Orbán: Podia ser Pior

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Esta questão do Orbán preocupa-me imenso, pois sou um pessimista e considero que pode sempre ficar pior. Ora imaginem lá que o homem não se dedicava apenas a fechar a Universidade do Soros e apertar uns adversários, mas decidia implementar uma ampla estratégia de censura de modo a condicionar globalmente o debate político?

Imaginem que o Orbán, à semelhança de um certo VP do Parlamento Europeu vinha afirmar que a intenção da UE era afastar determinados partidos do boletim de voto. Equacionem um cenário em que Orbán, ainda que admitindo a falta de provas, empreendia um vigoroso ataque contra um gigante tecnológico estrangeiro alegando interferência externa.

E se ele não se limitasse a correr com os refugiados? E se fosse a casa deles bombardear a malta até à idade da pedra, removendo no processo os líderes de países soberanos e deixando um rastro de morte e miséria? Era capaz de ser bem pior.

E se apostasse em montar um super-estado federal à revelia da população e ignorasse constantemente as decisões desta? Aí teria, claramente, uma grande parte das características de um fascista.

Felizmente a coisa ainda não está tão preta e Orbán ainda não se transformou nisso.

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Entretanto, na Eslovénia…

Eu nem ia escrever nada, mas como o silêncio na comunicação social portuguesa foi ensurdecedor, republico aqui alguns artigos sobre as Eleições na Eslovénia:

Slovenia Elections Tilt Another European Country to the Right, NYT

“I will say what I have said already before: We are for solidarity, but we are against stupidity,” he said, advocating a policy of discouraging migrants from coming to Europe by improving conditions in their own countries.

Slovenia faces political uncertainty after election, Reuters

The president has previously said he would nominate the leader of the biggest party as prime minister in the next couple of weeks but Jansa may struggle to win sufficient parliamentary support to lead the next government.

(e não vai: o Presidente deverá a seguir convidar outros partidos que formarão uma coligação “centrão” enquanto os nacionalistas não têm votos nem apoios partidários)

Slovenian right-wingers try to form government and oust liberals after election gains, Independent

Slovenia could be on course to join the swathe of central and eastern EU members with right-wing anti-immigrant governments after populists made gains in elections.

(…)

Right-wing nationalist parties have come to power in Hungary, Poland, Italy and Austria in recent years, representing a new bloc of largely anti-immigrant politics at a European level.

Slovenia election: Anti-immigrant SDS is largest party, BBC

Slovenian nationalist party set for power after winning election, The Guardian

Janez JansaToda esta onda politicamente correcta, todo este enfiar a cabeça na areia, todo este desprezo pelo crescimento de incompatibilidades entre o Estado Social Europeu e a Política Migratória de Braços Abertos… vai dar mau resultado. Mas em princípio não é no Porto que o martelo vai cair com mais força.