Páginas De Austeridade Que Se Viram (I) – A Carga Fiscal Maior De Sempre

Ainda se lembram da austeridade e do “enorme aumento de impostos” de Vítor Gaspar quando Portugal estava sujeito a um programa de ajustamento assinado com a troika?

Já sem a troika por cá e sem um programa de ajustamento para cumprir, a geringonça carrega os contribuintes com a maior carga fiscal de sempre.

A imagem acima foi retirada daqui.

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O Monstro

Afinal, a tal viragem da página da austeridade repetida até à exaustão pela geringonça pode ser observada no gráfico abaixo que mostra a evolução da carga fiscal em percentagem do PIB desde 1995 até 2018 e que foi retirado daqui.

Geringonça Aplica a Maior Carga Fiscal da Década, do Século e do Milénio!

Quando a geringonça diz que vira uma página de austeridade o quer dizer é que chegou uma página de austeridade maior.

Ora bem. Em 2017 a carga fiscal atingiu um novo máximo histórico – desde que o INE mantem registos a partir de 1995 – de 34,7% do PIB (fonte):

No ano seguinte, em 2018, a carga fiscal voltou a quebrar o recorde do ano anterior fixando nos 35,4% do PIB (fonte):

Seguindo esta tendência, consegue o leitor imaginar como será o valor da carga fiscal em 2019?

Grândola, Vila Morena…

Não deixa de ser profundamente irónico que um governo de frente de esquerda enfrente bastantes mais greves do que o governo liderado por Passos Coelhos que na altura teve de executar um duro programa de ajustamento. Esse programa, recorde-se, foi solicitado, negociado e assinado pelo governo do partido socialista, na altura liderado por José Sócrates, em resultado da situação de bancarrota a que conduziram o país.

As imagens acima foram retiradas daqui e daqui.

O que a Greve dos enfermeiros nos ensina sobre as outras greves?

Os Enfermeiros estão em greve. Não sendo eu favorável a greves, algo que eu não aceito é a campanha de desinformação espalhada pelo governo, pela comunicação social que age como cão de guarda ao governo, e por uma certa parte da classe médica que apoia o actual entendimento político.

O curioso desta greve é que, para atacar os enfermeiros, um dos vectores de ataque escolhidos pela esquerda no poder pode ser usado para criticar muitas outras greves. Afinal, se os enfermeiros são “selvagens” e “assassinos” (na verdade nunca se fizeram tantas cirurgias urgentes como durante esta greve!), então…

… os médicos grevistas serão o mesmo que acusam os enfermeiros de serem.

… os juízes grevistas serão criminosos, pela não aplicação da lei ou pelo menos pelo atraso desta, e ainda pelo benefício ao infractor.

… os polícias grevistas serão criminosos e ladrões, senão de forma directa, pelo menos como cúmplices.

… os pilotos da TAP e os funcionários da CP grevistas odeiam os respectivos utentes e serão mesmo sociopatas porque impedem as famílias de se reunirem.

… os professores grevistas odeiam as crianças, não têm paixão pela educação, e serão contra o futuro do país – certamente não devem querer receber reformas.

Greve.jpeg… os estivadores em greve serão obviamente contra as exportações do país em geral e contra trabalhadores como os da Autoeuropa e respectivas famílias em concreto.

… os funcionários públicos em greve serão contra o serviço público – incluindo o SNS – e os cidadãos que é suposto servirem.

… obviamente então as inter-sindicais e os comunistas e bloquistas serão selvagens, assassinos, pelo atraso do país, pela perda de empregos, criminosos, ladrões, sociopatas, odeiam as crianças e cospem em muitos dos pratos que lhes dão de comer.

Se a lógica da geringonça contra os enfermeiros se aplica, então tudo isto é verdade.