Portugal caracterizado em termos culturais

Já aqui publiquei como Hofstede caracterizava um povo. Mas ele mudou completamente o site dele, quebrou os links antigos e colocou gráficos mais apelativos. Aqui ficam os de Portugal face a outros países.

Comparativamente com as potências:

Comparativamente com os países que ajudamos a criar:
(Orientação de Longo Prazo simplesmente não foi medida)
Comparativamente com Espanhóis e Alemães:
Chave:
  • PDI (Power Distance Index) –  Distância ao Poder – Mede até que ponto os membros menos poderosos de uma sociedade aceitam e esperam uma distribuição desigual do poder. Representa a desigualdade medida a partir de baixo, ou seja, aceite pela população.
  • Ind – Individualismo – A mentalidade é individualista ou colectivista? Nas sociedades individualistas, as ligações entre indivíduos são mais soltas, esperando-se que cada um seja capaz de tratar de si próprio e se precaver para eventuais adversidades. Nas sociedades mais colectivistas, as pessoas desde o nascimento que são integradas em grupos (familiares mas também profissionais ou de interesses) que são coesos, fortes, protectores e onde se espera uma lealdade inquestionável.
  • Mas – Masculinidade – A comunicação é directa e assertiva ou cheia de floreados? A sociedade é mais competitiva ou mais modesta e sentimental?
  • UAI  (Uncertainty Avoidance Index) – Atitude face  à Incerteza – A sociedade evita o risco, preferindo a certeza e o Status Quo ou aceita o risco? Despreza ou valoriza os que falharam em tentativas anteriores?
  • LTO (Long Term Orientation) – Longo Prazo – A orientação é para soluções de curto prazo ou de longo prazo? (proposta por investigadores Chineses, só disponível para 23 países)

Explica muita coisa.

Pedro Passos Coelho e Jerónimo de Sousa sobre o Desemprego.

O primeiro-ministro apelou hoje aos portugueses para que adotem uma “cultura de risco” e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser “uma oportunidade para mudar de vida”.

Passos Coelho referiu que “estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo”. “Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”, afirmou o primeiro-ministro, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. (ver ligação na reação de Jerónimo)

Passos Coelho disse o óbvio:
– Em Portugal, o principal problemas de cultura económica é a Falta de Cultura do Risco;
– Estar desempregado não deve ser encarado necessariamente como algo negativo, pois pode também ser uma oportunidade, como qualquer crise é vista na cultura chinesa.

Face a estas declarações pacíficas e até de incentivo, qual foi a reação do Partido Comunista Português?

Jerónimo reagiu imediatamente para dizer 2 disparates:

1. “O Governo esconde o número [do desemprego] aos portugueses, particularmente aos desempregados e não é por erro de cálculo, não é por erro de contas. É para tentar mistificar aquilo que hoje é um dos problemas centrais do nosso país, um dos problemas centrais da juventude, particularmente, que ainda por cima tem como resposta, como conceção, por parte do primeiro-ministro esta ideia ofensiva para mais de um milhão de desempregados”
Isto é falso, pois é o INE que tem de calcular e a Comunicação Social que deve divulgar. O que faz regularmente, de resto.

2. O secretário-geral do PCP questionou como é que “um primeiro-ministro pode ofender esses que estão numa situação desesperada não por não querem encontrar emprego, não porque não querem trabalhar, antes pelo contrário”.
O 1º Ministro não ofendeu. Antes pelo contrário. Deu uma esperança: o mundo não se resume a uma carreira profissional. Portugal tem cada vez mais exemplos, desde a conquista do prémio Leya, a exemplos como o do pintor de camélias, até algo mais sistemático como a conferência UBI sobre Desemprego e empreendedorismo.

O país, perante as óbvias dificuldades, tenta lançar-se para a frente e sair da crise. PPC apoia. Jerónimo acha isso ofensivo.

PPC e Jerónimo vêm as dificuldades. PPC aponta uma saída possível. Jerónimo só vê motivos para desespero. É pena.

Hofstede – Dimensões Culturais de um Povo

Como caracterizar um país quanto às características culturais do seu povo?

De acordo com o que aprendi no meu mestrado em Economia Internacional, Hofstede em 1980 achou a melhor resposta até à data a esta questão. Ele dividiu a sua caracterização cultural em 4 dimensões (a que mais tarde juntaram a 5ª). A saber:

  • PDI (Power Distance Index) –  Distância ao Poder – Mede até que ponto os membros menos poderosos de uma sociedade aceitam e esperam uma distribuição desigual do poder. Representa a desigualdade medida a partir de baixo e sugere que este é o nível relevante no nível de desigualdade em que se irá encontrar uma sociedade.
  • Ind – Individualismo – A mentalidade é individualista ou colectivista? Nas sociedades individualistas, as ligações entre indivíduos são mais soltas, esperando-se que cada um seja capaz de tratar de si próprio e se precaver para eventuais adversidades. Nas sociedades mais colectivistas, as pessoas desde o nascimento que são integradas em grupos (familiares mas também profissionais ou de interesses) que são coesos, fortes, protectores e onde se espera uma lealdade inquestionável.
  • Mas – Masculinidade – A comunicação é directa e assertiva ou cheia de floreados? A sociedade é mais competitiva ou mais modesta e sentimental?
  • UAI  (Uncertainty Avoidance Index) – Atitude face  à Incerteza – A sociedade evita o risco e prefere a certeza e o Status Quo ou aceita o risco? Despreza ou valoriza os que falharam em tentativas anteriores?
  • LTO (Long Term Orientation) – Longo Prazo – A orientação é para soluções de curto prazo ou de longo prazo? (proposta por investigadores Chineses, só disponível para 23 países)
Gráfico de Portugal no site do investigador original:
Na dimensão mais recente, Portugal tem uma orientação forte de CP.
Compare-se agora com Suiça e China:
 & 
E fica tudo dito, não é?
Já agora: vejam nesta imagem onde estão Portugal e Grécia por um lado e Suécia e Dinamarca por outro:
Pois…