O livre comércio e os seus opositores

Vital Moreira sobre o TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership) e a “agenda” dos seus opositores

Todavia, tal como noutros países, não faltam as vozes contrárias ao eventual acordo, quase sempre identificadas com a extrema-esquerda protecionista, a que se somam os grupos antiglobalização e “altermundialistas”, que sublinham os alegados riscos sobretudo em matéria de segurança alimentar e ambiental. A sua campanha já chegou a Portugal, a julgar pela imprensa, onde essas posições encontra amplo eco, sem a necessária contradita.

Independentemente do infundado das críticas ao acordo, a campanha assenta numa óbvia fraude política, pois a oposição não é ao TTIP em especial mas sim a todo e qualquer acordo de liberalização comercial. Eles são contra o comércio internacional em geral porque são anticapitalistas, antiliberais e antiglobalização. O seu ideal não confessado seria a Coreia do Norte, Cuba ou os regimes “bolivarianos”.

Engana-se, porém, quem julga que o caso do TTIP está ganho à partida, bastando as suas esperadas vantagens económicas e a sua mais-valia geoestratégica para Portugal. A verdade é que esses grupos são assaz “vocais”, exploram o desconhecimento e receios atávicos, gozam de simpatias fáceis na imprensa e não têm escrúpulos no combate político e ideológico.

Por isso, os partidos e as organizações empresariais e sociais que justificadamente veem no TTIP uma grande oportunidade para Portugal não podem limitar-se oferecer o “mérito da causa”. Têm de lutar por ele.