Copyright Europeu

A UE, depois do RGPD, que tem implicações reduzidas além de mails e sms, tem agora um risco muito maior para a liberdade na Europa: a nova lei de Copyright Europeu.

Este desastre inclui 2 provisões muito destruidoras:

  1. Mandatory filtering – Filtros de Uploads para instalar censura
  2. Link taxes – Taxas e taxinhas para cada link de uma fonte

Se esta censura se tornar lei no próximo mês, a prazo isto corresponderá ao fim de pequenas e médias redes sociais, fontes de notícias alternativas, e vídeos de paródias.
Mesmo fontes de notícias oficiais e a blogosfera terão de se adaptar a um mundo em que links para fontes deixarão de ser economicamente viáveis sem grandes contas bancárias a financiar por trás.

flag_of_copyright_europe-640x320.pngE claro: se vocês acham que hoje o que domina a internet é uma cultura excessivamente PC (politicamente correcta), bem então preparem-se pois isto vai cada vez mais assemelhar-se ao Alentejo profundo.

Podem ler mais aqui. Site EDRi.
Julia Reda (ex-SPD, Partido Pirata) alerta aqui.
Podem ver aqui as 145 Organizações que subscreveram uma carta aberta.
E sim, António Costa é fortemente a favor disto e até mais.

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O naufrágio pós-eleitoral

Sinking_Ship (1)

Resumidamente, os que ganharam afinal perderam, os que perderam mais parece que ganharam, os virtuosos da crítica aos políticos viraram políticos e os secessionistas untados de unionistas ficaram a ver navios. Os restantes acabaram como começaram, pelintras. E a CDU, na brincadeira das Europeias, até parece ter brilhado em perspectiva, tarefa facilitada pelo lamaçal que os restantes deixaram.

O pré foi tão mau quanto o pós. Discute-se tudo menos o que verdadeiramente importa: a União Europeia. Da discussão sobre o aprofundamento ou reforma da união, um rotundo nada. Da discussão sobre o acordo transatlântico, um oceano de vazio. Ficamos sem saber que Europa queremos. Aliás, eu sei que Europa quero, ficamos foi sem saber que Europa os políticos que vão passear a Bruxelas querem. A retórica, a do costume: tudo vai mal, os alemães são maus, o Governo péssimo e Portugal seria a Babilónia não fossem os malditos ultraliberais e a Troika.

No fundo, não perceberam nada do que passou. Os 66% de abstenção não são irresponsabilidade, falta de consciência cívica ou ausência de sentido democrático dos portugueses, chavões tão bonitos quanto inúteis e que só servem para encher colunas de opinião. São, isso sim, um atestado de incompetência que, para destoar da geral falibilidade do senso comum, até parece ter acertado. Grassa a incompetência, geralmente aliada com a irresponsabilidade.

Nigel Farage disse, e bem, que o problema não é a Europa, é a União Europeia. Esta União Europeia que acha relevante perder tempo a criar leis que impedem crianças com menos de 8 anos de encherem balões ou que define o grau de curvatura das bananas. Questões pertinentes para quem faz da vida uma vida de fazeres, avassaladoramente irrelevantes para todos os restantes. Perante isto, criminoso seria votar.

Por fim, do porão para o convés, os ratos surgem no Rato. Qual deles emergirá, é irrelevante. A discussão, por iniciar, será a medir instrumentos, qual deles o menor: a minha austeridade é menor do que a tua. Mas quando o rato chegar a São Bento, Hollande já mostrou como se faz. Transformar-se-à num bonito hamster que corre na roda ao ritmo do timbal dos que nos pagam as coisas. E bem vistas as coisas, há coisas mais interessantes para fazer.

Sobre esta União Europeia

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Nigel Farage sintetiza bem qual o sentimento de grande parte dos votantes e não-votantes europeus. O problema não é a Europa, a sua pluralidade, as suas diferenças, a sua riqueza, o seu património, o Norte e o Sul, o Ocidente ou o Leste, os nórdicos ou os latinos. O problema é a União Europeia. Não o conceito de União Europeia — que se quer aberta, num mercado único de livre circulação de pessoas, bens e serviços — mas esta União Europeia, que dedica uma fatia de leão a subsidiar a agricultura na França, que calibra o tamanho da fruta e que regula a quantidade de canela nos bolos. Farage extravasa, contudo, no que à questão da imigração diz respeito. Mas, tirando isso, é a  bottom line do descontentamento europeu.