A memória é lixada

“Não olhes para o que eu digo” de Mr.Brown (Os Comediates)

  • «Temos uma carga fiscal insuportável e já o tenho dito» e, por isso mesmo, «o Estado vai buscar durante todo o processo de ajustamento um terço da consolidação à receita e dois terços à despesa». Pedro Passos Coelho, 11.05.2012, fonte.
  • «Sabemos que a única forma de mostrar o nosso nível de comprometimento com objectivos que estão traçados é o de prosseguir a consolidação orçamental pelo lado do controlo da despesa pública». Pedro Passos Coelho, 23.06.2012, fonte.
  • Encruzilhada

    Marcelo Rebelo de Sousa considera que o chumbo do Tribunal Constitucional ao corte de subsídios a apenas funcionários públicos e reformados “dá o grande álibi para o Governo poder entrar no domínio de medidas para os privados”. “É nitidamente uma opção política e é o Governo que beneficia com ela”.

    É certo que as intrigas e intuições de Marcelo Rebelo de Sousa náo respeitam muito vezes a veracidade dos factos ou as intenções alheias. Mas supondo que o que acima diz é correcto pegunto-me qual terá sido então a vantagem em termos trocado de governo? Se o actual pretender realizar a consolidação orçamental pelo lado da receita sem realizar cortes significativos na dimensão do estado e na despesa pública em nada diferirá dos socialistas. Se pretender compensar o gigantismo do estado aumentando a extorsão fiscal não era necessátio termo posto o José Sócrates em fuga para Paris. Perante estas interrogações (que temo se transformem em certezas) as “Novas Oportunidades” de Miguel Relvas são um detelhe risível que nos afasta das questões essênciais.

    Pedro Passos Coelho e Jerónimo de Sousa sobre o Desemprego.

    O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adotem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.

    Passos Coelho referiu que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo”. “Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, afirmou o primeiro-ministro, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. (ver ligação na reação de Jerónimo)

    Passos Coelho disse o óbvio:
    – Em Portugal, o principal problemas de cultura económica é a Falta de Cultura do Risco;
    – Estar desempregado não deve ser encarado necessariamente como algo negativo, pois pode também ser uma oportunidade, como qualquer crise é vista na cultura chinesa.

    Face a estas declarações pacíficas e até de incentivo, qual foi a reação do Partido Comunista Português?

    Jerónimo reagiu imediatamente para dizer 2 disparates:

    1. “O Governo esconde o número [do desemprego] aos portugueses, particularmente aos desempregados e não é por erro de cálculo, não é por erro de contas. É para tentar mistificar aquilo que hoje é um dos problemas centrais do nosso país, um dos problemas centrais da juventude, particularmente, que ainda por cima tem como resposta, como conceção, por parte do primeiro-ministro esta ideia ofensiva para mais de um milhão de desempregados”
    Isto é falso, pois é o INE que tem de calcular e a Comunicação Social que deve divulgar. O que faz regularmente, de resto.

    2. O secretário-geral do PCP questionou como é que “um primeiro-ministro pode ofender esses que estão numa situação desesperada não por não querem encontrar emprego, não porque não querem trabalhar, antes pelo contrário”.
    O 1º Ministro não ofendeu. Antes pelo contrário. Deu uma esperança: o mundo não se resume a uma carreira profissional. Portugal tem cada vez mais exemplos, desde a conquista do prémio Leya, a exemplos como o do pintor de camélias, até algo mais sistemático como a conferência UBI sobre Desemprego e empreendedorismo.

    O país, perante as óbvias dificuldades, tenta lançar-se para a frente e sair da crise. PPC apoia. Jerónimo acha isso ofensivo.

    PPC e Jerónimo vêm as dificuldades. PPC aponta uma saída possível. Jerónimo só vê motivos para desespero. É pena.

    Primárias no PSD (para as Autárquicas)

    Pedro Passos Coelho também surpreende pela positiva. Agora foi a vez de propor a introdução de uma boa-prática Americana:

    Primárias nas Autárquicas

    Ganham…
    … os candidatos que não têm medo de ir a votos
    … a transparência do processo e, assim, a qualidade dos candidatos
    … as populações que beneficiarão da qualidade dos candidatos

    Perdem…
    … as elites caciques que até agora tinham maior peso na escolha dos nomes
    … os partidos que não sigam o exemplo (algo me diz que o PC não vai mudar…)
    … os candidatos que apostam simplesmente em “conhecimentos” para serem candidatos

    Outras propostas incluem;
    – Reforço dos poderes das distritais na escolha dos deputados
    – Quotas para as mulheres nos Órgãos Internos
    – Criação de uma Comunidade Virtual (fórum político através da internet para discussão de vários temas, entre militantes e simpatizantes)
    – Criação do estatuto de simpatizante

    O Congresso do PSD está marcado para 23 a 25 de Março.