Uma nota sobre o conflito Israelo-Palestiniano

Quando o Império Ottomano se dissolveu, fruto da derrota das potências centrais na I Grande Guerra, esta foi a distribuição do território por entre os países aliados:

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Nem Arábia Saudita, Síria, Jordânia, Israel, Palestina ou Líbano existiam. O território era e continuou a ser, pelo menos até 1946, protectorado inglês e francês. Da mesma forma, também a dissolução do Império Austro-Húngaro levou a que outros países anexassem territórios que não lhes pertenciam, como a Sérvia, expansão que posteriormente conduziu à Jugoslávia.

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É importante recordar que a definição das actuais fronteiras foi um processo dinâmico e contínuo, fruto de conflitos militares, e que com excepção de Portugal, ainda há nem 60 anos se voltaram a redefinir. É também relevante relembrar que até 1991 a Europa do Leste não dispunha de soberania, a Alemanha estava dividida em duas repúblicas, e as suas fronteiras eram meramente virtuais na composição da União Soviética, e não fosse a dissolução da USSR, ainda hoje existiria RDA.

O objectivo desta contextualização não se prende com defender a expansão dos colonatos em Israel pós-1967. É apenas derrubar a tese de que o Estado de Israel não tem direito a existir por apropriação indevida de território, que aliás pertencia ao Reino Unido. Um ponto de ordem importante num momento em que o anti-semitismo tende a ressurgir, e em que moderados ocidentais começam a adoptar o discurso anti-sionista que apela à erradicação do Estado de Israel, e que, poucas dezenas de anos desde a última tentativa ainda não passaram, do povo de Israel. E ainda mais importante sabendo que a ordem dos jihadistas é a de que as fronteiras se redefinam uma vez mais, desta feita todos muçulmanos.

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Nota: este artigo beneficia magnanimamente com a leitura destes três artigos e respectivos comentários:

Os Protocolos dos Pesticidas de Sião

Um conselheiro do braço político da Irmandade Muçulmanda egípcia (e que teve quase metade dos votos nas últimas eleições) acusa os acordos de Camp David de terem trazido toda a serie de desgraças ao Egipto. Incluindo, vários tipos de cancro, hepatite e doenças nos rins.

[Nota, por uma razão qualquer não estou a conseguir postar o vídeo correcto. Podem vê-lo aqui]

Um regime em avançado estado de desintegração

A propósito do post do Rui Carmo, julgo que poucos acreditarão na fábula de um insider do regime baathista que só agora terá reparado que serve um regime altamente repressivo. Mas é demonstrativo da confiança que eles colocam na sua manutenção. E este é apenas o mais recente epísódio de deserção de altas patentes do regime que preferem não esperar para ver o tratamento a “Primavera síria” lhes reserva.

No meio disto tudo joga-se uma interessante recomposição dos equilibrios na região. Existem rumores que o Hezbollah, uma joint-venture entre os regimes sírio e iraniano usada como proxy nas tarefas de controlar o Líbano e atacar Israel já foi convidada a mudar de ares.