Na Madeira…

2011: PSD-4   PS-1   PP-1
2015: PSD-4   PS-1   BE-1 (provisórios)

O Bloco beneficia do colapso do PP para metade.

Edição: PSD acaba de perder 1 deputado para o PS.
Resultados finais: PSD-3   PS-2   BE-1
Enfim…

Na cabecita deles vai dar tudo ao mesmo

Conhecida a recente avaliação feita pelo Ministério das Finanças às contas da Madeira e os avisos dela decorrentes, notícia a TSF que “PS e CDS rejeitam novas medidas de austeridade para a Madeira” o que indicia posições idênticas dos maiores partidos da oposição regional. Certo? Errado.

Enquanto o CDS rejeita novas apenas medidadas do lado da receita,o PS-M rejeita quaisquer medidas adicionais. Quer do lado da receita quer da despesa. Nem se percebe muito bem a alternativa. Provavelmente, nenhuma.

Alemanha deles e a nossa Grécia

Em vez de demonizarmos os alemães e de lhes atribuirmos intenções perversas convinha perceber a lógica das suas exigências e que em posição idêntica agimos da mesma forma. E fazemos bem. Não concordo com tudo o que o Luís Naves aqui escreve. Mas pelo menos ele coloca a questão nos seus devidos termos:

Merkel defende os interesses do seu país e, se houvesse um chanceler social-democrata, a política alemã não seria muito diferente, o que se prova pela forma como os partidos alemães chegaram a acordo sobre a ratificação do Tratado Orçamental que obriga os signatários ao rigor nas contas públicas. Não é possível imaginar que a Alemanha abra os cordões à bolsa sem garantias políticas. O eleitorado não aceitaria pagar mais impostos e ter abrandamento económico ao ajudar outros países, sem ter a certeza de que o dinheiro seria bem gasto.

Num programa da TV, ontem, Henrique Medina Carreira (um dos comentadores mais lúcidos em Portugal) tentou explicar isto e lembrou o exemplo da relutância nacional em pagar as dívidas da Madeira. Os contribuintes continentais têm dificuldade em aceitar manter um sistema que sabem ser ineficiente e um estilo de vida que sabem ser insustentável. Confesso que quando vejo Jardim a mandar “umas bocas” contra o continente sinto uma indignação muito teutónica

Contar mal a História é não aprender com ela

Tudo indica que as consequências da tragédia na Madeira foram amplificadas devido à negligência no ordenamento do território (Quercus previu em Agosto de 2007 o cenário actual). No entanto acerca das causas complexas da tragédia, os media têm prestado um fraco serviço público na investigação e informação do impacto que o ordenamento tem nos efeitos da «raiva da natureza» (preferindo uma exploração psicológica dos que viveram a tragédia), e os responsáveis políticos como Alberto João Jardim pedem para «não dramatizar muito lá para fora».

Salazar também pediu e zelou para que não se dramatizassem as consequências das cheias de 1967, onde «morreram cerca de 700 pessoas, a maioria das quais vivia em habitações clandestinas implantadas nos leitos de cheia», comandando a censura sobre a quantidade  de mortos, para encobrir a falta de organização e de meios (essencialmente concentrados para a guerra colonial) para lidar com a tragédia.

Confirmei com uma professora de História que na escola não se fala nem nunca falou das cheias de 1967. Nem sobre o passado, nem sobre o presente, apesar do facto de que as «As cheias de 1967 voltariam a matar hoje»: «A diferença é que temos a Protecção Civil, algo que na altura não passava de uma mera intenção, mas isso não significa que possa morrer menos gente, principalmente quando esses locais foram simplesmente urbanizados e as pessoas consideram que vivem em segurança», garante José Luís Zêzere, professor universitário e investigador do Centro de Estudos Geográficos, da Universidade Clássica de Lisboa.

Regressando à Madeira,  atribui-se à construção em cima de ribeiras – como aconteceu com a rotunda do Dolce Vita, no Funchal -, ao desvio ou à redução dos canais e à impermeabilização dos solos o facto de a água ter procurado outros caminhos. Em seu entender, a falta de planeamento foi “o grande potenciador das consequências deste desastre”. A rádio TSF noticiou o testemunho de uma mulher que garante ter visto 6 cadávares terem sido retirados ontem do centro comercial, relatando o episódio com pormenor. A TSF relatava também que, confrontado com este testeunho, o director do centro comercial nega que tal tenha acontecido.

Note to self: evitar o Loures Sopping em tempos de chuva.