Primárias no PSD – Redux

Creio que depois de desastres como Porto, Gaia e sobretudo Sintra, seria uma boa altura para reavivar uma ideia apoiada por Pedro Passos Coelho por alturas do anterior congresso, e na altura apoiada por mim aqui n’O Insurgente:

Pedro Passos Coelho também surpreende pela positiva. Agora foi a vez de propor a introdução de uma boa-prática Americana:

Primárias nas Autárquicas

Ganham…
… os candidatos que não têm medo de ir a votos
… a transparência do processo e, assim, a qualidade dos candidatos
… as populações que beneficiarão da qualidade dos candidatos

Perdem…
… as elites caciques que até agora tinham maior peso na escolha dos nomes

… os partidos que não sigam o exemplo (algo me diz que o PC não vai mudar…)
… os candidatos que apostam simplesmente em “conhecimentos” para serem candidatos

Outras propostas incluem [incluíram]:
– Reforço dos poderes das distritais na escolha dos deputados
– Quotas para as mulheres nos Órgãos Internos
– Criação de uma Comunidade Virtual (fórum político através da internet para discussão de vários temas, entre militantes e simpatizantes)
– Criação do estatuto de simpatizante

O Congresso do PSD deverá ser marcado para os primeiros meses de 2014.

Eleições Antecipadas são Solução?

Fantasias, o meu artigo de ontem no Diário Económico:

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”.

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”. Ri, mas de facto nesta crise a melhor apólice de seguro de Passos não é Portas, é Seguro.

A esquerda logo a seguir às eleições começou a tentar desestabilizar o Governo para voltar ao poder e retornar às mesmas políticas despesistas que nos puseram nesta posição, como se a solução para quem tenha demasiadas dívidas seja contrair mais dívidas e pagar cada vez mais juros. “Estimula a economia e o crescimento”, dizem os que esquecem o falhanço do aeroporto de Beja. O Tribunal de Contas Francês tem outra opinião, e está a obrigar Hollande a reduzir o número de funcionários públicos e a congelar salários e progressões nas carreiras – acordando os Franceses para a dura realidade de impraticabilidade das políticas socialistas e atirando a popularidade de Hollande para valores historicamente baixos. Portugal ir a eleições, ao contrário do que fantasia a esquerda, não terá grandes consequências.

Ganhe quem ganhar, o programa está escrito até Junho de 2014. Ganhe quem ganhar, um político profissional criado nas juventudes partidárias será primeiro-ministro. Ganhe quem ganhar, a equipa sairá da elite que governou Portugal nos últimos 40 anos. Ganhe quem ganhar, Portugal terá uma dívida superior a quando foi à falência em 1892 – e só tem a opção de nos próximos anos produzir mais do que consome. Assim eu pergunto: qual a finalidade de ir a eleições antes de Junho de 2014? Para se gastar dinheiro na troca de cadeiras e nada de substancial mudar? Para haver uma nova crise de confiança que faça disparar os juros e afundar a bolsa? Para eleger um professor de Teoria do Estado e História das Ideias Políticas e Sociais que recentemente provou desconhecer o conceito de média?

Políticas de esquerda só serão possíveis quando houver dinheiro. Até lá, a estabilidade política deverá ser o nosso activo mais valioso e o resto são fantasias de sonhadores.

E se o Governo tivesse caído?

Cuidado com o que desejam.

Reparem, com a queda do governo e a completa incapacidade de Tó-Zero para combater o défice, as bancarrotas parciais acabariam numa bancarrota completa do Estado Português. A esta bancarrota seguir-se-ia certamente uma Ditadura.

Se essa ditadura fosse de Esquerda, seria provisória. Como diria Thatcher, o Socialismo só dura enquanto há dinheiro dos outros. O Estado já não tem e quem o tem já o colocou fora, por isso rapidamente uma série de convulsões e a ausência de uma clientela (no money, no money-suckers) derrubariam essa ditadura.

A ditadura seria então de direita. Liderada por um ministro das Finanças forte.
A vantagem de ser Português, é que a nossa história é já longa e com exemplos de um pouco de tudo. Neste caso, o exemplo histórico é óbvio. Alguém emergeria desse caos para ser um Salazar light, que ignorasse a parte social (hoje os valores da igreja têm muito menos força social…) e que tivesse a confiança do próximo presidente para liderar as finanças e, através destas, a economia do país.

Convençam-se que é melhor alguém que equilibre as contas neste quadro institucional do que ir atrás de miragens e acabar com um novo ditador. Muito cuidado com aquilo que desejam. Pode ser que seja que o que vocês queiram seja o 1º passo para algo muito pior. E não falo de algo Liberal, mas sim de uma ditadura como são as ditaduras (com intervenção estatal, muitas vezes punitiva…).

Uma sociedade que não vota em quem fala verdade, está condenada a ser liderada por
ditadores ou mentirosos

Suécia coloca discurso de Passos Coelho em prática

Swedish Town Paying Unemployed Youth To Move To Norway, Huffington Post.

In an aim to cope with an unemployment rate of more than 25 percent, the town of Soderhamn, in conjunction with Sweden’s national employment office, is paying young unemployed Swedes to look for jobs in neighboring Norway, according to the Daily Telegraph. The “Job Journey” program offers job-hunting guidance and pays for a one month stay at a youth hostel in Oslo. So far, about 100 young Swedes have taken the government up on its offer.

Sem sentimentalismos, sem histerismos nem cartas sentidas ao Presidente, a Suécia segue PPC e decide apoiar a mobilidade da Mão-de-Obra. Só que como é a Suécia, talvez venham as vozes do costume dizer que foi muito bem feito…

O que está em causa com o OE 2013

O meu artigo de hoje no Diário Económico. 1ª Parte:

“Há mais vida para além do défice”, disseram Sampaio em 2003 e António Costa em 2011.

Foi com esta linha de raciocínio que chegamos a um rácio dívida/PIB superior à que nos obrigou a declarar a falência do Estado no final do Século XIX. A incapacidade do Estado cumprir as suas obrigações implicaria o caos na função pública, a saída forçada do euro e, via desvalorização, a uma descida dos salários reais e pensões de 30% a 50% – uma situação que decerto todos querem evitar.

“Se quisermos um país mais competitivo, o que só pode surgir do lado privado, teremos de reduzir o peso do sector público.”, disse Pedro Passos Coelho à Revista Veja em 7 de Setembro. De 2012. Palavras sábias que infelizmente, oportunidade após oportunidade, não são levadas à prática.

Resta o consolo de que cerca de 50.000 pessoas já entenderam que os dados do défice e a chave da competitividade obrigam a menos impostos e já assinaram a petição do Diário Económico – um sinal de esperança.

“Equidade na distribuição dos sacrifícios”, pedem Duarte Marques (JSD), Pedro Roque (TSD) e Marcelo Rebelo de Sousa. Às medidas já anunciadas falta adicionar a redução das transferências para as beneficiárias das PPPs, o ataque à subsídio-dependência de muitas fundações, a alienação de empresas em áreas em que o Estado é regulador, a extinção das empresas municipais, o plafonamento das reformas mais elevadas segundo o modelo Suíço, a impossibilidade de acumular pensões elevadas com rendimentos de trabalho dependente e a construção de um orçamento de base zero. O povo anda insatisfeito e aquelas três personalidades com fortes ligações ao PSD concordam – um sinal que deveria ser tido em conta.

Em plena “silly season” (2)

Num jantar com deputados do PSD, com alguns ministros e com a presidente da Assembleia da República, Pedro Passos Coelho disse que não queria saber para nada de eleições (que se “lixem” foi a expressão). Houve logo algumas pessoas biblicamente estúpidas para interpretar a frase de uma maneira que nem a ocasião nem o contexto permitiam. Uns concluíram que o primeiro-ministro se estava a “lixar” para a democracia. Outros – o que não passa de uma variante – que a opinião dos portugueses não lhe interessava. Quase ninguém percebeu (ou muita gente resolveu fingir que não percebia) o que Passos Coelho claramente comunicou às suas tropas. A saber: que o Governo não mexeria um dedo para ajudar o partido na série de eleições que se aproximam (Açores, câmaras, Parlamento Europeu)

Vasco Pulido Valente no Público. Leiam aqui a versão integral.

Confiram as delirantes interpretações de Daniel Oliveira, Carlos Zorrinho e Arménio Carlos.