Saber não basta

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Dizia Rothbard que a iliteracia económica não é nenhum crime, observação por demais evidente. Penoso é permanecer nesse estado de ignorância e, obstante esse estado, assertar juízos e pareceres económicos que podem levar à tomada de más decisões ou desinformar terceiros.

Altivada pela condição de investigadora em história, historiadora (sic) e connoisseur de uma ciência económica mais lúgubre que o pior dos temores de Carlyle, Raquel Varela empandeira-se de assertividade para constatar o que não pode ser obviado:

“Se nós produzimos 100 e temos 130 para pagar, é óbvio que não é pagável.”

O JCD, o RAF e o AAA já comentaram e dilaceraram bem o assunto e a falácia incorrida, a de confundir variáveis de stock com variáveis de fluxo. Serve este artigo apenas para notar a ironia da fineza. Michał Kalecki, um economista neo-marxista que certamente estará próximo do perímetro ideológico de Raquel Varela, costumava dizer que a economia era “a ciência de confundir stocks com flows”. De facto, é. Kalecki não podia estar mais certo. E Raquel Varela domina essa ciência económica com admirável destreza.

3 Tipos de Liberais Económicos

Existem basicamente (claro, pode-se esmiuçar muito mais) 3 tipos:

1. Anarco-capitalistas ou simplesmente Anarquistas – Seguindo a tradição de Rothbard, defendem Estado 0. Mas Zero mesmo. Segundo estes, o Estado é Imoral (retira o que o Povo por intenção não lhe daria), ineficiente (vá, esta não tenho de justificar…) e é definido por ser “o Agente com monopólio do uso da força numa dada geografia”.

Defendem que se o Estado não é capaz de lidar com os Correios, também não lhes devemos confiar o “botão vermelho” (do arsenal nuclear). Defendem assim uma defesa à Suiça, tribunais arbitrais, empresas de segurança privada e a liberdade absoluta de contrato. Deduzem todas as suas regras baseando-se no primado dos 3 direitos essenciais: à Propriedade (direito a manter os frutos do trabalho passado), à Liberdade (liberdade de fazerem o que quererem – sendo responsáveis pelas consequências) e à Vida (direito ao futuro). Podem ver a sua filosofia explícita neste vídeo de 8 minutos.

2. Minarquistas ou Defensores do Estado Mínimo – Seguindo a tradição de Mises, defendem o Estado Mínimo que garanta, na tradição de Adam Smith, “Paz, Impostos Baixos, e uma Tolerável Administração da Justiça”. O Estado existe apenas para permitir às forças do mercado operarem e, como árbitro, nunca se deverá tornar jogador em qualquer sector: seja ele educação, saúde, telecomunicações, redes básicas (utilities), ou qualquer outro.

3. Monetaristas ou pertencentes à Escola de Chicago – Segundo a tradição de Friedman, defendem um estado mínimo em termos fiscais, mas defendem depois todo o tipo de Intervenções no Mercado Monetário, onde o Estado ou uma entidade “independente” deste possa regular a moeda.

Eu chamaria os primeiros de Ultra-Liberias, os segundos de Liberais Clássicos e os terceiros de Liberais Soft, mas isso talvez seja já o meu Misesianismo a falar.

A 1ª e a 2ª são mais coerentes e mais académicas, enquanto a 2ª e a 3ª a mais fáceis de defender politicamente (Anarquismo não cai bem entre políticos, havemos de convir…).

O 1º e o 2º são defendidos pelo Instituto Ludwig von Mises, enquanto o 3º é defendido pelo Instituto Cato.

Podem consultar material para estudo, ver vídeos e consultar páginas dos Institutos nesta página de Links.