Podia ser na América do Sul…

Mas não é. Foi na Grécia. Imagino que os adeptos do Panathinaikos estejam indignados com o apoio Português aos restantes 17 países da Zona Euro, vai daí descarregam em Vítor Pereira.

Uma manifestação inequívoca da importância do serviço público de televisão

RTP paga 18 milhões e tira Champions à TVI

Foram 18 milhões bem empregues. De outra forma os jogos teriam sido transmitidos num canal privado em sinal aberto. Pago exlusivamente por publicidade.

ADENDA: Rodrigo Moita de Deus (31 da Armada)

O mesmo país que se indigna porque os assessores do governo ganham 1800 euros não se incomoda que a televisão pública pague 18 milhões de euros para vermos os jogos do Bate Borisov e do Shakhtar.Ficamos chocados com os ordenados dos deputados mas deixamos que estas coisas sejam anunciadas como se fossem normais. (…) Estão de parabéns todos aqueles que, há três anos, descobriram o “interesse do Estado” na integridade da RTP. Espero tenham percebido hoje a figura que fizeram. A rapaziada do costume agradece. Palermas.

A traição da Champions a Sócrates

Fiel ao seu espírito de missão, em 2008, o então primeiro-ministro José Sócrates, acompanhado de Mário “Jamais” Lino , anunciava a construção do novo aeroporto de Lisboa-Alcochete, com inauguração prevista para 2017. A necessidade de execução deste projecto, para José Sócrates, estava assente na premissa de que  o país precisa de andar para a frente“, associada também à ideia de que o aeroporto da Portela estava próximo de esgotar a sua capacidade.

Então, em 2010, José Sócrates já um Keynesiano deprimido pela crise financeira e chamado à realidade pela Senhora Merkel, adia o projecto.

Passados 6 anos, chegados a 2014, graças à final da champions, podemos confirmar o despesismo da ideia:

i. O ano de 2013, com 16 milhões de passageiros, foi o ano recorde de movimento de passageiros no Aeroporto da Portela; número ainda longe dos 23 milhões de capacidade anual anunciados pela concessionária da infra-estrutura. Daqui podemos aferir que o actual aeroporto pode acolher mais 6 milhões de passageiros/ano antes de esgotar a sua capacidade.

ii. Em termos de movimentos (aterragem e descolagem), sendo que a média se situa em 425 movimentos diários, devido à final, está previsto para este fim-de-semana de 23 de Maio, um novo recorde de movimentos, a saber: Sexta-feira 650 movimentos; Sábado 740 movimentos; Domingo 650 movimentos. O anterior recorde, de 570 movimentos, ocorreu no dia da final do Euro2004. Entretanto, passaram quase 10 anos em que apenas a cimeira da Nato, em 2010, causou algum movimento extraordinário digno de registo. Daqui resulta que a Portela, em caso de necessidade, consegue acolher mais 315 movimentos/dia antes de esgotar a sua capacidade.

Deste pequeno exercício fica a certeza de que, se não fosse a realidade económica a impor-se, José Sócrates teria arrastado o país e os contribuintes para mais um buraco despesista, baseado na necessidade de, com a típica voracidade socialista, aproveitar todos os fundos comunitários sem qualquer tipo de filtro. São estas “necessidades” que  fervilham, de poro em poro socialista, seja ele um animal feroz como Sócrates, um menino da lágrima como Seguro ou um euro-convicto como Assis.

 

 

 

A Factura (a sua)

Estou certo de que, neste momento, você já se indignou  com os “fiscais da factura”. Já arremessou o comando ao televisor, já se juntou ao tal grupo do facebook que pede a demissão da classe política e, num acto de rebeldia nata, já fez estremecer o café berrando indecências contra a progenitora do Ministro. Mas você, caro Leitor, é uma besta. E eu vou-me abster de lhe pedir para que não se ofenda. Eu quero que se sinta ofendido. Porque você, caro Leitor, é um idiota chapado.

Onde estava o meu amigo quando, fim de semana atrás de fim de semana, os mesmos agentes que nunca o impediram de ser roubado, cercaram as zonas de diversão nocturna incomodando quem quer que se faça passear numa viatura ? Provavelmente até concorda. Provavelmente até aplaude as vistorias aos popós, que se vêm tornando frequentes e escreve belas monografias enaltecendo a segurança, como se cada condutor fosse um perigoso terrorista à espera de rebentar. Provavelmente você viu aquele bar ser encerrado porque um artista se lembrou de acender um cigarro e aquela loja de conveniência fechar pelo simples facto de estar rodeada de bares e não ousou abrir a boca.

Sim, você que ejacula com as ASAEs e o seu fascismo gastronómico, para depois ir ao tasco da esquina queixando-se – e com razão – que as bifanas já não têm o sabor de antigamente. Você que quer limpar os bolos das escolas e arredores e meter as crianças a comer verduras no almoço e bananas no café da manhã. Você que branqueia os espancamentos nas esquadras e as rusgas nos subúrbios, que defende sem se questionar os gorilas de farda azul, legitimando que quem mora num bairro social – ahh, esse antro de bandidos e marginais – seja sujeito ao mesmo procedimento que um check-in de aeroporto. E por falar em aeroporto, já se sente mais seguro com por saber que o tipo que se senta ao seu lado só tem uma garrafinha de água ?

Você que pretende inspeccionar quem fuma com os filhos no carro ou com a empregada doméstica em casa. Você que acha que esses ladrões desses empresários devem ser constantemente incomodados para não fugirem às suas obrigações, que quer o Estado a inspeccionar as contas bancárias dos banqueiros e dos políticos, que festeja com as escutas da PJ ao Presidente do clube adversário. Você que que vibra com as rusgas aos feirantes, com o encerramento das Smartshops, que consentiu o assédio à restauração até entrarem no seu café, que consentiu o assédio aos agricultores até entrarem no seu quintal, que aplaudiu o assédio ao comércio até chegar ao supermercado e perceber que o produto que queria comprar tinha sido apreendido.

Hoje, observando o culminar da tirania que tem defendido, sente-se incomodado. Chega mesmo a sentir que o Estado se está a intrometer na sua vida. Chega ao ponto de, na sua inocência, citar chavões dos tais extremistas, dos mesmo anarquistas que tem vindo a insultar no café, no facebook e nas caixas de comentários dos blogues que lê. Mas você perdeu a guerra no dia em que deixou o Estado entrar na casa do seu vizinho. Abriu o precedente –  a caixa de pandora – para que ele um dia entrasse na sua. E esse dia chegou.

Agora sente-se, relaxe, beba um copinho de maduro tinto, acenda um cigarro e desfrute. Porque mais tarde ou mais cedo o Estado também o privará desses pequenos prazeres com tons de pecados. Por razões de saúde, por razões de segurança, por razões que o próprio imbecíl que fizer essa lei desconhecerá. Mesmo que isso implique entrar em sua casa, mesmo que isso implique a sua detenção por resistir à autoridade suprema dos fascistas que o governam. Como se diz em bom português, você fez merda, caro Leitor. Agora aguente-se à bronca. Aqui tem a factura do que pediu.

PS: Por cá o Carlos, a Maria João e o Ricardo (o outro) e no Estado Sentido o João Quaresma, o Samuel, o Fernando Melro dos Santos e o José Maria Barcia já escreveram sobre o assunto. Vale a pena uma vista de olhos.

Retrato de um país disfuncional

A duas semanas do arranque do campeonato de futebol, o cenário parece quase uma certeza: os jogos da I Liga deverão, pela primeira vez, ser transmitidos apenas pela televisão paga, através da SportTV. O canal já avisou mesmo a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e a Autoridade da Concorrência que ninguém quis comprar os direitos televisivos.
(…)
Apesar de a lista dos eventos de interesse público que devem ser emitidos em sinal aberto incluir um jogo por jornada e de a lei da TV dizer que isso é obrigatório, não há qualquer sanção se essa norma não for cumprida nem é possível obrigar a SportTV a vender ou os canais a comprar.

Ao mesmo tempo que o país atravessa uma grave crise financeira e econmómica manda um tal “interesse público” que se garante a transmissão de jogos de futebol em canal aberto. E ainda há uma tal ERC que vai perder tempo analisar a não concretização daquilo que não é mais que um negócio privado. Palpita-me que isto vai dar direito ao rasgar as vestes e a pedidos de intevenção por parte de políticos e analistas.