O que a Greve dos enfermeiros nos ensina sobre as outras greves?

Os Enfermeiros estão em greve. Não sendo eu favorável a greves, algo que eu não aceito é a campanha de desinformação espalhada pelo governo, pela comunicação social que age como cão de guarda ao governo, e por uma certa parte da classe médica que apoia o actual entendimento político.

O curioso desta greve é que, para atacar os enfermeiros, um dos vectores de ataque escolhidos pela esquerda no poder pode ser usado para criticar muitas outras greves. Afinal, se os enfermeiros são “selvagens” e “assassinos” (na verdade nunca se fizeram tantas cirurgias urgentes como durante esta greve!), então…

… os médicos grevistas serão o mesmo que acusam os enfermeiros de serem.

… os juízes grevistas serão criminosos, pela não aplicação da lei ou pelo menos pelo atraso desta, e ainda pelo benefício ao infractor.

… os polícias grevistas serão criminosos e ladrões, senão de forma directa, pelo menos como cúmplices.

… os pilotos da TAP e os funcionários da CP grevistas odeiam os respectivos utentes e serão mesmo sociopatas porque impedem as famílias de se reunirem.

… os professores grevistas odeiam as crianças, não têm paixão pela educação, e serão contra o futuro do país – certamente não devem querer receber reformas.

Greve.jpeg… os estivadores em greve serão obviamente contra as exportações do país em geral e contra trabalhadores como os da Autoeuropa e respectivas famílias em concreto.

… os funcionários públicos em greve serão contra o serviço público – incluindo o SNS – e os cidadãos que é suposto servirem.

… obviamente então as inter-sindicais e os comunistas e bloquistas serão selvagens, assassinos, pelo atraso do país, pela perda de empregos, criminosos, ladrões, sociopatas, odeiam as crianças e cospem em muitos dos pratos que lhes dão de comer.

Se a lógica da geringonça contra os enfermeiros se aplica, então tudo isto é verdade.

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