Orbán: Podia ser Pior

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Esta questão do Orbán preocupa-me imenso, pois sou um pessimista e considero que pode sempre ficar pior. Ora imaginem lá que o homem não se dedicava apenas a fechar a Universidade do Soros e apertar uns adversários, mas decidia implementar uma ampla estratégia de censura de modo a condicionar globalmente o debate político?

Imaginem que o Orbán, à semelhança de um certo VP do Parlamento Europeu vinha afirmar que a intenção da UE era afastar determinados partidos do boletim de voto. Equacionem um cenário em que Orbán, ainda que admitindo a falta de provas, empreendia um vigoroso ataque contra um gigante tecnológico estrangeiro alegando interferência externa.

E se ele não se limitasse a correr com os refugiados? E se fosse a casa deles bombardear a malta até à idade da pedra, removendo no processo os líderes de países soberanos e deixando um rastro de morte e miséria? Era capaz de ser bem pior.

E se apostasse em montar um super-estado federal à revelia da população e ignorasse constantemente as decisões desta? Aí teria, claramente, uma grande parte das características de um fascista.

Felizmente a coisa ainda não está tão preta e Orbán ainda não se transformou nisso.

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A contar (17)

Certa manhã — ela mal queria acreditar nos seus olhos —, enquanto fazia compras no Mercado Central, no meio da multidão afadigada, avistou B. Ele esperava à frente de uma banca de legumes, no meio de batatas, nabos, beterrabas e couves por ali aos montes.

Imre Kertsz, A Aniquilação

E fígado gordo de ganso (fuágrá, em estrangeiro); e chouriço picante; e o sumo de toranja, ao fundo; e a perna de pato, com uma caneca de Soproni ou Arany Ászok, no segundo andar.

Budapeste (Mercado Central), 2002

A contar (30)

Nadar, retrato de Franz Liszt, 1886

Franz Liszt morreu há 124 anos, no dia 31 de Julho de 1886, em Bayreuth. Liszt, compositor e pianista húngaro, como é habitual dizer-se, e em Budapeste não hesitam em utilizar o seu nome como património da cidade. A convenção respeita a vontade do músico, pois este por várias vezes afirmou ser húngaro, mas, atendendo à sua biografia, quem o tome por alemão tem o “equivoco” justificado. Na faixa de terra que separa dois mundos e que vai da Polónia à Grécia — mais correctamente, de Gdansk (Danzig?) a Salónica —, Liszt está mais perto da regra do que da excepção. A Europa das nações está há muito tempo encalhada neste estorvo.