O muro da desvergonha

Excerto da crónica de Alberto Gonçalves no DN

É um dos princípios oficiais do “olimpismo”: toda a forma de descriminação relativamente a um país ou a uma pessoa com base na raça, religião, política, sexo ou outra é incompatível com a pertença ao Movimento Olímpico.

O engraçado é que não parece. Nos Jogos em curso, os judocas libaneses recusaram treinar no mesmo espaço que os seus adversários israelitas, manifestação discriminatória que em teoria enxotaria os atletas em causa da competição. Na prática, porém, a organização londrina optou por respeitar o ligeiro anti-semitismo e, apressada e discretamente, colocar uma espécie de muro que separasse as delegações. Ambas as partes aceitaram o compromisso e o episódio terminou aí, sem um castigo, um protesto, uma vigília, o esboço de um boicote concertado ao Líbano.

Se calhar é impressão minha, mas suspeito que o desfecho teria sido outro caso os belgas recusassem a proximidade de africanos, os americanos confessassem repugnância face a asiáticos ou, digo eu, os israelitas simulassem náuseas junto de árabes em geral. O “olimpismo” não tolera intolerâncias. Excepto a do costume.

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Israel vs Comissão de Direitos Humanos da ONU (round #134)

Hillel Neuer da UN Watch confronta a Comissão de Direitos Humanos da ONU (onde constam alguns campeões da causa como o Irão a Síria ou Cuba) e o perito da ONU para os territórios palestinianos Richard Falk que acusa de parcilidade e anti-semitismo.