Para Que Serve a Televisão Pública? Intervenção do Chega Censurada No Dia 30 de Outubro.

Via o Gato Político no twitter e que pode ser observado por qualquer leitor que tiver uma box de televisão que possa ver programas dos dias anteriores.

Custa a acreditar, mas em pleno século XXI em Portugal, existe uma televisão pública, financiada com o dinheiro de todos nós, que no passado dia 30 de Outubro, que durante o seu programa “3 às 16” na RTP3 entre as 16:36 e as 16:41 interrompeu a emissão em directo do parlamento durante cinco minutos, cinco minutos esses que coincidiram com a intervenção do deputado André Ventura do Partido Chega. E qual foi a justificação apresentada para censurar a intervenção de um deputado eleito de forma absolutamente legítima? “Voltaremos à emissão quando assim se justificar“.

A liberdade de expressão significa precisamente que se possam expressar pontos de vista diferentes, contrários e muito incómodos. Por muito que se discorde ou antipatize com uma pessoa, nunca se lhe pode retirar a voz e a oportunidade de expressar livremente a sua opinião. E já agora, historicamente, a censura acaba por ter sempre o efeito oposto ao pretendido – em vez das ideias serem abafadas, são amplificadas.

A Coreia do Norte aqui tão perto…

Uma manifestação inequívoca da importância do serviço público de televisão

RTP paga 18 milhões e tira Champions à TVI

Foram 18 milhões bem empregues. De outra forma os jogos teriam sido transmitidos num canal privado em sinal aberto. Pago exlusivamente por publicidade.

ADENDA: Rodrigo Moita de Deus (31 da Armada)

O mesmo país que se indigna porque os assessores do governo ganham 1800 euros não se incomoda que a televisão pública pague 18 milhões de euros para vermos os jogos do Bate Borisov e do Shakhtar.Ficamos chocados com os ordenados dos deputados mas deixamos que estas coisas sejam anunciadas como se fossem normais. (…) Estão de parabéns todos aqueles que, há três anos, descobriram o “interesse do Estado” na integridade da RTP. Espero tenham percebido hoje a figura que fizeram. A rapaziada do costume agradece. Palermas.

Quanto menos se souber melhor

Meios & Publicidade

A Comissão de Trabalhadores da RTP decidiu apresentar queixa de Mário Crespo ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas e uma outra à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista pelas referências que o pivô tem feito aos custos da RTP no final do Jornal das 9, espaço que conduz na SIC Notícias.(…) Recorde-se que Mário Crespo tem vindo a despedir-se dos espectadores com frases como “passou mais um dia e a RTP custou mais um milhão de euros.

Acho que acabou de descrever a situação actual da RTP

Da mesma notícia do Público, uma curiosa objecção de um óbvio constestário da possibilidade de privatização da RTP e concessão a privados do serviço público de televisão:

António Pedro Vasconcelos alertou para os perigos de “mais um canal comercial, que iria concorrer no mercado publicitário, ainda por cima pago cidadãos”.

Pérolas

A comissão de trabalhadores da RTP é um achado. Há muito que não me divertia tanto com as declarações de um sindicalista.

Camilo Azevedo, da Comissão de Trabalhadores da RTP, afirmou no final do plenário que “a luta não é só pelo serviço público, é por toda a comunicação social, pelas televisões privadas(…)

“Se o Governo não sabe gerir a RTP, também não sabe gerir o país”, vaticinou, questionando as opções do Executivo.

Retrato de um país disfuncional

A duas semanas do arranque do campeonato de futebol, o cenário parece quase uma certeza: os jogos da I Liga deverão, pela primeira vez, ser transmitidos apenas pela televisão paga, através da SportTV. O canal já avisou mesmo a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e a Autoridade da Concorrência que ninguém quis comprar os direitos televisivos.
(…)
Apesar de a lista dos eventos de interesse público que devem ser emitidos em sinal aberto incluir um jogo por jornada e de a lei da TV dizer que isso é obrigatório, não há qualquer sanção se essa norma não for cumprida nem é possível obrigar a SportTV a vender ou os canais a comprar.

Ao mesmo tempo que o país atravessa uma grave crise financeira e econmómica manda um tal “interesse público” que se garante a transmissão de jogos de futebol em canal aberto. E ainda há uma tal ERC que vai perder tempo analisar a não concretização daquilo que não é mais que um negócio privado. Palpita-me que isto vai dar direito ao rasgar as vestes e a pedidos de intevenção por parte de políticos e analistas.