O desastre da escola estatal – II

Ao ler o post do André, recordei o que ouvi ontem na TSF (com mais desenvolvimentos hoje). Uma professora relatava a sua experiência de maus tratos às mãos de alguns seres humanos que claramente pouco devem à civilização.

O André refere a necessidade de haver liberdade de escolha na educação.
Não posso deixar de concordar, fazendo apenas um acréscimo (que porventura estaria também na ideia do André): essa liberdade deve existir tanto para os pais e alunos, na escolha da escola como também para os professores, como fornecedores de um serviço, do seu trabalho.
Tal será possível num mercado concorrencial, servido por um sistema de informação conhecido de todos. Ou seja, um mercado onde os preços dos bens trocados seja livremente estabelecido pela valorização feita entre os participantes.

Deixo também duas questões.
Poderia/deveria ser concedido aos professores ou às escolas a possibilidade de se recusarem a ter nas suas salas alunos que representem um perigo para o bem estar dos demais aí presentes?
Seria tal coisa admissível, apenas, num sistema de mercado educacional livre e com fornecedores privados, tendo o ensino estatal a obrigação de acolher os educandos que dele, objectivamente, não querem beneficiar?

Leitura complementar: “Educação e Liberdade de Escolha

5 pensamentos sobre “O desastre da escola estatal – II

  1. António Bastos

    Concordo inteiramente com as ideias defendidas pelo “Insurgente” André, simplesmente parece-me totalmente utópico pensar que algo possa mudar enquanto não se banir da “Constituição do nosso atraso” todo aquele enumerado de direitos bem “à la française”, nos quais se inclui o direito à educação. Como tocar na “vaca sagrada da república” é algo que, no contexto do actual regime, jamais será feito (ou pelo menos de forma significativa), resta-nos esperar estóicamente que tudo se continue a degradar ainda mais porque só assim poderemos esperar algumas mudanças. Isto porque como dizia o saudoso Jean_François Revel “os factos são sempre reaccionários”. Será a realidade, isto é, a eminência do colapso que os obrigará a rever EM PROFUNDIDADE a “vaca sagrada”.

  2. “tendo o ensino estatal a obrigação de acolher os educandos que dele, objectivamente, não querem beneficiar?”

    No caso dos alunos dentro da E obrigatória, nem me parece que haja grande dúvida – se o Estado se sente no direito de obrigar alguêm a andar na escola até ao 9º ano, que direito tem de lhe negar uma escola para ele andar?

  3. Miguel,
    Inicialmente, escrevi precisamente “tendo o ensino estatal obrigatório”, tendo depois retirado o adjectivo. Quis deixar aos leitores a possibilidade de poderem fazer esse acréscimo (nesse sentido, obrigado pelo oportuno comentário).
    De facto, da obrigação de escolaridade parece decorrer a obrigação de prestar o serviço relevante.

    Mas e se (peço desculpa por mais esta questão) se desse o caso de haver privatização da prestação do serviço (mesmo num contexto de cheques-ensino), ficando o estado com o poder de regular o funcionamento (desse mercado – como noutros), mantendo a obrigação dos pais colocarem os filhos na escola até certa escolaridade?

    Poderiam as escolas negar-se a recebê-los? Ou deveria o estado legislar punições para os proprietários desses negócios (as escolas privadas) que se negassem a receber quem pudesse perturbar (fisicamente, também) quem optou livremente por lá estudar e ensinar?

    Finalmente: será a escolaridade obrigatória compatível com a liberdade de escolha, num mercado concorrencial de educação?

  4. lucklucky

    Finalmente: será a escolaridade obrigatória compatível com a liberdade de escolha, num mercado concorrencial de educação?

    Não.

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