Um regime em avançado estado de desintegração

A propósito do post do Rui Carmo, julgo que poucos acreditarão na fábula de um insider do regime baathista que só agora terá reparado que serve um regime altamente repressivo. Mas é demonstrativo da confiança que eles colocam na sua manutenção. E este é apenas o mais recente epísódio de deserção de altas patentes do regime que preferem não esperar para ver o tratamento a “Primavera síria” lhes reserva.

No meio disto tudo joga-se uma interessante recomposição dos equilibrios na região. Existem rumores que o Hezbollah, uma joint-venture entre os regimes sírio e iraniano usada como proxy nas tarefas de controlar o Líbano e atacar Israel já foi convidada a mudar de ares.

O muro da desvergonha

Excerto da crónica de Alberto Gonçalves no DN

É um dos princípios oficiais do “olimpismo”: toda a forma de descriminação relativamente a um país ou a uma pessoa com base na raça, religião, política, sexo ou outra é incompatível com a pertença ao Movimento Olímpico.

O engraçado é que não parece. Nos Jogos em curso, os judocas libaneses recusaram treinar no mesmo espaço que os seus adversários israelitas, manifestação discriminatória que em teoria enxotaria os atletas em causa da competição. Na prática, porém, a organização londrina optou por respeitar o ligeiro anti-semitismo e, apressada e discretamente, colocar uma espécie de muro que separasse as delegações. Ambas as partes aceitaram o compromisso e o episódio terminou aí, sem um castigo, um protesto, uma vigília, o esboço de um boicote concertado ao Líbano.

Se calhar é impressão minha, mas suspeito que o desfecho teria sido outro caso os belgas recusassem a proximidade de africanos, os americanos confessassem repugnância face a asiáticos ou, digo eu, os israelitas simulassem náuseas junto de árabes em geral. O “olimpismo” não tolera intolerâncias. Excepto a do costume.