#NogueiraBem

Vejo muita gente indignada por Mário Nogueira ainda não ter saltado à jugular de António costa quando o fez perante iguais declarações de Passos Coelho sobre as – aliás, evidentes – oportunidades no estrangeiro para os professores que cá não obtêm colocação.

Queria defender aqui um pouco o nosso ministro da educação: Mário Nogueira sabe comportar-se com lisura política. Discordará em privado e di-lo-á ao seu líder, mas não fará em público a desfeita de atacar o seu primeiro-ministro. É o que se espera dum soldado disciplinado.

António Costa: Uma Análise Comparativa

antonioSão inúmeras as comparações que se vêm fazendo acerca da ascensão de António Costa, porque o povo é criativo e a ternura da arte e das letras tem-se feito bom desafogo para os males da vida. E certamente dói na existência assistir a tal figura ocupando o ofício chave da nação, na bonita ironia de ver o bobo da corte fantasiar o ministério numa corte de bobos.

Haverá quem o compare a um pirómano que, qual Nero, lançará o país nas chamas, dispenso provavelmente a harpa, pois não se lhe conhecem talentos nem dotes culturais e convenhamos que música ao povo já ele deu em demasiada. Mais ainda que esta comparação é injusta, pois o mundo é um lugar taciturno para os sonhadores e rapidamente – como com Tsipras – se faria à força do pirómano bombeiro. Bruxelas, qual pai severo e rigoroso, a bem do filho prontamente o colocaria na ordem, que o estudo é muito bonito e forma os homens para vida, que aquelas saídas ao Sábado são para acabar e que aquela moça que teima em frequentar a casa que nem uma arrendatária por caridade olha muito de esguelha e, já diziam os antigos, quem olha de esguelha não é de fiar.

Há também quem compare o ofício do ministério, com Costa, ao de uma mulher de má vida, pelo que terei, mais uma vez, que rebater o argumento, não por salvaguarda do próprio, mas por respeito a uma profissão que – salvo a condenação eterna por encomenda de algumas almas mais beatas – guarda mais respeito que o mesmo. E mais inadequada se põe esta analogia do ministério como bordel, quando temos em conta que é a raison d’etre deste deixar satisfação nos seus fregueses, que entram de calças na mão, satisfeitos à saída. Já o bordel do ministério de esquerda, como o quereis pintar, seria o imediato oposto, com o povo – ou parte dele – podendo até entrar satisfeito, mas saindo por certo com as calças na mão – sobrando em comum apenas os bolsos vazios.

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Eleições Antecipadas são Solução?

Fantasias, o meu artigo de ontem no Diário Económico:

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”.

Estes dias li numa página de humor: “Portugueses até vão para a rua, mas depois lembram-se de Seguro e voltam para dentro”. Ri, mas de facto nesta crise a melhor apólice de seguro de Passos não é Portas, é Seguro.

A esquerda logo a seguir às eleições começou a tentar desestabilizar o Governo para voltar ao poder e retornar às mesmas políticas despesistas que nos puseram nesta posição, como se a solução para quem tenha demasiadas dívidas seja contrair mais dívidas e pagar cada vez mais juros. “Estimula a economia e o crescimento”, dizem os que esquecem o falhanço do aeroporto de Beja. O Tribunal de Contas Francês tem outra opinião, e está a obrigar Hollande a reduzir o número de funcionários públicos e a congelar salários e progressões nas carreiras – acordando os Franceses para a dura realidade de impraticabilidade das políticas socialistas e atirando a popularidade de Hollande para valores historicamente baixos. Portugal ir a eleições, ao contrário do que fantasia a esquerda, não terá grandes consequências.

Ganhe quem ganhar, o programa está escrito até Junho de 2014. Ganhe quem ganhar, um político profissional criado nas juventudes partidárias será primeiro-ministro. Ganhe quem ganhar, a equipa sairá da elite que governou Portugal nos últimos 40 anos. Ganhe quem ganhar, Portugal terá uma dívida superior a quando foi à falência em 1892 – e só tem a opção de nos próximos anos produzir mais do que consome. Assim eu pergunto: qual a finalidade de ir a eleições antes de Junho de 2014? Para se gastar dinheiro na troca de cadeiras e nada de substancial mudar? Para haver uma nova crise de confiança que faça disparar os juros e afundar a bolsa? Para eleger um professor de Teoria do Estado e História das Ideias Políticas e Sociais que recentemente provou desconhecer o conceito de média?

Políticas de esquerda só serão possíveis quando houver dinheiro. Até lá, a estabilidade política deverá ser o nosso activo mais valioso e o resto são fantasias de sonhadores.

O sono de Passos Coelho

O meu artigo de hoje no Diário Económico:
Tema: O elevado desemprego não tira o sono a Pedro Passos Coelho. Comente.

1921 Vs 1929

Em 1920-21 houve uma crise séria na economia americana. Em resposta à crise, o governo cortou o orçamento para metade, diminuiu o IRS para todos os escalões e baixou a dívida (não o défice, sublinhe-se) em um terço em apenas dois anos. A Reserva Federal, recentemente criada, não actuou no mercado monetário.

Em 1929 houve outra crise. Desta vez Hoover começou uma política de “estímulo” – quem não conhece a Hoover Dam? – que depois Roosevelt expandiu consideravelmente em 1932. Ao ponto do seu secretário do Tesouro anos mais tarde ter dito: “Nós experimentamos gastar dinheiro. Nós estamos a gastar mais do que alguma vez gastamos e não resulta.”

Provavelmente o leitor conhece a depressão de 1929. Mas não a de 1920/21. Porque entre Novembro de 1919 e Agosto de 1921, o Dow Jones caiu para metade, o desemprego disparou para o dobro, os preços caíram 18% e o PIB contraiu 6,9%, mas ao fim de 2 anos a Economia estava em recuperação e a entrar nos “loucos anos 20″, tendo atingido os níveis pré-recessão em Outubro de 1922.

Contrariamente ao método científico, muitos hoje escolhem a sua ideologia e só depois escolhem, cuidadosamente, os factos que melhor se adaptam à narrativa que escolheram previamente. Não é sério. E mais grave ainda, escolhem sempre o caminho mais fácil: dizer o que as pessoas querem ouvir e não o que se sabe baseado na história. Oferecem um escape fácil para a frustração, a inveja e o ressentimento. Pedem a solução “fácil” em vez de encararem o problema. Preferem um remendo de curto prazo a uma solução de longo prazo.

Mas é tarde para isso: depois de décadas a aumentar o endividamento, chegamos ao ponto em que precisamos mesmo de curar esse mal. É preciso perseverança para administrar o remédio e ajudar a suportar a febre. O médico que o faz, pode dormir de consciência tranquila. O curandeiro que sugere umas mezinhas adocicadas e que claramente não percebe o problema, é que deve dormir mal. Olhando para Passos e Seguro rapidamente se percebe quem é quem.

Leituras adicionais: Tiago Antunes sobre o mesmo temaProf. José Manuel Moreira sobre a Res Pública.

João Duque gosta de brincar…

JOÃO DUQUE à Renascença: “Pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

João Duque diz que os reformados de hoje descontaram os que lhe pediram e que agora têm direito à reforma calculada. Mesmo que tivessem pago 35% durante 32 anos e, reformados aos 50 anos, possam ainda receber 90% durante cerca de 30 anos – uma situação em que eu conheço vários casos – essa situação é justa porque as “pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

Ele estará a brincar? Quem paga esse enorme diferencial? Estarei eu – que estou na casa dos 30 – condenado a pagar para sustentar esta enorme injustiça durante anos (décadas?) e no fim receber umas palmadinhas nas costas e um pedido de desculpas? Porquê – Porque alguém prometeu algo a alguém antes de eu nascer? E eu, tenho de sair do país para evitar participar neste desastre em câmara lenta?

Passos Coelho é um amigo do Estado Social e está a tentar salvá-lo.  Se ele falhar creio que o Sr. Duque vai gostar ainda menos da alternativa…

Suécia coloca discurso de Passos Coelho em prática

Swedish Town Paying Unemployed Youth To Move To Norway, Huffington Post.

In an aim to cope with an unemployment rate of more than 25 percent, the town of Soderhamn, in conjunction with Sweden’s national employment office, is paying young unemployed Swedes to look for jobs in neighboring Norway, according to the Daily Telegraph. The “Job Journey” program offers job-hunting guidance and pays for a one month stay at a youth hostel in Oslo. So far, about 100 young Swedes have taken the government up on its offer.

Sem sentimentalismos, sem histerismos nem cartas sentidas ao Presidente, a Suécia segue PPC e decide apoiar a mobilidade da Mão-de-Obra. Só que como é a Suécia, talvez venham as vozes do costume dizer que foi muito bem feito…