Salazar e Le Pen: a luta continua

Daqui se conclui com relativa evidência: tivesse Salazar tido a “lucidez” de chamar União Nacional Trabalhista ao seu partido único e de chamar às colónias “territórios de resistência ao imperalismo” teria podido contar com Cunhal como seu fiel ministro – tudo o resto seria o Estado Novo como o conhecemos: prisão de opositores (banal desde Lenine), censura prévia na imprensa (nada mais comum no Pacto de Varsóvia) e colonialismo (URSS, alguém?).

 

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Um programa eleitoral de extrema-

Sem quaisquer reservas, acusa Merkel de ser «a directora da prisão que é a Europa», ou Durão Barroso de ter sido o «guarda prisional». Acredita que estamos numa ditadura, a «euroditadura». A culpa? Do Euro, da União Europeia. A mesma «euroditadura» que tem subjugado a Grécia, dizendo a um país soberano «o que deve fazer e como o deve fazer». Clama pelo «fim do Euro», pois só assim poderão acabar as grilhetas que espartilham os países. Deseja a nacionalização dos principais bancos, pois o «Estado-estratego deve defender o interesse dos seus compatriotas». A Troika? Define-a como uma «hidra com três cabeças cujo único objectivo é defender os interesses dos bancos, das grandes instituições financeiras, dos credores dos países». É contundente quanto ao seu posicionamento: «não sou por menos Estado, não sou por mais privatizações, não sou pelo ultraliberalismo, não sou por essas leis do mercado que eu considero deverem ser controladas porque, caso contrário, conduzem ao esclavagismo». É naturalmente contra o acordo transatlântico, o TTIP, cujo objectivo é criar «mercado único mundial», onde «os fracos morrerão». A respeito do conflito ucraniano? A culpa é da UE, que «se imiscuiu voluntariamente na esfera de influência da Rússia». Finalmente, e quanto à geopolítica europeia: «os países do Norte tratam os do Sul como parasitas, gastadores, preguiçosos».

Alexis Tsipras num comício interno? Pablo Iglesias numa manifestação do Podemos? Poderia ser qualquer um dos dois, pois qualquer um subscreveria todas as posições suprarreferidas. Mas não é. É Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, o partido de extrema-direita francês, numa entrevista ao Expresso (edição em papel). Não fosse a reposição da pena de morte ou o fim da imigração, e seria um autêntico programa eleitoral da extrema-esquerda. Este episódio recorda-nos que nacionalismo e socialismo sempre andaram de mãos dadas, pelo menos no que a assuntos económicos diz respeito.

«Sou de extrema-direita, mas bem podia ser de extrema-esquerda».
«Sou de extrema-direita, mas bem podia ser de extrema-esquerda».