Ainda sobre os Recibos Verdes…

Os Recibos Verdes são uns privilegiados pois sustentam uma boa parte do Estado Social.
Este ano estão cheios de sorte pois podem aumentar ainda mais a sua contribuição: no OE2018 caem as deduções de 25% do rendimento, que era considerado como despesas de actividade, passando a ser apenas consideradas as despesas registadas no orwelliano e-factura.olha-a-crise-865 O que para muitos significará um brutal aumento de impostos pois: 1) muitos neste grupo não têm muitas despesas, 2) nem todas as despesas são registadas por diversos motivos, 3) despesas têm limite de 25% (logo, mesmo quem tenha muitas despesas ficará no máximo na situação anterior) muito na mesma. Como se isto não bastasse.

Está visto que está encontrado o novo inimigo da classe trabalhadora: os mais frágeis entre a classe trabalhadora – como professores e enfermeiros jovens por exemplo.

Estou Chocado! (ou talvez não)

OE: afinal, a carga fiscal aumenta este ano

O Executivo tem marcado a sua política fiscal por uma transferência do peso dos impostos directos para os indirectos – tendência intensificada em 2018 -, “permitindo valorizar os rendimentos do trabalho, bem como reforçar as funções de controlo de externalidades negativas de alguns impostos indirectos, nomeadamente o ISP, o ISV e o IABA”, pode ler-se no orçamento. “Em coerência com este objectivo, e tendo presente a prevalência de doenças crónicas associadas ao consumo de alimentos com excessivo teor de sal, alguns destes alimentos passarão a ser objecto de tributação específica”, acrescenta o documento.

Centeno - vergonha de Portugal

Conjugado com o aumento de impostos sobre cerveja e bebidas espirituosas, parece que o governo das esquerdas quer atacar uma importante despesa dos portugueses: a comida.
Deve ser para apoiar os mais desfavorecidos.

É Preciso Virar a Página Deste Ciclo De Austeridade. Podemos Crescer 2,6% Ao Ano Com Uma Nova Política.

A Comissão Europeia publicou hoje as suas previsões económicas de Outono de 2016 de onde é retirada a tabela abaixo (clicar na imagem para ampliar).

economicforecast_autumn_2016

As previsões de crescimento para Portugal para 2016, 2017 e 2018 são respectivamente 0,9%, 1,2% e 1,4%, abaixo da média da previsão quer para a Zona Euro (1,7%, 1,5% e 1,7%) quer para a União Europeia (1,8%, 1,6% e 1,8%).

As previsões de crescimento da Comissão Europeia de 0,9% para 2016 e 1,2% para Portugal em 2017 contrastam com as previsões do governo que constam no orçamento de estado para 2017 que são de 1,2% para 2016 e de 1,5% para 2017. De notar ainda que o valor de crescimento previsto no plano macroeconómico do PS era de 2,4% em Abril e Agosto de 2015 (ver tweet acima); e de 1,8% no orçamento de estado de 2016 apresentado em Fevereiro deste ano.

Além disso, em relação ao défice, a previsão da Comissão Europeia é de 2,7% em 2016  – um valor acima quer do valor de 2,2% para 2016 (que constava no orçamento de estado para 2016) quer do valor de 2,4% (que consta do orçamento de estado para 2017). Para 2017, a Comissão Europeia prevê um défice de 2,2% bem acima do valor de 1,6% que consta do orçamento de estado para 2017.

Mário Centeno: “Não há falta de números, há é falta de números que agradem à Comissão Europeia”

Mário Centeno, no debate parlamentar hoje referente ao Orçamento de Estado para 2017, respondeu à exigência de mais informação  por parte da oposição nos seguintes termos:

“Não há falta de números, há é falta de números que agradem à oposição.”

Bem pode Mário Centeno tentar responder da mesma forma ao mesmo pedido da Comissão Europeia depois desta ter identificado riscos e discrepâncias no Orçamento de Estado para 2017 e de ter solicitado informação adicional:
comissaoeuropeialetter

Carga Fiscal Inalterada Em 2017

A página da austeridade é uma página que custa a virar. Depois de Mário Centeno, António Costa e o Governo repetirem sucessivamente em alta e viva voz que se iria verificar uma redução da carga fiscal em 2017, a UTAO veio afirmar ontem que:

“Para 2017, encontra-se projetada uma manutenção da carga fiscal, mantendo-se também inalterada face a 2016 a estrutura da carga fiscal.”

Leitura ComplementarUma grande martelada no OE2017

Descredibilidade Colossal

Abril de 2015. A pedido de António Costa, o grupo de sábios economistas abaixo assinava e publicava o documento Uma Década Para Portugal:

  • Mário Centeno (coordenador)
  • Fernando Rocha Andrade
  • Sérgio Ávila
  • Manuel Caldeira Cabral
  • Vítor Escária
  • Elisa Ferreira
  • João Galamba
  • João Leão
  • João Nuno Mendes
  • Francisca Guedes de Oliveira
  • Paulo Trigo Pereira
  • José António Vieira da Silva

O Partido Socialista fazia deste documento a sua grande bandeira para se apresentar como alternativa:

Este documento foi revisto em Agosto de 2015 com o Estudo Sobre O Impacto Financeiro Do Programa Eleitoral do PS e serviu de base para toda a tese da campanha eleitoral do PS e da sua apresentação enquanto alternativa de governação.

Este documento foi várias vezes questionado e criticado aqui neste blog (ver aqui, aquiaqui ou aqui). Foi feito também um apelo para a disponibilização do modelo subjacente (que entre outras coisas previa que fossem criados 466 empregos em 2019 devido aos efeitos da “promoção da lusofonia“) que nunca foi tornado público.

Nada como testar e avaliar o modelo e a sabedoria dos sábios que elaboraram o tal documento contra a realidade. Para tal, referencio os seguintes documentos:

Vejamos então as previsões para o crescimento do PIB para 2016 no gráfico abaixo.

crescimento_pib_2016

Dos 2,4% de crescimento do PIB previstos para 2016 no Plano Macro económico do PS inicial, e que mesmo em Janeiro de 2016 foi revisto para 2,1%, o próprio governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,2%, muito abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Analisemos então o desempenho dos sábios economistas para 2017.

crescimento_pib_2017

Dos 3,1% de crescimento do PIB previstos para 2017 no Plano Macro económico do PS inicial, o governo prevê agora em Outubro de 2016 apenas 1,5% – menos de metade do valor previsto inicialmente; e mais uma vez, abaixo quer do valor verificado em 2015 (1,6%), quer do valor previsto pelo próprio Partido Socialista caso a coligação Portugal à Frente se mantivesse no governo (1,7%).

Finalmente, para prestar a devida homenagem e tributo aos sábios economistas do PS, deixo aqui um gráfico que contem os valores do crescimento do PIB previstos entre 2016 e 2019 no seu cenário macro económico revisto em Agosto de 2015 com três séries:

  1. A cor de rosa, a previsão do crescimento do PIB entre 2016 e 2019 com as medidas propostas pelo Partido Socialista
  2. A laranja, a previsão do Partido Socialista para o crescimento do PIB entre 2016 e 2019 caso a coligação Portugal à Frente continuasse no governo
  3. A vemelho, os últimos valores previstos pelo Partido Socialista quer para 2016 quer para 2017.

crescimento_pib_2016_2019

Com tal desempenho, é apenas justo que os portugueses reiterem a sua confiança no governo da geringonça; e que os venerados autores do documento Uma Década Para Portugal sejam promovidos a ministros, secretários de estado e a reputadíssimas figuras destacadas dentro do partido socialista, e que mais tarde sejam colocados nas universidades para ensinarem estes modelos tão bonitos aos estudantes àvidos de conhecimento.

A única coisa que consegue tramar o socialismo é a realidade.