Espanha: Isto é que é confiança! Ou não…

Neste artigo do Público, é avançado que um “sindicalista” primeiro disse “Ele [Zapatero] disse-nos que a situação era muito má” e que a economia espanhola “estava à beira do abismo”, mas que depois corrigiu o tiro para “precisar as palavras pronunciadas” acerca da reunião com Zapatero, dizendo que “Espanha nunca esteve, nem está à beira de um resgate, ainda que considere urgente que os países da União Europeia avancem com o governo económico da Europa e façam frente aos movimentos especulativos dos mercados financeiros

Isto tem “piada” a vários níveis: o que o Zapatero sabe e o que conta, como os sindicatos são capazes de deturpar as suas próprias palavras se forem correctamente motivados para tal, como os Espanhóis são nacionalistas, …

Só não sei é se isto não é mais um prenúncio do fim do Euro, a juntar ao discurso de Barroso: como no futebol, quanto mais o Presidente diz estar confiante no treinador…

O Sócrates Espanhol: Zapatero a destruir a Economia Espanhola

Zapatero a la Sócrates:

  • “España está totalmente a salvo de la crisis financiera”, Agosto de 2007
  • “En esta crisis, como ustedes quieren que diga, hay gente que no va a pasar ninguna dificultad” (Julho de 2008)
  • “La próxima legislatura lograremos el pleno empleo en España. No lo quiero con carácter coyuntural, lo quiero definitivo” (Julho de 2007)

Fonte: O Insurgente

Espanha, terra da bolha do imobiliário, gerida por mais um Socialista “promissor”.

Vejamos o que correu mal:

Numa economia pode-se usar os Recursos para Investir ou Consumir. O conjunto das possibilidades desta combinação, à medida que aumentamos uma e diminuímos outra, pode ser representada pela linha azul acima: a curva de possibilidades de produção.

Segundo Keynes, se baixarmos muito a taxa de juro e portanto aumentarmos o crédito, podemos fugir desta prisão e produzir mais e consumir mais ainda (ponto R).

Segundo Mises, ao baixarmos artificialmente a taxa de juro e aumentarmos o crédito, consumimos a quantidade de recursos disponível até um ponto em que teremos de cortar no consumo e no investimento, passando um tempo no interior da curva para repôr esses recursos (ponto Q).

Segundo Hayek, os sectores em que isto se vai notar mais são os de bens duráveis, mais utilizadores de crédito (como o habitacional, de que Espanha é um caso paradigmático).

Ou seja, Espanha aproveitou juros baixos e construiu demais. Agora, vai ter de consumir menos e produzir mais (de bens que tenham procura efectiva) para recuperar.

Na questão do desemprego:

(S = Supply, D=Demand – ou seja, são normalíssimas rectas de Oferta e Procura)

Espanha há muito que tem um salário mínimo muito elevado. Em muitas funções, o salário mínimo é superior ao que geralmente vigoraria no mercado. Se o Salário de acordo com a produtividade fosse A e o salário mínimo é B, naturalmente há menos contratados e daqui resulta necessariamente desemprego. Logo, salários mínimos à Espanhola causam desemprego (e os sindicatos em 2010 ainda o queriam aumentar 8%!)

Naturalmente, causam ainda mais quando eliminam profissões que, por 630 Euros, mais vale não ter. Falo de enchedores de sacos nos supermercados, de atestadores de depósitos nas bombas de gasolina, dos que indicavam os lugares nos cinemas, dos ascensoristas, de policias sinaleiros e de muitas outras profissões hoje desaparecidas de Espanha e de grande parte da Europa (no Brasil eu vi dezenas de profissões que não existem na Europa!).

Resultado: os que trabalham pagam a essas pessoas na mesma: mas pagam mais e não têm nenhum serviço em retorno. E para os que pensam que ao menos os que recebem o subsídio de desemprego estão melhor: a estes foram roubadas profissões de entrada que lhes permitiriam ganhar conhecimentos e hábitos que os colocariam em trajectórias de carreira que lhes permitiriam construir uma vida plena, com amor próprio, respeitabilidade e um salário bem superior. Assim, são ociosos, inseguros de si, e causadores de fricções sociais. Sem o primeiro degrau, é mais difícil subir a escada social!

Espanha viveu anos com um desemprego de 10%. À luz dos salários e produtividades espanholas, este valor tem de ser visto como muito baixo e só possível numa economia sobreaquecida pelo crédito fácil. Quando aquele passou, o desemprego voltou aos valores normais, pouco abaixo do 20%. Está agora a passar os 20 porque… quem esteve no ponto R, tem de passar uma temporada no Q. É a vida.

Deixo-vos com uma citação de Mises para pensarem: “There is no means of avoiding the final collapse of a boom brought about by credit expansion. The alternative is only whether the crisis should come sooner as the result of a voluntary abandonment of further credit expansion, or later as a final and total catastrophe of the currency system involved.”

O legado de Zapatero

Este cuaderno propone buscar cuentos no sexistas, ya que las historias infantiles “suelen estar llenos de estereotipos”, pues “casi todas las historias colocan a las mujeres y a las niñas en una situación pasiva en la que el protagonista, generalmente masculino, tiene que realizar diversas actividades para salvarla”, como son los cuentos de la “Bella Durmiente, la Cenicienta o Blancanieves”.

Esta foi uma das batalhas inventadas por uma mulher que, dizem, poderá vir a ter um papel de relevo no próximo PSOE: banir a Branca de Neve e a Cinderela. O que mais surpreende nesta farsa que já dura há quase oito anos não é o atrevimento ou a intolerância das feminazis; é a falta de sentido de ridículo. E, se a iminente  “promoção” de Aído não for um boato de mau gosto, vamos assistir, entre o divertimento e a náusea, à gratificação desse descrédito do Estado espanhol.

A decadência de um país

…sob o comando de um sacerdote da seita progressista.

Gibraltar: la Royal Navy practica el tiro con una bandera española

El Ejecutivo ni puede pretender convertir le humillante victoria de los piratas en un triunfo de España

Una hipótesis diabólica para el ‘caso Faisán’

Rubalcaba sufre un ataque de ira por Sitel

Estas notícias e comentários anunciam que o caminho que Espanha tem trilhado chegou a uma bifurcação e que agora enfrenta dois ramais, um que pode conduzir o país a uma situação perigosa, outro que o pode transformar numa anedota. Ou, pior ainda, podem acontecer as duas coisas simultaneamente, e teremos finalmente uma Venezuela na Europa (ou outra, dado o estado abjecto em que já se encontra a III república portuguesa), cumprindo-se assim o ideal de Mário Soares e do seu séquito de aprendizes. Esperemos que não seja tarde demais para inverter o rumo. Quanto à economia, já estamos resignados: os estragos causados pelo governo de Zapatero são irreparáveis a curto prazo.