Questões de Memória (2)

“Bovarismo” de Filipe Nunes Vicente (Corta-Fitas)

É conveniente não esquecer que muitos dos que hoje se manifestaram exigindo a saída de Relvas são os mesmos que assinaram a petição para destituir Cavaco por delito de opinião ( uma comatosa ideia saída da constitucional e rigorosa cabeça de Isabel Moreira). No passado ficaram em casa enquanto dezenas de socialistas entregavam o país aos amigos e aos financiadores do partido.

O bovarismo, depois de Flaubert, ficou conhecido, no meio mundo entre a psicologia e a literatura, como o sintoma dos que se imaginam diferentes do que são. Emma Bovary imagiva-se nos braços de Lancelot, os nossos manifestantes imaginam-se agentes purificadores. O bovarismo deles é um mundo em que os únicos beneficiados são eles e as sua crenças. No entretanto acendem fogueiras imaginárias.

LEITURA COMPLEMENTAR: Questões de Memória

Questões de memória

Visão 29/05/2011: “O presidente da Câmara de Matosinhos afirmou hoje que a presente campanha eleitoral para as legislativas está a ser a mais caluniosa de que há memória na democracia portuguesa

Jornal de Negócios, 16/07/2012:”Carlos Abreu Amorim acredita que Miguel Relvas está a ser alvo da mais brutal campanha de ataques de que há memória.”

ADENDA: “Um vulgar caso de heteronímia do molusco de águas insalubres” de Sérgio Lavos

Eu acho que já conseguia duas licenciaturas e uma pós-graduação

Relvas licenciou-se com quatro exames e 32 equivalência

De acordo com o documento a que o “i” teve acesso, a avaliação das “competências adquiridas ao longo da vida” teve em conta nove cargos que o ministro ocupou desde os 26 anos, como é o caso de membro da delegação portuguesa da Nato entre 1999 e 2002 ou a de secretario da direcção do grupo parlamentar do PSD, entre 1987 e 2001. Aqui, encaixou 14 equivalências. Os cargos políticos que desempenhou valeram-lhe mais quatro disciplinas, e as funções privadas que desempenhou valeram-lhe mais 15 disciplinas.

As quatro disciplinas feitas por Miguel Relvas foram Quadros Institucionais da Vida Económico-Politico-Administrativo do 3º ano, concluída com 12 valores; Introdução ao Pensamento Contemporâneo, do 1º ano, com 18 valores; Teoria do Estado, da Democracia e da Revolução, do 2º ano, com 14 valores; e Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais II do 3º ano, com 15 valores

Posto isto, queria apenas dizer que acho muitissimo estranho o chinfrim que os “abrantinos” estão a fazer. Acaso estão contra o reconhecimento, validação e certificação de competências? Acham que a Miguel Relvas devem privado Novas Oportunidades?

Exemplos para a juventude deste país

Para todos os que ainda duvidam da capacidade dos políticos portugueses. Sócrates licenciou-se enquanto era Ministro do Ambiente e acumulou um MBA com a liderança da oposição (isto foi um feito considerável – conheço quem tenha dificuldades em conjugar uma simples pós-graduação com um simples emprego das 9 as 5). Relvas conclui o curso superior num ano lectivo.

Extinga-se

Paulo Pinto Mascarenhas

Divertem-me os comentários escandalizados sobre a decisão da pomposa Entidade Reguladora para a Comunicação Social a propósito das alegadas pressões do ministro Miguel Relvas sobre uma jornalista do Público. Houve até uns senhores que descobriram – mas só agora – que a ERC não serve para nada. Ora, meus caros, a ERC nunca serviu para nada com a anterior direcção de Azeredo Lopes como nunca irá servir seja para o que for com a nova gerência de Carlos Magno. Com ou sem pressões.