“Conseguimos infligir um dano de 30 milhões de euros na companhia”

A juntar aos transtornos causados aos passageiros e aos prejuízos causados no sector do turismo, Hélder Santinhos, responsável do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) ainda se vangloria com os efeitos da greve na TAP afirmando: “conseguimos infligir um dano de 30 milhões de euros na companhia e penso que isso não devia ser desvalorizado pelo Governo”.

Boa Sorte lá com isso, Hélder – vais longe!

TAP, uma história exemplar

Excerto do artigo de Paulo Ferreira no Diário Económico

Recordo uma conversa com década e meia. Estávamos no final dos anos 90 e acompa-nhei o Sérgio Figueiredo, então director do Diário Económico, a um almoço de trabalho com o presidente da TAP, Manuel Ferreira Lima.

Com o jornal em fase de afirmação e crescimento levávamos uma proposta: oferecer o jornal do dia aos passageiros da classe executiva da TAP. Não estávamos a inventar nada porque o Financial Times já o fazia com a Air France. Quando os passageiros da classe executiva entravam no aparelho já encontravam no respectivo assento uma cópia do jornal do dia com um pequeno autoco-lante que dizia “Cortesia da Air France”. Para esta era mais um “mimo” feito aos clientes. Para o FT era uma forma de aumentar a circulação e influência junto de um segmento importante.

Ferreira Lima ouviu, gostou da ideia mas, lamentou, não podia aceitar. Explicou porquê. Colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva – serão 15 ou 20 por avião? – antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral. Uma insignificância que não ocuparia mais de um minuto a um elemento da tripulação era, por isso, impraticável.

Sindicalismo para o Século XXI

O meu artigo intitulado “O mito da exploração capitalistaoriginou uma resposta do Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários, que cito:

Excelente leitura. São hoje as mentes falaciosas que constituem o maior perigo para a estagnação social. O mercado do trabalho, intrinsecamente ligado ao capitalismo, carece de novas mentalidade e, acima de tudo, que mentes retrógradas, como certos responsáveis sindicais com ideais partidários, desapareçam do espectro sindical.

Antes de partir para o cerne da questão que, aliás, motivou a escrita do artigo original, uma nota relevante sobre os sindicatos. Enquanto instituições cuja adesão seja voluntária e que procurem defender os interesses dos seus associados, os sindicatos são estruturas perfeitamente legítimas e recomendáveis numa sociedade democrática. Desempenham um importante papel de auto-regulação do mercado de trabalho. São importantes veículos para denunciar assimetrias e consequentes abusos de poder, que os há, e resultam da interação livre dos agentes num mercado. O sindicato é, afinal, uma instituição que emana do mercado. E se não receber nenhum subsídio, é tão somente isso.

No entanto, um outro tipo de sindicatos existe, como a CTGP-IN, cuja abordagem não é a de reposição de forças entre agentes no mercado, mas a de uma abordagem holística que esconde todo um radical e disruptivo programa político que, em última análise, anula qualquer mercado de trabalho, transferindo o ónus desse empreendimento para uma entidade estatal, a que um dia esse sindicato espera estar ligado. Sindicatos que prejudicam aqueles que prometem proteger, e ainda fazem umas vítimas pelo meio, como inocentes alunos e famílias. Danos colaterais em nome de algo maior, dizem eles. Tal como afirma o SINF, tais sindicatos introduzem mais ruído e instabilidade no mercado do que propriamente benefícios para os seus associados, pelo que devem ser minorados ou extinguidos.

O que as sociedades necessitam é de sindicatos com uma postura contemporânea, adaptados ao mercado livre e que procurem valorizar os seus activos: os trabalhadores. Neste sentido, gostaria de deixar algumas sugestões para linhas de ação para sindicatos que não se revejam nas intersindicais.

  • Desenvolvimento contínuo dos seus associados, promovendo sessões de formação, melhoria contínua e pós-graduação;
  • Parcerias com as empresas no sentido de atualizar metodologias e técnicas de produção, disseminando modelos de gestão lean, produção just in time, 6 sigma, entre outros;
  • Análise competitiva das empresas, colaborando no crescimento da empresa e na progressão na carreira dos associados;
  • Negociação de complementos salariais via capitais próprios (equity), permitindo a integração dos trabalhadores que assim o desejem e que a empresa aceite na estrutura social da empresa — é, aliás, um modelo comummente usado nos EUA e em start ups.

Dado que a adesão aos sindicatos está em eminente queda (estranhamente, excepto em Portugal, claro está), esta é uma boa oportunidade para se reformarem e redefinirem, tornando-se estruturas úteis às sociedades e aos seus associados e não somente aos sindicalistas que delas vivem e que delas comem. É a parasitagem a dar lugar à simbiose.

Pérolas

A comissão de trabalhadores da RTP é um achado. Há muito que não me divertia tanto com as declarações de um sindicalista.

Camilo Azevedo, da Comissão de Trabalhadores da RTP, afirmou no final do plenário que “a luta não é só pelo serviço público, é por toda a comunicação social, pelas televisões privadas(…)

“Se o Governo não sabe gerir a RTP, também não sabe gerir o país”, vaticinou, questionando as opções do Executivo.

Come, filho, que te faz bem…

Óleo de Fígado de Bacalhau

Proposta do Pingo Doce: Vem trabalhar no 1º de Maio, recebe a triplicar, e ainda tens direito a um dia de folga adicional.

Proposta dos sindicatos: Vem mostrar ao país que quem manda nisto somos nós (sindicatos). Desta vez, como prémio, nem te obrigamos a deitar um dia de salário para o lixo.

Resultado: Os funcionários do Pingo Doce borrifam-se na parada sindical dos donos do 1º de Maio, com os agradecimentos da população.

Bem sei que os comunistas e quejandos têm grandes dificuldades em perceber aquele preceito básico da economia que diz que as pessoas respondem a incentivos mas a mim parece-me que quem está a precisar de uns estágios, não sei se necessariamente na Suíça mas o Prof. Dr. Pedro Lains será a pessoa indicada para nos esclarecer isso, são os sindicatos e em particular a CGTP.