A única saída possível é sair

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É o desfecho deste caso grego que marcará indelevelmente o projecto europeu, mas no sentido oposto ao que tem sido sugerido. A permanência da Grécia na Zona Euro, e não a sua saída, abriria um perigoso precedente com elevado risco moral. Isto é, provaria que o discurso populista, as promessas vãs e a quebra das regras de um projecto comum são ferramentas negociais eficazes. Aberta a caixa de Pandora, o que impediria os restantes países de adoptarem a mesma postura combativa sempre que uma regra não lhes convenha? Provando que é possível por em causa as pedras basilares, o que impediria o Podemos ou a Frente Nacional de as levantar? É na permanência da Grécia na Zona Euro, e não na sua saída, que fica em causa o projecto europeu.

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O meu artigo n’Observador.

Algumas notas: 1) não acho que este raciocínio se estenda a Portugal; Portugal deverá continuar na ZE; 2) não desejo qualquer mal à Grécia, mas a solução de atirar bad money atrás de bad money, sem que os gregos conduzam as reformas necessárias, é um poço sem fundo; 3) chegado este ponto, em que a dívida se tornou efectivamente insustentável nestes 6 meses (segundo o relatório do FMI), e que as negociações roçaram o nível mais baixo da política, não há outra alternativa que não sair da Zona Euro.