Como destruir um país e graças a isso ganhar eleições

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A Grécia de Aristóteles ou de Homero não é o mesmo país que a Grécia Moderna, cuja independência foi declarada em 1821. Partilha alguma geografia, partilhará alguns antepassados, mas nada é mais paradoxal do que comparar a Grécia Antiga, que nos trouxe a democracia, a política, a filosofia, a literatura, com a Grécia Moderna, que mais não é do que uma sequência algo infeliz de falências.

«Modern Greece — What everyone needs to know» é um livro de Stathis N. Kalyvas, que nos conta a história desta Grécia Moderna desde os seus primórdios até aos dias de hoje. O testemunho é impressionante, até porque faz Portugal parecer um portento económico comparativamente. Mais impressionante ainda é o lastro de destruição que o PASOK deixou. Apesar das péssimas decisões tomadas nos anos 80, ou precisamente por causa delas, conseguiu manter-se no poder, pela via democrática, durante 20 anos. Isto recorda-nos como a democracia pode ser permeável ao populismo, e como as instituições ficam reféns do poder político, que as usa para comprar votos. O que reforça a ideia de que as instituições deverão estar separadas, protegidas até, do poder político.

The advent of PASOK produced a devastating legislative trifecta. First came Law 1320 of 1983, which abolished the posts of ministry general directors that were filled by career civil servants and replaced them with “special secretaries”, who were party appointees; this law also eliminated competitive examinations, thus turning the hiring of civil servants into an ad hoc process, easy prey for patronage. Second was Law 1505 of 1984 introducing the so-called uniform wage structure, effectively disconnecting individual pay from performance in favor of an automatic seniority logic. Lastly, Law 1586 of 1986 established a “uniform” hierarchical structure, effectively disconnecting civil servant rank from expected levels of accountability.

These legislative innovations reinforced several harmful tendencies of the Greek bureaucracy: mismanagement, laxity, lack of accountability, worship of a highly formalistic and rigid legalism, prevalence of everyday informal practices that led to petty corruption, absence of sanctions for those caught breaking rules, and abuse of discretionary decision-making, a necessity in a context of rule inflation. Staff effectiveness was undermined as personnel evaluations required the agreement and signature of the employees being evaluated. Arbitrary peaks and extensive and informal arrangements and practices exploded (including not showing up to work on Monday and Friday or days immediately preceding and following vacation periods). Apparently, there was even a special perk for all those who did not receive any other form of additional benefits!

The ensuing rise in partisanship and collapse of professionalization caused a marked decline in the quality of public administration and the nationalized firms. For example, a study describes how machinery aimed at equipping a petrochemical factory but never used for that purpose was bought for 41 billion drachmas in 1981 and sold as scrap metal for 105 million drachmas in 1988. A study of the National Bank of Greece shows that whereas in 1981 almost 90 percent of the personnel had been hired through competitive examinations, by 1989 the number of employees had increased by 30 percent “mostly through the hiring of superfluous auxiliary or temporary personnel.” By 1984 it was estimated that 89 percent of all card-carrying party members of PASOK had some professional connection with the public either through a permanent job, a temporary job, or a contract to do business with it.

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One of the most important laws passed early by the first PASOK government (Law 1268 of 1982) was intended to modernize the antiquated system of Greek public higher education. The modernisation it achieved, however, was of a clearly populist nature as it lowered standards; distributed tenure across the board, including to teaching assistants and support staff; and, most ominously, introduced party machines in the governance of universities—while retaining the centralised legal framework that keeps universities enclosed in a formalistic straitjacket that stipulates every little detail of their operation.

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The rise of organised rent-seeking that took place under PASOK’s watch during the 1980s goes a long way toward explaining the persistence of these behaviors. […] Never before had so many people been hired by the state, with such salaries, pensions and benefits—to the point where the average government job paid almost three times the salary of the average private-sector job. An egregious but not isolated example was the national railroad company, which had annual revenues of €100 million against an annual wage bill of €400 million, on top of €300 million in other expenses. This is how the average state railroad employee came to earn €65,000 a year.

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Grécia, um caso perdido

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Segundo o GreekAnalyst, que disponibilizou e traduziu a notícia das alterações a serem preparadas, uma empresa recém-constituída na Grécia e que aufira um lucro de 100 mil Euros terá de pagar:

— 36 mil Euros de imposto sobre os rendimentos
— 36 mil Euros de pagamento especial por conta, valor mínimo para projectar lucro futuro
— Mil Euros de taxa sobre actividade económica
— 10 mil Euros de imposto de solidariedade
— 27 mil euros de contribuições para a segurança social

Total: 110 mil Euros.

A situação da Grécia há muito que deixou de ser cómica, é apenas trágica.

Os double standards do Público

Tanto a extrema-esquerda como a extrema-direita são péssimas opções para a Europa. Este é o meu entendimento, perfilhado também — julgo — por muitas outras pessoas. Não é, contudo, o entendimento do Público. Para o jornal Público a vitória da extrema-esquerda na Grécia é motivo de regozijo e celebração, mas uma eventual vitória da extrema-direita na Áustria seria motivo de consternação, agravo e preocupação. Se dúvidas havia quanto ao posicionamento ideológico do jornal Público, estão agora esclarecidas.

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Deve Ser Isto O Virar Da Página Da Austeridade Na Grécia

O governo grego acaba de aprovar um pacote de austeridade que inclui corte nas pensões e aumentos de impostos no valor de 5400 milhões de euros ao mesmo tempo que a polícia se confrontava com protestos violentos de manifestantes. Imagem retirada daqui.

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Vale a pena recordar que na longínqua data de 11 de Abril de 2016, António Costa e Alexis Tsipras apareciam juntos contra a austeridade  – imagem abaixo retirada daqui.

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Na Grécia, O Virar da Página da Austeridade Foi Assim

Vale a pena comparar as previsões macro-económicas para a Grécia antes e depois do Syriza tomar posse e “virar a página da austerdade”. A imagem foi retirada daqui.

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Vamos ver que resultados é que o Governo da Frente de Esquerda consegue em Portugal. É que infelizmente, o Excel maravilha do Mário Centeno, por mais multiplicadores que multiplique, ainda não tem o poder de conseguir moldar a realidade.

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A Vitória do Syriza: Um Sinal De Mudança Que Dá Força Para Seguir A Mesma Linha?

Parlamento grego aprova austeridade:

O Parlamento grego aprovou na madrugada de domingo o Orçamento do Estado para 2016, o primeiro desenhado pelo Governo de Alexis Tsipras e centrado na poupança, no agravamento dos impostos e em cortes na despesa, sobretudo nas pensões.

Tal atitude do Syriza não poderia ficar completa sem uma parte cómica, que sem dúvida contribuirá para a felicidade dos Gregos e que deixará a Catarina Martins orgulhosa:

Segundo Tsipras, a acção do executivo grego “está nos antípodas” da política neoliberal defendida pelos governos anteriores.