Sondagem Diária RTP (20/Set/2015)

Fica aqui a actualização de hoje da sondagem RTP realizada pela Universidade Católica – CESOP. A coligação Portugal à Frente volta a perder um ponto percentual em relação ao Partido Socialista registando uma distância de cinco por cento.

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O Euro, a Grécia e a campanha eleitoral em Portugal

Cataventos

Ricardo_campelo_MagalhaesO meu artigo de ontem no Diário Económico:

“A democracia matou o padrão ouro”. Charles Rist referia-se ao aumento da pressão por programas de redistribuição que obrigam governos a obedecer ou a sair na próxima eleição. A situação do euro prova mais uma vez como esta frase foi profética.

O povo não compreende as vantagens de uma moeda forte,as elites políticas acreditam que compensa retirar um euro a dez milhões para dar um milhão a dez apoiantes, e quem devia explicar a falácia da composição prefere tentar beneficiar do sistema, empurrando o problema para a frente.

Assim, o sistema gera políticos como António Costa: no verbo, solidário com todos e disponível para todos os esquemas redistributivos; na ação, focado na sua sobrevivência a qualquer preço e nos que lha possam proporcionar. Logo, ora o Syriza é a esperança da Europa quando ele ganha, ora se distancia quando aquele leva a Grécia ao abismo; ora promete mais despesa do Estado, ora afirma a sua fé no euro para todos.

Nos próximos meses, o PSD será o oposto da Grécia, o PS será o seu reflexo: um partido que defende tudo e o seu contrário, cheio de conflitos e contradições, incapaz de tomar posições firmes, e em que a única certeza é que vai navegar para onde sopre o vento.

“Crescimento e Emprego”

Dados hoje revelados pelo INE indicam que o PIB de Portugal cresceu 0,9% em 2014 após ter após ter diminuído 1,4% no ano anterior. No quarto trimestre de 2014 registou-se um crescimento de 0,5% em relação ao trimestre anterior e de 0,7% quando comparado com o quarto trimestre de 2013.

PIB2014

Já em relação ao desemprego, o INE regista uma taxa de 13,3% em Janeiro de 2015 o que representa uma descida de 0,3% (em termos absolutos) em relação a Dezembro de 2014. A taxa de desemprego jovem por sua vez situou-se em Janeiro em 33,6%, tendo diminuído 0,2 % (em termos absolutos) relativamente ao mês anterior.

DesempregoJan2015

Não faz diferença, o que interessa é o Draghi

É bom recordar àqueles cujo conhecimento de economia é inversamente proporcional à forma aguerrida e proselitísta com que juravam que o yield das obrigações da dívida pública nada tinha a ver com a percepção do risco ou com os défices orçamentais, este simples gráfico. Um deles foi agora recentemente promovido ao secretariado nacional do PS, imagino que como recompensa pela sua acutilância económica.

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Yield até à maturidade das obrigações a 10 anos da Grécia e de Portugal, cabalmente demonstrando o efeito Draghi-dual, em que uma mesma acção pode gerar dois efeitos completamente distintos.

Países Europeus em que não são necessárias auditorias…

São 2. Quem arrisca?

Bem, como podem confirmar aqui e ler neste artigo:

Juntamente com a Suécia, este é o único país europeu onde não são necessárias auditorias regulares de Bruxelas“, referiu o comissário europeu Johannes Hahn, durante a apresentação do acordo de parceria entre Portugal e a Comissão Europeia respeitante aos fundos comunitários para o período 2014-2020.
O comissário, que falava durante uma cerimónia na residência oficial do Primeiro-Ministro, em Lisboa, sublinhou que isso se relaciona com o facto de os sistemas de auditoria em Portugal serem considerados credíveis pelas instituições europeias e lembrou que a Alemanha, que anteriormente tinha também um contrato de confiança, não o conseguiu revalidar desta última vez.

Dinamarca e Finlândia são de desconfiar. Já Portugal…

Erros, Previsões e Investimentos

É relativamente usual ouvirmos dizer que as previsões estão erradas. Falham as previsões macroeconómicas deste Governo ou do anterior (ou de todos os que os antecederam), falham as previsões meteorológicas que consultamos no Accuweather (que supostamente é “accurate”), falham as previsões do resultado do Porto-Benfica e falham as previsões sobre o aquecimento global que Al Gore vendeu a meia Humanidade num DVD altamente científico!

No caso das previsões económicas, é bem conhecida a citação de que “…os economistas prognosticaram 7 das últimas 3 recessões”. A par das previsões sobre os resultados de futebol, as previsões económicas são das que mais erros têm, ainda que as primeiras não tenham o famoso “enorme” impacto das segundas na nossa vida quotidiana. Uma análise sequencial das previsões de crescimento económico mundial ou regional, emitidas pela OCDE, ou pelo FMI entre o início de cada ano e o seu final  mostram bem o “erro sistemático”  que contêm, ainda que nem sempre no mesmo sentido.

Falhar previsões é o mais comum entre os economistas: a ciência usada para prever o futuro de algo que não tem uma relação causa-efeito física, é uma ciência dependente de relações de causalidade probabilísticas estáveis assentes em modelos de comportamento de factores sociais, humanos, psicológicos/comportamentais ou porventura desconhecidos ou não antecipados. O uso abundante da distribuição normal ou de outras distribuições com graus de probabilidade associados a cenários é uma forma muito rudimentar de fazer estas previsões. Mas nalguns casos é o que há.

Em Portugal fazemos da falha das previsões um problema de credibilidade sobre o emissor da previsão, seja do Ministério das Finanças, do Banco de Portugal, dos deputados da oposição ou de quaisquer outros que digam que o PIB crescerá X  e acabe por crescer Y. O uso das folhas de Excel, com modelos macroeconómicos associados a um conjunto vasto de variáveis para dar validade às previsões, são ferramentas intrínsecas a qualquer boa estimativa. Mas nunca são, por si só, suficientes num país como Portugal é, aberto aos choques externos e a uma dose de “(des)confiança económica” induzida pelo discurso político e mediático.

Para resolver uma parte das lacunas podem-se fazer estudos, como os “GrassRoots” da AGI (Allianz Global Investors), que procuram assentar as previsões acerca de marcas, sectores ou tendências com base em informação recolhida no terreno, com inquéritos e visitas locais que permite ter o acesso a uma informação detalhada que é impossível recolher nos Gabinetes de Estudos de Berlim ou de Lisboa. Mas tratam-se de informações muito dispendiosas e que são tardiamente reveladas.

Neste contexto, ao longo dos últimos anos fomos supreendidos com a evolução do Comércio Externo português, que teve taxas de crescimento claramente acima do que estavam os economistas do Governo, da Troika e da oposição à espera. Porquê? Porque em resultado do comportamento racional, mas não antecipado, dos empresários portugueses face à contracção da procura interna, orientaram os seus esforços para as exportações. Além disso, uma alteração dos hábitos de consumo dos particulares obrigados a fazer contenção de despesas  sobretudo de bens importados criaram um alívio nas importações. Depois de acontecer esta surpresa, vieram as convicções semi-generalizadas de que tudo iria continuar a correr bem em matéria de ajustamento externo.

Também em 2013, houve a surpresa do Emprego e do Consumo Privado que depois de dois anos de contracção vieram a apresentar padrões de comportamente bem mais optimistas do que no ínicio do ano se antevia. Porquê? Porque depois do início da recuperação das exportações tivemos empresas criadoras de emprego, tivemos pessoas a emigrarem (usando a liberdade de circulação de pessoas dentro da UE) e tivemos um notável ano de Turismo, graças à turbulência em muitos países do Norte de África (algo também não era antecipável pelos modelos). Mais uma vez, parece ser um novo consenso que esta tendência na procura interna está para ficar.

E em 2014 ? Qual será a surpresa, ou erro da previsão económica, que a OCDE, o FMI, a UE, o Governo ainda têm acerca de Portugal ?

Tenho por adquirido que será a do Investimento Privado. A previsão para esta variável do Governo é a de que a taxa de crescimento de 2014 seja de 1,2%, e a previsão do Banco de Portugal para o crescimento da FBCF é de 1%, números ridiculamente baixos quando se pensa na redução que ocorreu ao longos dos últimos dois anos (-8.4% em 2013 e -14.3% em 2012: Fonte BdP) e quando se observa a evolução mensal de vendas de carros em Portugal. Acredito que o valor da taxa  de crescimento possa ser substancialmente superior.

É verdade que os níveis de confiança ainda são baixos entre os empresários, mas as taxas de juro oferecidas pelos bancos portugueses tiveram uma descida muito importante (em paralelo, e em acréscimo, à descida do prémio de risco da República nos mercados internacionais de dívida) estimulando a procura de novos financiamentos, os fluxos turísticos em alta continuam a gerar mais investimento hoteleiro, para além dos próprios estímulos criados pelo Governo que não deixarão de produzir os seus efeitos. Há ainda que recordar que o nível de investimento no PIB (16% de acordo com o BdP) se situa em taxas baixas em termos históricos, o que por si só gera a ideia de que o “stock de capital” precisa de ser renovado por parte das empresas portuguesas. Por último há que tomar em conta o novo quadro comunitário de apoio (QREN), que fará por si só muito, para estimular a procura de novo investimento.

O problema do ressurgimento deste Investimento Privado é o de que a nossa base de produção nacional de Bens de equipamento é pequena e tenderá a fazer retroceder uma parte do ajustamento externo que houve. É minha convicção que se terá aprendido com os erros do passado e os empresários apostarão num novo paradigma para Portugal, longe das obras de betão e mais orientada para o investimento reprodutivo em que haja uma recompensa por esse retrocesso “temporário” da Balança externa.

Em conclusão, falhar previsões económicas, não é por si só um problema grave e detrimental de credibilidade se o resultado for melhor do que o esperado graças à cautela com que foram feitas. Mas depois das supresas do Comércio Externo (2012-13), do Emprego e do Consumo Privado (2013-14), e se de facto houver uma surpresa no Investimento Privado (2014-15), quem ficará surpreendido com uma surpresa no Consumo Público (2015) em período pré-eleitoral ? 

Após a inicial prudência das previsões de um programa de assistência financeira e sem um programa cautelar, teremos provavelmente mais discursos com mais promessas e consequentemente com mais erros de Previsões. Daquelas que não gostaremos…

O dia que haveria de chegar

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Dificilmente existirá outro cronista tão distinto quanto Alberto Gonçalves. Opositor voraz ao gang do politicamente correcto, lúcido e eloquente nas palavras, os seus textos reportam escritos, contrastante com as banalidades, frequentemente alarvidades, oferecidas por aí. Mas porque todos somos diferentes, a concordância e o consenso, posicionamento do qual Alberto Gonçalves terá tantas dúvidas quanto eu, creio, é somente possível na extensão das pequenas semelhanças que num universo de desigualdades nos unem.

E como essas semelhanças são espúrias, contrariamente ao que os igualitários possam sonhar ou desejar, não será de estranhar que um dia surja um, ou mais, pontos de discórdia. Este artigo suscitou-o.

Recordemos, em resposta ao artigo em epígrafe, que o povo que outrora habitara a Foz do Douro, o Porto, o Norte de Portugal, os callaecos — conjectura-se que fossem helénicos os primeiros a visitar a região — deram nome a Gallaecia, assim lhe chamaram os romanos, onde mais tarde haveria de nascer, separado pelo Douro, as cidades de Portus e Cale. Daqui surgiu o galaico-português, fortemente influenciado por um substrato celta. Daqui deriva a troca dos ‘v’s pelos ‘b’s. Ou melhor, daqui se trocaram os ‘b’s pelos ‘v’s, servindo isso para remoque e desdém de alguns emproados em Lisboa. Basta ter o infortúnio de passar por determinados programas televisivos para se perceber o provincial arcaísmo com que se descaracteriza toda uma região que deu nome, origem, pátria, língua e lição a Portugal.

Foi a Norte, entre Braga e Guimarães, que D. Afonso Henriques decidira ir a Sul resgatar Lisboa dos mouros. Ou os mouros de Lisboa. Quase sete séculos mais tarde, foi no Porto, terra de burgueses onde nunca assentaram muitos fidalgos, que os Ingleses fizeram comércio. De Valongo saíra ouro e do Douro uvas não menos preciosas. Foi no Porto que Portugal se tornou um país de comércio, de importação e de exportação.

Não é preciso recuar oito séculos para fazer jus ao Porto e ao Norte. Basta avançar seis para perceber o declínio que começa a ser delineado por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. A política do centralismo, que se reflecte no controlo estatal sobre o comércio do vinho do Porto através da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (mais tarde a Real Companhia ou Companhia Velha) é a demonstração da suspeita. O declínio do Norte e a ascenção de Lisboa não foi fruto da circunstância, foi resultado de um projecto político que pretendia centralizar para daí controlar. Salazar, que de Viseu (quiçá D. Afonso Henriques tenha lá nascido) deveria saber melhor, perpetuou e sedimentou esta extrema dependência de Lisboa.

Como portuense, como Nortenho, como confesso e orgulhoso bairrista, não posso senão repudiar a acusação de que o declínio do Norte fosse não menos do que obra, ou falta dela, das gentes do Norte. Que fosse a sua afectuosidade para com o futebol ou o gosto pelo ócio. Não. Em terras do Norte trabalha-se como sempre se trabalhou, de alvorada à aurora, da aurora à alvorada, o tempo que for preciso, com garra e convicção. Porque não fomos a Lisboa por acaso. E, se o fizemos, pedimos somente respeito. Respeito e, se possível, que o Estado centralista saia da frente. Não é preciso mais do que isso para que o equilíbrio seja reposto e o Norte volte a ser, como aliás sempre foi, o motor de Portugal.

Créditos: foto retirada da página do Facebook “Norte de Portugal“.

Os políticos que merecemos

Por vezes fico espantado com a inépcia política de políticos profissionais. Então neste contexto uns lembram-se de tentar bloquear o leilão de quadros que vieram parar à propriedade do Estado por uma sequência de negócios públicos e privados duvidosos, e os outros não se lembram de aproveitar para destruir politicamente os primeiros. A única razão que vejo para que o PSD/CDS não se aproveitem da situação é porque os argumentos que expõe como ridícula a posição “Canavilhas” aplicam-se a posições de políticos do PSD/CDS relativos a metade da propriedade do Estado. Ainda se arriscam a emagrecer o Estado e a tirar o tacho aos aparelhos e grupos de interesse que vivem dessa mesma propriedade “pública”. Se for esta a razão de facto não são politicamente ineptos, são apenas os políticos que merecemos.