Como derrotar Rui Moreira

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Segundo a imprensa nacional, Rui Moreira trocou as voltas ao PS, o  que é um tremendo exagero. O Presidente da CMP deixou os papagaios que dirigem o partido do governo fazer o que estes de melhor fazem, retirando daí o respectivo casus belli. O PSD, à falta de candidato para as duas principais cidades do país, regozijou-se de imediato. Passos Coelho ergueu-se do mundo dos mortos para onde a insignificância do seu discurso e da sua estratégia política o conduziram para arremessar uma bicada ao Partido Socialista e os seus correlegionários, no Porto, abrem champanhe. Mas aqui colocam-se vários problemas que, a meu ver, ainda não surgiram à massa laranja.

Em primeiro lugar, e apesar das circunstâncias, o PS tem um candidato conhecido da cidade, com obra feita – não estou aqui a avaliar a mesma – neste mandato. Ser-lhe-á complicado atacar Rui Moreira, mas o PSD aqui não fica em melhor figura, pois desta feita tem uma figura de peso que, neste xadrês autárquico, pode e deve apostar, não na derrota de Moreira, mas na derrota do PSD, procurando o segundo lugar.

Ao mesmo tempo, o já aparvalhado e oco discurso do PSD Porto perde fogo – se é que alguma vez o teve. E por isso, com uma amabilidade que não me é característica, elenquei algumas hipóteses, partindo, é claro, do que o PSD já tem demonstrado ser o seu foco: acusar Rui Moreira de coisas.

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Rui Moreira e as expropriações à Estado Novo

“Se porventura pensarem que vão expulsar [cafés e lojas históricas] resistentes da cidade, saibam que a Câmara do Porto utilizará todos os recursos legais ao seu alcance para o impedir. Para sermos claros, no Estado Novo usavam-se expropriações por esta razão”.

(…)
“Não consigo imaginar a cidade sem o [café] Guarany, sem o [café] Majestic, sem a Loja das Sementes”

Salazar inicialmente não se via como de esquerda ou de direita. Era simplesmente um pragmático com uma missão: salvar o seu país.”todos os recursos legais ao seu alcance

Rui Moreira também tem uma missão: salvar os espaços tradicionais da cidade, utilizando “todos os recursos legais ao seu alcance”, não hesitando em evocar o Estado Novo para esclarecer o alcance das suas afirmações.

Cada um escolhe a bitola pela qual quer ser referenciado. Já ouvi muitos ataques aos direitos, liberdades e garantias fundamentais por parte de políticos da III República. Este é um dos mais claros, contundentes e graves ataques ao direito de propriedade. Uma pessoa sem direito à sua propriedade perde o direito ao seu passado e aos respetivos frutos – um forte desincentivo ao esforço fundamental para a recuperação económica.

É também um ataque gravíssimo ao Princípio da Certeza Jurídica, um princípio repetidamente reiterado pelo Tribunal Constitucional como um dos mais relevantes do nosso documento fundamental.

E por fim é um sinal de prepotência. Quero, posso e mando. Demonstrador de um defeito grave de personalidade num dirigente em democracia. Que será recordado em futuras eleições – aquelas coisas chatas que há de 4 em 4 anos e que podem tirar o pequeno ditador do posto que por demérito alheio ocupa.