João Duque gosta de brincar…

JOÃO DUQUE à Renascença: “Pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

João Duque diz que os reformados de hoje descontaram os que lhe pediram e que agora têm direito à reforma calculada. Mesmo que tivessem pago 35% durante 32 anos e, reformados aos 50 anos, possam ainda receber 90% durante cerca de 30 anos – uma situação em que eu conheço vários casos – essa situação é justa porque as “pessoas descontaram o que lhes pediram, nem mais nem menos”.

Ele estará a brincar? Quem paga esse enorme diferencial? Estarei eu – que estou na casa dos 30 – condenado a pagar para sustentar esta enorme injustiça durante anos (décadas?) e no fim receber umas palmadinhas nas costas e um pedido de desculpas? Porquê – Porque alguém prometeu algo a alguém antes de eu nascer? E eu, tenho de sair do país para evitar participar neste desastre em câmara lenta?

Passos Coelho é um amigo do Estado Social e está a tentar salvá-lo.  Se ele falhar creio que o Sr. Duque vai gostar ainda menos da alternativa…

Equidade Fiscal – Um exemplo com Cervejas

Equidade fiscal, via Facebook de João Duque.

Era uma vez dez amigos que se reuniam todos os dias numa cervejaria para beber e a factura era sempre de 100 euros. Solidários, e aplicando a teoria da equidade fiscal, resolveram o seguinte:

  • Os quatro amigos mais pobres não pagariam nada;
  • O quinto pagaria 1 euro;
  • O sexto pagaria 3;
  • O sétimo pagaria 7;
  • O oitavo pagaria 12;
  • O nono pagaria 18;
  • O décimo, o mais rico, pagaria 59 euros.
Satisfeitos, continuaram a juntar-se e a beber, até ao dia em que o dono da cervejaria, atendendo à fidelidade dos clientes, resolveu fazer-lhes um desconto de 20 euros, reduzindo assim a factura para 80 euros.Como dividir os 20 euros por todos?Decidiram então continuar com a teoria da equidade fiscal, dividindo os 20 euros igualmente pelos 6 que pagavam, cabendo 3,33 euros a cada um. Depressa verificaram que o quinto e sexto amigos ainda receberia para beber.

Gerada alguma discussão, o dono da cervejaria propôs a seguinte modalidade que começou por ser aceite:

  • Os cinco amigos mais pobres não pagariam nada;
  • O sexto pagaria 2 euros, em vez de 3, poupança de 33%;
  • O sétimo pagaria 5, em vez de 7, poupança de 28%;
  • O oitavo pagaria 9, em vez de 12, poupança de 25%;
  • O nono pagaria 15 euros, em vez de 18.
  • O décimo, o mais rico, pagaria 49 euros, em vez de 59 euros, poupança de16%.

Cada um dos seis ficava melhor do que antes e continuaram a beber.

No entanto, à saída da cervejaria, começaram a comparar as poupanças.

  • Eu apenas poupei 1 euro, disse o sexto amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!… Não é justo que tenhas poupado 10 vezes mais…
  • E eu apenas poupei 2 euros, disse o sétimo amigo, enquanto tu, apontando para o décimo, poupaste 10!…Não é justo que tenhas poupado 5 vezes mais!…
  • E os 9 em uníssono gritaram que praticamente nada pouparam com o desconto do dono da cervejaria.

“Deixámo-nos explorar pelo sistema e o sistema explora os pobres”, disseram. E rodearam o amigo rico e maltrataram-no por os explorar.

No dia seguinte, o ex-amigo rico “emigrou” para outra cervejaria e não compareceu, deixando os nove amigos a beber a dose do costume. Mas quando chegou a altura do pagamento, verificaram que só tinham 41 euros, que não dava sequer para pagar metade da factura (90)!…

 Aí está o sistema de impostos e a equidade fiscal.
Os que pagam taxas mais elevadas fartam-se e vão começar a beber noutra cervejaria, noutro país, onde a atmosfera seja mais amigável!…[David R. Kamerschen, Ph.D. -Professor of Economics, University of Georgia]

João Duque deturpado por Isabel Tavares do Jornal i

João Duque, na parte final da entrevista:

Os portugueses aprenderam a lição?

Espero bem que sim, porque é uma lição muito cara. Mas isso vê-se nas eleições, aí é que vamos ver se os portugueses aprenderam a lição. Se as pessoas disserem que estes indivíduos são maus porque lhes cortaram salários embora tenham conseguido estabilizar as coisas no país e depois nas eleições forem dar a vitória a um bloco de esquerda, então acho que não aprenderam a lição.

(sublinhado meu)

Vs

“Jornalista” Isabel Tavares, no subtítulo da peça:

Economista diz que só se verá se os portugueses aprenderam a lição se votarem na esquerda nas próximas eleições

 Senhora Isabel Tavares,

Pessoalmente, não sei como ainda lhe continuam a conceder entrevistas. Talvez pelos nomes por onde já passou. Eu não o faria e não sei porque é que o Professor João Duque o faz, conhecendo o seu histórico sobretudo desde que foi para o i. Não é isenta nas perguntas, na temática destas, no modo como conduz a entrevista.

Mas o que eu agradeço mesmo é que não vire 180º aquilo que ouve para aquilo que gostaria de ter ouvido. O Professor pede para NÃO se dar a vitória ao Bloco de Esquerda, dizendo que em tal cenário os eleitores não teriam aprendido a lição. Não o contrário. Não está alinhado com o que a senhora pensa? Azar. Olhando para o seu currículo, já tinha experiência (maturidade?) para saber qual o papel de um jornalista.

Referências: exemplo se sensacionalismo sobre a subida do IVA, exemplo noutro blogManual de contra-informação usando artigo da jornalista como base.