Alemanha deles e a nossa Grécia

Em vez de demonizarmos os alemães e de lhes atribuirmos intenções perversas convinha perceber a lógica das suas exigências e que em posição idêntica agimos da mesma forma. E fazemos bem. Não concordo com tudo o que o Luís Naves aqui escreve. Mas pelo menos ele coloca a questão nos seus devidos termos:

Merkel defende os interesses do seu país e, se houvesse um chanceler social-democrata, a política alemã não seria muito diferente, o que se prova pela forma como os partidos alemães chegaram a acordo sobre a ratificação do Tratado Orçamental que obriga os signatários ao rigor nas contas públicas. Não é possível imaginar que a Alemanha abra os cordões à bolsa sem garantias políticas. O eleitorado não aceitaria pagar mais impostos e ter abrandamento económico ao ajudar outros países, sem ter a certeza de que o dinheiro seria bem gasto.

Num programa da TV, ontem, Henrique Medina Carreira (um dos comentadores mais lúcidos em Portugal) tentou explicar isto e lembrou o exemplo da relutância nacional em pagar as dívidas da Madeira. Os contribuintes continentais têm dificuldade em aceitar manter um sistema que sabem ser ineficiente e um estilo de vida que sabem ser insustentável. Confesso que quando vejo Jardim a mandar “umas bocas” contra o continente sinto uma indignação muito teutónica

Medina Carreira e o “Excesso de Austeridade”

.Medina Carreira, certeiro como é seu hábito.

O fiscalista criticou os discursos como os do secretário-geral do Partido Socialista, António José Seguro, que “mostram a austeridade como um papão”, quando, com este acordo de assistência financeira, “a ‘troika’ está apenas a dizer que Portugal tem de gastar apenas o que tem”.

Henrique Neto concordou com Medina Carreira, afirmando que “com estes políticos e esta política não se podem esperar melhorias”, mas preferiu apontar o distrito de Leiria como um exemplo a seguir no país e que devia ser alvo de estudo, em especial em tempo de crise.

Porque não há mais Portugueses como estes 2?