Pergunta (sobre os Incêndios)

fogo131Com o número de vítimas do pior dia de incêndios do ano a subir novamente (para 45) tanto tempo depois dos incêndios, o que acham do total de Pedrógão ter ficado politicamente definitivamente fechado 2 dias depois da tragédia, com tantos feridos e pessoas em locais de difícil acesso?

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Área Ardida, em Mapas

Evolução do Orçamentado actualmente para Prot Civil e combate a incêndios:

Mapas via site do ICNF (no lado direito de cada imagem tem o ano respectivo)

2011

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Bloco Vs Realidade – Porque Arde Portugal?

Bloco: Erros nos incêndios foram causados por “preceitos neoliberais”.

A coordenadora do Bloco não deixa, porém, de apontar o dedo aos anteriores Executivos. Para a líder bloquista, a política da floresta e da Proteção Civil têm seguido “todos os preceitos neoliberais”. Até com a autoridade nacional que nós tínhamos para as florestas se acabou nos tempos da ‘troika’. O Bloco até aprovou recomendações empenhadas sobre ser preciso sapadores florestais e vigilância e nunca nada foi posto em prática porque ‘ai o défice, ai a austeridade’”, criticou Catarina Martins.

(Então a austeridade não acabou? Porque reduziu o orçamento para a defesa das florestas em 9% este governo? Quem é neoliberal? O PS?)

Realidade: ¿Por qué los incendios en Portugal son tan letales?

Sí se sabe que hay una parte del bosque que nunca se incendia, el de la industria. Las papeleras gestionan el 6,5% de los terrenos privados, algo más de 200.000 hectáreas. Sus eucaliptos no arden, y cuando lo hacen es por contagio del vecino. El sector invierte cuatro millones de euros anuales en labores de prevención y silvicultura. Su brigada de intervención rápida se mantiene en alerta todo el año. Casi todos los fuegos que apagan (el 85%) están en propiedades vecinas.

Sim: a floresta na mão das grandes papeleiras não é consumida por grandes incêndios.

E são da espécie maldita: Indústria Papeleira diz que problema dos incêndios não se deve ao eucalipto.

“Se formos ver as estatísticas, em média arde menos de 1% anualmente do património gerido por estas empresas. Isto é um valor que só por si já diz tudo”, destacou, recordando que cerca de 200 mil hectares de floresta, a maioria de eucalipto, são geridos pelas empresas associadas da CELPA.

A diferença é ter uma gestão privada. Não o facto de ter uma ou outra espécie de árvores.

Extra: “O maior atentado à floresta portuguesa”. Indústria papeleira arrasa reforma florestal.

Catarina MartinsConclusão: Catarina Martins… pense antes de dizer baboseiras dessas.
Olhe que lhe fica mal, pois apesar do controlo que tem da imprensa em Portugal há sempre modo de a informação circular.
Sobre a Comunicação Social: Não há 1 jornalista que questione a senhora no final da intervenção sobre os dislates da senhora, por exemplo sobre este tema? Estão assim tão atados?

Completamente sozinhas

O que mais me impressionou estes dias com a divulgação do desenrolar dos vários incêndios do fim-de-semana (e ao recordar os de Junho) não foi nem a área ardida nem aliás o número de mortos.

Ambos por si só impressionam, é certo (maior área ardida de sempre e «desde que há registos, nada se compara ao que se passou em Pedrógão Grande»), mas duvido muito que seja sério tirar grandes ilações da área ardida, p.ex. Há variações muito grandes de ano para ano e é até provável que muitas vezes deixar arder uma área – sem bens nem pessoas a proteger (“fires that are sparked in remote wilderness, where they aren’t hurting anyone, should be allowed to burn“) – dum determinado incêndio seja o melhor combate possível, pelo que parece que a área ardida pode depender muito mais de factores incontroláveis do que de factores controláveis.

O que me choca e salta à vista é que entre o enorme número de mortos haja tão poucos bombeiros (um apenas, salvo erro, este ano) e tantos mortos na estrada. Não estou, evidentemente, a colocar em causa o trabalho dos bombeiros ou a insinuar qualquer tipo de problemas com a sua competência ou dedicação. Nem duvido que sempre que presentes os bombeiros estão na primeira linha de fogo apenas com uma mangueira entre si e o fogo.

Mas é uma evidência: consultadas as notícias (não sei se há estatísticas consolidadas) salta à vista que – e isto é expectável – tipicamente as mortes ocorrem muito mais do lado de quem combate e está envolvido directamente com os incêndios do que do lado dos civis. Ora este ano a situação inverte-se de forma brutal: Em mais de 100 mortos só um é bombeiro.

Este facto é central na análise que se tem de fazer da tragédia dos incêndios deste ano. E ensaiando alguns cenários possíveis para qu neste ano tenha havido tantos mortos na esmagadora maioria civis – e tantos na estrada – há um que me parece mais evidente ainda que possa estar errado. E deixa-me transtornado e assustado.

É que não me parece que tão grande discrepância face a incêndios em anos passados possa ser culpa da meteorologia, dos eucaliptos ou de factores aleatórios. A impressão que tiro desta enorme diferença face a anos passados é que este ano (aquel)as populações foram abandonadas à sua sorte –  apanhadas pelo fogo, a tentar combater o fogo ou a fugir do fogo. Aquelas mais de cem pessoas morreram porque não tiveram nenhum apoio e estavam completamente sozinhas.

Quem foi, quem foi…

… que acabou com a Guarda Florestal quando foi MAI?
… responsável pelo contrato do SIRESP, inoperacional e que custou 5x o valor real?
… que assinou contratos ruinosos com as empresas de meios aéreos?
… que recusou a compra de 2 aviões Canadair com grande parte de fundos da UE, possivelmente por birra, pois tinha sido PPC a negociar?
… que impediu que a força aérea fosse utilizada para os incêndios?
… que não foi capaz de mandar limpar o Pinhal de Leiria, propriedade do estado, apesar dos avisos dos dirigentes locais?
… que reduziu 9% o orçamento para o combate a incêndios, comparado com o Governo da austeridade?
… que suspendeu a prevenção de fogos sabendo que a previsão meteorológica era favorável a incêndios (236 postos de vigia encerrados desde 1 de outubro)?
… se rodeou de uma equipa de ministros à sua imagem?
… que tem um subalterno que manda as populações “desenrascarem-se”?
… que tem uma subalterna que duas semanas antes da época de incêndios decidiu trocar os líderes da Proteção Civil experientes por outros politicamente conectados?
… que assume que, com ele no governo, dias negros “seguramente vão repetir-se”?

Portugal's Socialist party (PS) leader Antonio Costa speaks to the media after a meeting with Portugal's President Anibal Cavaco Silva at Belem Palace in Lisbon