Rui Rio: Um Erro de Casting

Vi ontem parte do frente-a-frente entre Rui Rio e Jerónimo de Sousa. Foi um debate algo maçudo, mas houve um momento que me deixou bastante perplexo. A certa altura, Rui Rio gaba-se de ter sido ele pessoalmente a inscrever no programa eleitoral do PSD a medida de penalizar fiscalmente as empresas privadas que pratiquem maiores discrepâncias salariais. E qual foi a sofisticada explicação que Rui Rio deu para defender esta medida? Simplesmente porque “não achava justo“.

Jerónimo de Sousa usou a mesma sofisticada argumentação para defender as 35 horas no sector privado (porque achava que era “um avanço civilizacional”) e um salário mínimo de 850 euros (porque achava que para ter uma vida condigna, um trabalhador devia ganhar no mínimo esse valor).

Chegamos a um ponto em que um político, porque acha uma coisa justa ou injusta, porque gosta ou não gosta de determinada coisa – e ainda que diga respeito apenas a terceiros; se sentem no direito de legislar no sentido de proibir, obrigar ou penalizar essa mesma coisa.

E é isto a nata da classe política em Portugal. Sem inteligência, sem pensamento crítico, sem preparação técnica e com toques ditatoriais. Basta ter uma opinião sobre determinada coisa que é suficiente para transformar essa opinião em lei, sem ter em conta as liberdades individuais e a realidade económica. É bem verdade que por detrás de um político auto-proclamado “defensor da liberdade” está na realidade um pequeno tirano.

A noticia abaixo é sobre o bloco de esquerda, mas com Rui Rio a liderar o partido social democrata, podem substituir Bloco por PSD que a notícia fica igual.

Leitura complementar: Podem Começar Com o Benfica

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O PSD Não É Um Partido De Direita

Agradeço o esclarecimento (algo que já era mais do que óbvio) de Rui Rio sobre o posicionamento político actual do PSD. Rui Rio afirma que “o PSD não é um partido de direita”. O presidente do PSD afirma ainda que  “disputa mais eleitorado ao PS do que ao CDS”.

Caro Rui Rio:

  1. Se conseguisses manter o eleitorado que votou em Pedro Passos Coelho em 2016 já fazias muito. Acho que te devias focar primeiro no “eleitorado do PSD”.
  2. Admitindo que há uma grande parte do eleitorado Português que se assume e revê politicamente à direita, porquê desprezar e empurrar estes eleitores para o CDS-PP e para a Iniciativa Liberal? O PSD está numa posição tão confortável que pode abdicar assim destes votos?
  3. Socialismo por socialismo, as pessoas tendem a preferir o partido original e não a cópia.

A imagem acima foi retirada daqui.

A direita não devia apoiar a recandidatura de Marcelo

Para não fugir à regra, mais um claro e sólido artigo do André Abrantes Amaral no Observador.

 Marcelo não só representa o atavismo da sociedade portuguesa, com a leviandade e a futilidade que caracteriza a forma como exerce o cargo (e que tanto jeito dá à esquerda), como entra em contradição com a necessidade de abertura do país a uma alteração comportamental e a um corte profundo com a protecção injusta atribuída a certos sectores.

[…] PSD e CDS ainda não perceberam que o eleitorado que representam em 2019 não é o mesmo de 2009. Não perceberam estes partidos, nem parece que o tenha percebido Marcelo.

Diz Que É Uma Espécie De Partido De Direita

Agora que a lei Uber entra em vigor, podem agradecer ao PSD um aumento dos preços a pagar pelos clientes.

Uma das primeiras coisas para as quais se deve preparar é para o pagamento de uma nova contribuição ao Estado, que incide sobre o valor da comissão retirado por cada viagem (aliás, este valor passa a estar limitado a 25%). Terá de pagar ao Estado uma contribuição “única de 5%” sobre as receitas obtidas por viagem.

A imagem abaixo foi retirada daqui.

O CDS Feminista

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Foi ontem anunciado que será aprovada na AR a mudança da funesta Lei da Partidade, com o aumento da percentagem prevista para 40% e o alargamento do critério a todos os órgão politicos electivos. Na minha curta jornada pelo mundo da política já conheci, pessoalmente e pela via literária, uma imensidão de opiniões dentro das próprias ideologias, mesmo dentro das direitas, diversidade essa, em muitas ocasiões, bem fundamentada. Ora eu já conheci pessoas de direita, incluindo bons conservadores, defendendo a legalização das drogas leves ou da prostituição e socialistas que se lhe opunham. Já conheci quem de direita se opusesse à liberalização do porte de arma para defesa pessoal ou fosse um ambientalista fervoroso – como este que vos fala – e socialistas que optassem pelas posições contrárias. Muito se pode escrever acerca destas questões e muito se pode e se tem teorizado sob o seu enquadramento, legítimo ou não, à luz das ideologias relevantes.
O que eu nunca conheci pessoalmente, nunca encontrei nos livros, nem nunca ouvi num podcast foi uma feminista – nos moldes em que actualmente o feminismo se enquadra, na sua terceira via – que fosse de direita. Sendo improvável a existência de um cavalo com asas, nem pelas leis da biologia nem pelas da física, é mais provável eu ter exagerado nos shots de tequila do que estar na presença da mítica criatura. O que me leva a concluir que, dada a diferente natureza entre os fenómenos da própria e os ideológicos, quando me deparo com a primeira pessoa, supostamente à direita, que se diz feminista, é mais provável essa pessoa não ser, de facto, de direita do que estarmos na presença de um cisne negro, terminando eu a indagar acerca do escombro do espectro político em que a Presidente do CDS habita. Dito isto, revivo o debate que se acendeu pelas posições tomadas, na AR, por um deputado do partido, debate esse que gerou páginas de discussão na imprensa, no Facebook, na blogosfera e nas suas caixas de comentários, pois dizia-se ser impensável o partido ser tão complacente a uma suposta violação grave da matriz do partido.

Continue a ler “O CDS Feminista”

Evoluções nas Eleições Autárquicas (PSD)

Antes de fazer alguns breves comentários, aqui está a evolução das Presidências de Câmara do PSD (a azul: coligações com CDS, a preto: coligações com outros).

PSD

Agora a evolução da mesma variável, mas para o PS (vermelho para coligações).

PS

O resultado das Autárquicas de 2013 tinha sido o pior de sempre, com 106 Câmaras.

O PSD teve agora uma derrota devido a diversos factores:

  1. A incapacidade do PSD de cativar os “Grupos de Cidadãos” por todo o país.
    Quase todos esses grupos são de pessoas à direita que não se revêem no PSD, o que é grave para o partido e para a direita em geral.
  2. Mudança de ciclo em 2013, com a “extinção dos dinossauros” que não se puderam recandidatar, logo no ano em que o partido estava no poder a impor políticas de aperto de cinto impostas pelo endividamento de Sócrates. Sem dinossauros, perderam-se várias câmaras e agora em 2017 estas não se recuperaram.
  3. Costa subiu pensões pouco antes das eleições. Ganhou o PS, ganharam as câmaras instaladas, reforçaram-se maiorias (ex: Santarém e Faro são Câmaras PSD que estavam 4-4-1 e agora estão 5-4, dispensando em ambos os casos o vereador comuna). À custa do endividamento, mas isso que se dane. Depois vê-se.
  4. Desgaste da “marca“, associada hoje à austeridade, que certos comentadores dizem que o PSD fez por “prazer” (!) e ideologia (!) liberal (lol), como se um partido político não tivesse prazer em ser popular. Aguardo novo ciclo, que terá de ter este ponto em consideração (populismo? despesismo? austeridade de rosto humano?).
  5. Incapacidade de Passos se impor a opções locais e apostar em candidaturas fortes. 10% em Porto e Lisboa. 4º em Gondomar e Matosinhos. Perda de São João da Madeira e Oliveira de Azeméis. Todas estas derrotas pesadas poderiam ter sido pelo menos mitigadas com candidatos mais fortes.

Na minha interpretação, uma perda de 7% das câmaras é uma derrota, mas não é uma derrota catastrófica – à PCP, ou como a do PS em 1979, ou do PSD em 2013.
Passos cai não pelos resultados autárquicos mas também por causa dos resultados autárquicos. Estes vêm no seguimento de uma liderança que perdeu os media, perdeu as universidades (culpa de Passos, que instalou Bilhim), tem vindo a descer nas sondagens para legislativas, tem um discurso cansado à espera da queda da geringonça, tem vindo a perder apoio nas estruturas, e que agora depois de tudo isto tem uma derrota nas autárquicas. As Autárquicas foram a gota de água. Nos próximos dias veremos o futuro.