem ao eleitorado como os grandes justiceiros, mesmo que sempre à custa da violação dos direitos de alguns. Porque não é só o bom funcionamento da economia que paga com estes disparates. É todo o conceito de Liberdade e de Estado de Direito que nos é dito ser o que existe em Portugal.

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19 pensamentos sobre “O analfabetismo

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  2. Carlos Carvalho

    Esta e’ a coisa mais estupida que eu ja’ alguma vez ouvi.
    So’ um louco e’ que constroi em Lisboa. Poe Lisboa em desvantagem em relacao a outras cidades. E’ uma parvoice que so’ mesmo socialistas poderiam engendrar.

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  4. Portugal é um país onde se faz bons negócios quando se tem amigos no governo. Assim, adivinho facilmente a quem vai calhar os famosos alojamentos a preço de custo.

    Adivinho também que o “decisor visionário” poderá receber uma “gratificação” do comprador a baixo preço. É assim que se luta contra a corrupção.

  5. Outro exemplo disso: apartamentos da EPUL comprados por 70.000 € na Ameixoeira, à venda por 150.000 €.

    É fácil obter um apartamento quando se conhece alguém lá dentro. Umas “prendas” para a pessoa certa na altura de natal ajudam à decisão.

  6. “Adivinho também que o “decisor visionário” poderá receber uma “gratificação” do comprador a baixo preço. É assim que se luta contra a corrupção”

    Qual quê! Aquela gente é incorruptível.

  7. Ao aumento do custo das casas, temos de acrescentar um aumento do IMI, para que a Super-Procuradora-Adjunta e a Super-Equipa (que aquela gente é toda muito bem paga) possam investigar os dirigentes municipais incorruptíveis.

  8. Mas só assim é que teremos um Estado pluralista! Nada de singularidades barrocas que oprimem o povo, um povo que referenda, um povo que sabe bem o que quer! Sim, porque só existe um povo e o Senhor Pinto de Sousa é o seu Profeta!

    Muhahaha!

    Nem à bomba, meus caros, já nem à bomba… É deixar a tenda arder.

  9. A ver vamos o impacto de tais medidas.
    Se trouxerem novos habitantes para Lx, mais classe média, então terão de ser consideradas positivas, por muito que isso custe aos insurgentes; e porque Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado. E se, como dizia Oscar wilde, o artificial é que conta, deixemos então o reino da espontaneidade ao mercado, essa entidade que no mundo insurgente adquire propriedades religiosas.

  10. “Se trouxerem novos habitantes para Lx, mais classe média, então terão de ser consideradas positivas”

    Como é que encarecer o mercado da habitação e favorecer a corrupção e o nepotismo pode ser considerado positivo?

  11. “Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado”

    Gostava de saber o que é que não é “demasiado importante para ser deixado ao mercado”. A tua preferência pelos “decisores iluminados” é preocupante.

  12. “essa entidade que no mundo insurgente adquire propriedades religiosas.”

    Continuas a achar que o “mercado” é uma entidade com vida propria. Tens que ler mais vezes O Insurgente…

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  14. Caro Luis Marvão,

    «e porque Lisboa é um assunto demasiado importante para ser deixado ao mercado»

    Esta frase é a coisa mais estúpida e umbigocêntrica que tenho lido nos últimos anos. Porque Lisboa e não nas restantes zonas do país. E já agora, quem paga este subsídio? Os empreiteiros não são de certeza.

    Isto deve ser inscontitucional, violar alguma norma sobre concorrência na UE, só mesmo neste país de cornos mansos é que se faz um crime destes.

  15. «Como é que encarecer o mercado da habitação e favorecer a corrupção e o nepotismo pode ser considerado positivo?»

    Que a proposta encarece o mercado de habitação é conclusão sua. Que favorece a corrupção é conclusão sua. Que favorece o nepotismo é conclusão sua.

    Três conclusões, e todas três erradas. A habitação não vai encarecer porque não há margem para isso. Em vez de elevar os preços os empresários vão ter de aprender a fazer rodar o stock muito mais rapidamente. Resultado: é até possível que os preços em geral baixem, contra o que nos diz a intuição.

    Para impedir a corrupção e o nepotismo, basta uma medida muito simples: é que durante um certo prazo as habitações em causa não possam ser revendidas.

  16. RAF:
    Tem razão, não é só Lisboa.

    A vida é demasiado importante para ser deixada ao mercado.

    Quem paga o «subsídio»? Os empreiteiros, naturalmente. Já é tempo de começarem a pagar alguma coisa. Mas não tenha pena deles: depressa vão encontrar forma de se ressarcirem desse custo. E se o fizerem, como espero, por via da rotação rápida dos stocks, no fim ficarão todos a lucrar, incluindo eles próprios.

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