Sobre os tais cortes na Educação

Concordando com o Relatório do FMI no que toca à Educação, devo acrescentar que não admito que o Governo mexa nas propinas sem antes tratar dos professores, seja na quantidade, seja na remuneração A raison d’être do sistema de ensino é, em primeiro lugar, a formação, não o emprego dos formados.

O custo médio de um aluno nos ensinos básico e secundário, que ronda os 4415 euros, deve servir de base para uma reforma estrutural, que reduza custos, aumente a concorrência e, sobretudo, a autonomia e a competência das escolas. O mesmo vale para o ensino superior onde, a serem aumentadas as propinas, não poderão deixar de ser criados/reforçados mecanismos – envolvendo ou não a banca privada – que possibilitem a todos o acesso. Se é verdade que uma visão estritamente social condenou a geração presente, uma visão estritamente tecnocrata nesta área poderá vir a condenar a geração futura.

João Duque gosta de brincar…

JOÃO DUQUE à Renascença: “Pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

João Duque diz que os reformados de hoje descontaram os que lhe pediram e que agora têm direito à reforma calculada. Mesmo que tivessem pago 35% durante 32 anos e, reformados aos 50 anos, possam ainda receber 90% durante cerca de 30 anos – uma situação em que eu conheço vários casos – essa situação é justa porque as “pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

Ele estará a brincar? Quem paga esse enorme diferencial? Estarei eu – que estou na casa dos 30 – condenado a pagar para sustentar esta enorme injustiça durante anos (décadas?) e no fim receber umas palmadinhas nas costas e um pedido de desculpas? Porquê – Porque alguém prometeu algo a alguém antes de eu nascer? E eu, tenho de sair do país para evitar participar neste desastre em câmara lenta?

Passos Coelho é um amigo do Estado Social e está a tentar salvá-lo.  Se ele falhar creio que o Sr. Duque vai gostar ainda menos da alternativa…