Do Trumpismo

Vejo muita gente preocupada com o populismo que produziu luminárias no poder como Donald Trump e promete produzir mais, talvez já nas próximas eleições presidenciais francesas – na Alemanha aposto hoje que Merkel continua na frente do governo. 

Tem alguma graça que muitos desses preocupados sejam eles próprios campeões do populismo-os-bons-somos-nós-quem-é-contra-nós-é-fascista, mas adiante. 

Eu propunha que, em vez de olhar para as consequências depois do caldo entornado, olhassem para as causas. Pensem bo preço a pagar pelo politicamente correcto do “boa noite a todas e todos” que pinta de racista para baixo quem ouse fazer uma piada que comece por “um cristão, um judeu e um muçulmano entram num talho”. Pensem no que dá quando toda a gente que pensa que o salário mínimo pode ser mau para o emprego ou para os menos qualificados é carimbada de esclavagista. Ou pensem no que possivelmente pode correr mal quando parte da estratégia política é simplesmente interromper sessões, reuniões, debates onde falam aqueles que assinalámos como indesejáveis para “grandolar” e não permitir que terceiros tenham a seu liberdade de expressão por serem dos maus. 

Quando o “debate” político passa maioritariamente por chamar fascistas, racistas, misóginos, esclavagistas, homofóbicos,colonialistas, opressores, neo-feudalistas ou eu sei lá o quê ao adversário em vez de de facto assumir que há opiniões diferentes das nossa que podem ser honestas e válidas, então podem crer que o Trumpismo se vai espalhar e com muito sucesso. Tomem a palavra deste fascista. 
P.S.: E já agora podemos assumir que as migrações deste século trazem legítimos medos de perda de emprego (de que discordo) ou assimilação cultural (de que não discordo totalmente) à maioria das pessoas e que responder “és um racista se discordas da nossa solução la-la-land” só dá gás a quem reconhece e trabalhar esses medos e aparenta ter uma solução?