Inferno Demográfico

Relacionado com o post anterior, sobre o peso do Estado Social e a incapacidade de sair de uma situação difícil por parte da juventude que o suporta, vem a questão demográfica.

Disse-me hoje um defensor do Estado Social (“a maior criação do Século XX”…), que não há solução para a Natalidade. Os jovens portugueses têm vontade de ter filhos, mas o número de filhos por casal é de 1,3 – logo bem abaixo dos 2,1 necessários para a substituição geracional. Isto para o defensor do estado social era uma questão irresolúvel para qual não há solução e há qual portanto temos de nos adaptar.

Para mim não é um mistério porque a natalidade é tão baixa. Tendo nascido em 1980, estou na idade perfeita para olhar para as minhas colegas de primária e de faculdade e perceber quais são os problemas. Fruto da minha experiência no terreno, passo a elencar algumas questões que julgo relevantes.

  1. Distribuição inter-geracional – O generosíssimo Estado Social (próximo post) beneficia de sobremaneira a geração dos meus pais, recentemente reformada. Quantos colegas meus (trintões portanto) não têm dificuldade em pagar as contas e recorrem a apoios dos pais – que invariavelmente têm folga financeira para esse apoio. Neste país, nestes tempos, idosos têm orçamento supérfluo e jovens não. Ora como mulheres de 60 não têm filhos porque não têm físico para tal e mulheres de 30 estão em situação financeira instável, não admira que haja poucas crianças. Os impostos altos sobre a juventude e as pensões generosas (em termos relativos) têm destas consequências.
  2. Instabilidade na carreira – Nesta nova economia, a única coisa certa são os impostos. E o pior patrão de todos é o estado. Quantas professoras têm contrato nos primeiros 10 anos de carreira? Quantas enfermeiras têm de fazer n contratos de substituição e uma especialidade antes de serem admitidas? Quantas médicas andam a saltar de terra em terra enquanto fazem os seus estudos superiores? Mesmo que uma mulher tenha estudos superiores e um emprego num dado mês, quantas podem garantir nos anos seguintes i) continuarem a ter trabalho remunerado e ii) no local que escolheram para viver.
  3. Instabilidade familiar – A entrada da mulher na força de trabalho teve um efeito demográfico óbvio. A mesma filosofia que levou ao crescimento do estado social instalou também as mulheres na força de trabalho, aumentando o PIB mas diminuindo a natalidade, pois o tempo não estica e uma mulher com uma carreira afirmada e financeiramente independente certamente que não vai ter o mesmo número de filhos da minha avó (no caso, 10). Se o nexo de causalidade não é claro, pois os dois fenómenos reforçam-se mutuamente, creio que pelo menos a correlação é visível – mas aguardo os vossos comentários sobre este ponto em concreto.
  4. Pensamento Milenial – Num mundo em que tudo é cor-de-rosa e não nos temos de preocupar com nada, a tendência é a desresponsabilização e o aumento dos prazeres (a este propósito, recomendo este vídeo). Assim, o Estado Social é também um sintoma do declínio do ocidente e a queda dos Estoicismo e dos seus valores. Não é difícil assim ver que os jovens privilegiam os prazeres da vida às responsabilidades, e ter filhos é um fardo que muitos não querem suportar.
    O Estado Social é um inimigo do Estoicismo e portanto acentua esta tendência.

Se viram o vídeo, este fala nas 6 épocas de uma civilização: Pioneiros, Conquista, Comércio, Afluência, Intelectuais, Decadência. Concentrando-nos nesta última fase, esta tem sempre os mesmos sinais: exército disperso e indisciplinado, demonstração exacerbada de riqueza, disparidades entre ricos e influentes e os outros, um desejo de viver de um estado gordo, desvalorização da moeda, e uma obsessão com comida e sexo.

6 phases

Uma juventude que cresça nesta época, sem padrões anteriores, tende a exacerbar tudo isto. O Estado Social actual (como no Império Romano, no Império Português do Século XV/XVI e noutros, pois isto é obviamente cíclico) ou é controlado ou levará à ruína.
Eu defendo o estoicismo, a meritocracia e o controle do estado social.
Outros defendem o seu crescimento ad infinitum.
Inferno demográfico, venda de património a estrangeiros, economia de bandeja (cf Marcelo Caetano) e crescimento apenas com base em aumento de dívida será o resultado… evitável, mas expectável.

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