Tão amigo da indecência

Francisco Louçã na Moita

Francisco Louçã, numa tentativa esvaziada de substância mas devidamente condimentada com maldizer e diz que disse, escreve num blog do Público que Hayek era amigo de Salazar, baseando tal informação numa carta que este escreveu ao então Presidente do Conselho de Ministros alertando para os perigos da democracia. Numa jogada de pluralidade democrática, Francisco Louça censurou o comentário que lhe redigi e em que retorquia a infundada acusação. Após ter tentado submeter por duas vezes o mesmo, e o mesmo continuando censurado, talvez por ressentimento de Trostky ter sido censurado por Stalin, publico-o então aqui.

É lamentável que um professor universitário perca a cátedra e use mera panfletagem para denegrir a imagem de alguém. É pena ou é sintomático de algo pior. Hayek alertou Salazar para algo muito óbvio, que é estudado em ciência política (pelo menos) desde os tempos de Burke: a democracia é a ditadura das maiorias, e como tal pode ser usada para oprimir as minorias. Minorias essas que V. costuma defender em bailaricos de causas. Hayek, e tantos outros liberais, advertiam para a opressão de uma minoria significativa, o indivíduo. Aliás, como bem sabe ou deveria saber, servem as democracias liberais como garrote a este potencial abuso. Quanto à associação que faz de Hayek ao Chile, acho curioso que pegue no que um intersindicalista revolucionário Chileno lhe disse para retratar a opinião de Hayek. Por fim, é interessante recordar a todos os leitores que a ideologia que V. defende gerou a USSR, a China de Mao, a Jugoslávia de Tito, Cambodja de Pol Pot, Albânia de Hoxha, Cuba de Castro e Che, entre tantos outros paraísos comunistas que mancham a história da humanidade com centenas de milhões de mortes. Se o seu melhor rebate ao liberalismo é uma carta de Hayek a Salazar, estamos conversados. Não lhe restam quaisquer argumentos, excepto a maledicência. 

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