Em plena “silly season” (4)

O autarca foi chamado no âmbito da análise da providência cautelar que interpôs contra a empresa proprietária da revista Porto Menu, gerida por Manuel Leitão. O empresário colocou na capa da última edição a inscrição “Rio és um FDP”. O autarca garante que foi insultado de “filho da puta”, Leitão diz que quis chamar-lhe “fanático dos popós”.

Perante a pergunta da juíza Lina Baptista sobre se tinha “uma paixão profunda por automóveis”, Rio foi sucinto:: “Não”.(…)

Depois de ser ouvido, já à porta do tribunal, Rui Rio criticou o facto de ter sido chamado a esclarecer se era um fanático dos popós, garantindo que este é mais um exemplo “de como está a justiça portuguesa”, e declarou-se “triste” pela “forma como o tribunal está a tratar isto”. “Sinto-me triste, nunca pensei chegar a esta idade e ver o regime a degradar-se como está”, afirmou

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Em plena “silly season” (3)

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Recentemente, o jornal i perguntou a Vasco Graça Moura qual seria a sua primeira medida caso fosse ministro ou secretário de Estado da Cultura. Graça Moura respondeu: “provavelmente seria pedir a demissão”, no sentido de que não quereria ocupar nenhum dos cargos. Carlos Zorrinho, astuto líder parlamentar do PS, ofereceu à humanidade a sua inter-pretação da frase: dado que o secretário da Cultura depende do primeiro-ministro, Graça Moura pediu a demissão do primeiro- -ministro durante uma entrevista em que se fartou de o elogiar.

Há dias, o referido Pedro Passos Coelho gritou: “Que se lixem as eleições, o que interessa é o bem de Portugal”, no sentido, talvez fingido, de que se deve governar no interesse de todos ao invés de o fazer em benefício das próprias clientelas. Num ápice, o dr. Zorrinho explicou que quem se está a lixar para as eleições está a lixar-se para os eleitores.

Assim é difícil. Uma coisa é a sofisticação do nosso debate político andar pelas ruas da amargura. Outra é o deputado Zorrinho conduzir o debate pelos becos da radical incompreensão. Não tarda, sempre que um membro do governo ou alguém conotado com o PSD disser “Bom dia!”, logo saltará o dr. Zorrinho a explicar que o sujeito em causa afirmou claramente o nojo ao povo português e o desejo de que este padeça vítima de calamidades diversas. Para cúmulo, não adiantará ao sujeito tentar esclarecer o equívoco, já que o dr. Zorrinho usará o esclarecimento a fim de acusar o infeliz de maldades ainda piores. Consta que o dr. Zorrinho ensina Gestão da Comunicação. Ensina, não aprende.

Em plena “silly season” (2)

Num jantar com deputados do PSD, com alguns ministros e com a presidente da Assembleia da República, Pedro Passos Coelho disse que não queria saber para nada de eleições (que se “lixem” foi a expressão). Houve logo algumas pessoas biblicamente estúpidas para interpretar a frase de uma maneira que nem a ocasião nem o contexto permitiam. Uns concluíram que o primeiro-ministro se estava a “lixar” para a democracia. Outros – o que não passa de uma variante – que a opinião dos portugueses não lhe interessava. Quase ninguém percebeu (ou muita gente resolveu fingir que não percebia) o que Passos Coelho claramente comunicou às suas tropas. A saber: que o Governo não mexeria um dedo para ajudar o partido na série de eleições que se aproximam (Açores, câmaras, Parlamento Europeu)

Vasco Pulido Valente no Público. Leiam aqui a versão integral.

Confiram as delirantes interpretações de Daniel Oliveira, Carlos Zorrinho e Arménio Carlos.

1 ano de Médio Oriente – Isto não é a Estónia

 

Poderia escrever um livro sobre o prazer que dá (deu) visitar alguns países do Leste Europeu enquanto homem solteiro e descomprometido. Todos aqueles que já passaram pela agradável situação saberão do que estou a falar, e aqueles que não o fizeram dificilmente acreditarão naquilo que lhes poderia dizer, pelo que o melhor não entrar em detalhes. Em conversas com pessoas que passaram pela mesma agradável situação, as explicações adiantadas para o facto são diversas: a diferente natureza das locais, o regime comunista que terá atirado muita daquela população para o ateísmo libertando-as das amarras morais da religião, o frio, o consumo de bebidas pesadas, a atracção pelo exótico visitante estrangeiro,… Mas a explicação poderá ser bem mais simples e de natureza económica (salvo seja): procura e oferta. Olhando para o ranking do rácio de homens por mulher, os países que aparecem classificados nos últimos lugares são:

 

Estonia 0.84 male(s)/female

Ukraine 0.86 male(s)/female

Russia – 0.86 male(s)/female

Latvia – 0.86 male(s)/female

Belarus – 0.87 male(s)/female

Lithuania – 0.89 male(s)/female

Armenia – 0.89 male(s)/female

Aruba – 0.91 male(s)/female

Hungary – 0.91 male(s)/female

Georgia – 0.91 male(s)/female

Moldova – 0.91 male(s)/female

Monaco – 0.91 male(s)/female

Virgin Islands – 0.91 male(s)/female

(retirado daqui)

 

Nos países de Leste europeu um homem é um bem (serviço?) raro e apreciado. O outro extremo da tabela parece suportar esta explicação:

 

United Arab Emirates 2.19 male(s)/female

Qatar 1.85 male(s)/female

Kuwait 1.53 male(s)/female

Bahrain 1.25 male(s)/female

Oman 1.24 male(s)/female

Saudi Arabia 1.20 male(s)/female

Palau 1.12 male(s)/female

Greenland 1.11 male(s)/female

Jordan 1.10 male(s)/female

Grenada 1.08 male(s)/female

(retirado daqui)

Neste extremo estão os países árabes, onde as mulheres serão o bem raro e os homens o bem abundante. Nestes países, as restrições ao convívio com as indígenas são maiores que em qualquer outra parte do Mundo. Talvez por ser mais rara e mais valorizada, os homens terão tendência em protegê-las mais, em especial dos visitantes. Esta protecção chega a estar presente na lei: por exemplo, nos EAU uma mulher que se case com um cidadão estrangeiro perde o direito à nacionalidade. Outras restricções impostas à vida social da mulher também poderão encontrar justificação neste facto.

A economia do sexo tem obviamente muito que se lhe diga mas uma coisa é certa: os homens estrangeiros na região do golfo demoram pouco tempo a percebera mensagem: com as mulheres locais, não há convívio. Isto não é a Estónia.

1 ano de Médio Oriente – O motor de crescimento

Desenganem-se aqueles que pensam que o desenvolvimento do Dubai se deve às receitas do petróleo. As receitas do petróleo são hoje insignificantes no total do PIB do Dubai. Com um dos aeroportos mais ocupados do Mundo, o Dubai é hoje uma plataforma giratória para negócios nos países do Médio Oriente, África e Subcontinente indiano. Um ambiente business-friendly, um estilo de vida ocidentalizado e, mais uma vez, a não existência de impostos sobre o rendimento, fazem com que executivos do Uganda ao Afeganistão, passando pela Arábia Saudita, Iraque e até a Rússia, optem por estabelecer residência nesta cidade. Da mesma forma, as empresas a operar nesses países preferem estabalecer as suas sedes no Dubai. Algumas gerem mesmo as suas operações a partir daqui.

Outra das fontes de receita da Cidade é o turismo, provavelmente a menos previsível de todas, tendo em conta a falta de belezas naturais ou interesse histórico do Dubai. Já tendo passado pela experiência de ter que mostrar a cidade a visitantes, posso assegurar que é extremamente complicado encontrar atractivos semelhantes aos que se encontram noutras cidades do mundo. Todos os atractivos deste país são artificiais e construídos nos últimos 10 anos: lagos artificiais, ilhas artificiais, montanhas de neve artificiais, hotéis esplendorosos e edifícios que batem um qualquer record. Também assim se compreende a procura incessante de novas formas de surpreender e manter-se sob as atenções do Mundo. É neste contexto que surje a Falconcity of Wonders que se prepara para revolucionar o turismo mundial, concentrado num só local réplicas em tamanho real da torre Eiffel, do Taj Mahal, Torre de Pisa, Pirâmides de Gizé, etc. O Dubai, não tendo qualquer tipo de passado para oferecer ao turista, está a construí-lo hoje. Não se pense porém que estas ideias são financiadas por dinheiros públicos. Na altura em que escrevo este post, ainda este desenvolvimento imobiliário está só no papel e já foi pago quase na íntegra por investidores privados. Hotéis, moradias e apartamentos das duas primeiras fases do empreendimento foram todos vendidos ainda no papel. Claro que tal só é possível com uma administração pública ágil a aprovar projectos, que tenha em maior consideração qualidade de vida dos seres humanos que de outros seres vivos. Em Portugal qualquer um dos empreendimentos que fazem furor no Dubai demorariam anos, décadas, a ser analisados e muito provavelmente seriam rejeitados pelos seus efeitos perversos no crescimento do Eucalipto de Rio Maior, no stress da abelha preta ou na reprodução do salmão. Veja-se como exemplo o caso da Nautilus, um projecto que seria vulgar no Dubai, mas se revelou demasiado ambicioso para o Algarve.

1 ano de Médio Oriente – A motivação

(Aproveitando a silly season, inicio hoje uma pequena série de textos que descrevem algumas das impressões sobre o meu primeiro ano no Médio Oriente (Dubai), que se completará na próxima semana.)

Em Portugal vive-se num ciclo vicioso no mercado laboral. São colocadas restrições às empresas no mercado de trabalho com a desculpa de existir desequilíbrio de poder negocial de ambas as partes. Claro que essas imposições apenas contribuem para reduzir o número de empresas no mercado, aumentando a capacidade negocial das que se mantêm. Um novo ganho de poder negocial, justifica novas medidas que equilibrem o poder negocial. Mais uma vez essas medidas só acabam por retirar empresas do mercado e dar maior poder negocial às que se mantêm. Conseguimos assim chegar a um ponto em que qualquer pessoa que não queira ser funcionário público, se veja na difícil situação de nem ter grandes condições para estabelecer uma empresa, tal é o número de restrições, e ter uma tremenda falta de oportunidades no mercado de trabalho. Passado o obstáculo da entrada no mercado de trabalho, um outro obstáculo se apresenta: a carga fiscal. Somando o valor pago de IRS, com as contribuições para a segurança social de empregador e empregado, mais o IRC e IVA pagos sobre a mais-valias criadas pelos empregados, o estado deverá absorver em média mais de 60% do valor criado por um trabalhador privado. Não foi por isso com surpresa que recebi a proposta para fazer no Dubai o mesmo que fazia em Portugal, recebendo perto de 3 vezes mais. Num país em que não há IVA, IRS ou IRC e que todo o trabalhador está a um mês de ser despedido, as empresas podem distribuir mais dinheiro pelos seus trabalhadores e fazem-no efectivamente. A diferença é ainda maior se pensarmos em termos do nível de poupança. Para alguém que poupe 20% do seu salário todos os meses, duplicar o seu salário real, mantendo a mesma estrutura de custos, corresponde a sextuplicar as poupanças. Sextuplicar as poupanças corresponde a dividir por 6 o tempo de vida activa, ou multiplicar pelo mesmo valor o nível de vida no final desse período.

Expostos que estão os cálculos, por esta altura já terá ficado evidente o (principal) motivo que me trouxe ao Médio Oriente. Este motivo é o mesmo que traz centenas de europeus todos os dias: um salário mais elevado e livre de impostos.